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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Set18

Chaves D´Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. O TEMPORA! O MORES!

 

Alguns dias depois, veio ao conhecimento de todos o que nenhum dos Bernardes jamais pudera imaginar. Foi certo dia em que Aurora, como estivesse indisposta, deixou-se ficar ao leito, por algum tempo mais. À hora do almoço, quando Papá chegou, ela foi acordada por um burburinho de vozes que vinham da sala de estar, nas quais sobressaía a de Reis – Mas como é que pôde acontecer isso em nossa casa?! Que sem-vergonhice lastimável! E o que podemos fazer agora, se a menina, quem sabe, já está a parir um filho dele? Essas rapariguinhas… francamente, elas não sabem se guardar! – e, a tentar resumir em bom Latim – O tempora! O mores!

 

Aurora foi até ao pequeno oratório de louça que havia em seu quarto, ajoelhou-se e pediu, a todos os santos, que lhe dessem coragem para enfrentar melhor os infortúnios. As irmãs entraram no recinto, a falarem nervosas entre si e a rapariga perguntou – O…o... o que está a se passar na sala? – ao que as manas se atropelaram mais ainda, todas a falar ao mesmo tempo – O quê, como?! Estás a dizer que não sabes?! – Que mal feito! Que desgraça! – Como é que uma rapariga se deixa levar assim?! – Então não sabes, também, que já pode estar a crescer um miudinho, nessa barriga pecadora?

 

A palavra “miudinho” levou a brasilita quase ao desmaio, enquanto as irmãs prosseguiam – E tu sabes quem contou tudo ao Papá? – a outra completou – A própria Alice, a afilhada do António Gomes, aquela que dormia na sala, no meio das japonesas... – A essa menção, Aurita ficou perplexa – A Alice?! Mas como é que essa menina... como é que ela ficou a saber que eu... que isso lá... – no que foi interrompida por Nonô – Ora, não te lembras que ela passou uns dias aqui em casa? – e a primogénita dos Bernardes já estava mesmo a cair ao chão, desfalecida, quando Lilinha exclamou – Como é que pôde o Alfredinho fazer isso?! – o que a deixou mais confusa – Quem? O Alfredinho? O meu próprio irmão? Não, ele não!!! Não, não!!! – e foram as irmãs que, dessa vez, também ficaram confusas – Mas como não? Se nós já sabemos que foi ele o autor. – Papá está furioso. Do que ele menos chamou nosso irmão foi de irresponsável... – E está só a esperar que o mano chegue do Liceu, para lhe dar uma sova – Mas o Papá já garantiu ao senhor António que o maninho, vai por que vai casar com a menina Alice!

 

Aurora respirou, enfim, aliviada. Consternou-se, porém – Mas o nosso Alfredinho?! Ele só tem dezassete anos! – Honras são honras, Aurita, há que se respeitar o bom nome das raparigas! – ao que, depois, disse-lhe Mamã – Os pais é que devem, ora, pois, sempre ensinar as meninas a guardar seus tesouros, com as chaves de muita virtude e prece. Não achas tu que sempre deva ser assim?

 

(continua)

 

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