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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Set18

Chaves D´Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. POMADA MARAVILHA.

 

O Gomes havia pedido ao Papá que acolhesse na Quinta, por uns dias, uma afilhada sua e de sua ex-esposa. A rapariguinha, chegada recentemente do Rio de Janeiro, estava a morar com ele e sua atual companheira em Vidago. Já entradinha nos 24 anos e sem casar, Alice parecia, no entanto, menina que mal deixara de ser. Era muito calada e, aos dizeres de seu padrinho, bem comportadinha. Não daria, portanto, nem um ai aos Bernardes, caso viesse a passar alguns dias na Quinta Grão Pará, a fim de se tratar em Chaves de uma doencinha na pele, que se estava a mostrar muito renitente. A menina já havia experimentado de tudo e nada lhe dava jeito. Nem mesmo a famosa pomada que o Gomes sempre mandara aviar, ao preço de 310 réis, na Pharmácia Pereira, em Chaves e assim anunciada em um jornal da região:

 

“A Pomada Vegetal Alemã faz curas milagrosas de males como varizes, erisipela, eczema, furúnculos, queimaduras, frieiras ulceradas, herpes, impigens, hemorróidas, úlceras extremas e dermatoses de toda natureza. Composta unicamente de raízes e sucos de plantas medicinais, não contém nenhuma espécie de banha. Esta pomada só por si extrai o pus, elimina a carne esponjosa, desinfecta e cicatriza qualquer ferida. Há dezenas de casos de curas, comprovadas com atestados devidamente reconhecidos”.

 

Apesar dessa mazela que, além da menina, só o clínico e a amásia de Gomes sabiam em que parte do corpo era acometida, Alice era muito graciosa, miudinha, jeitosinha, toda certinha, que dava um gostinho de olhar. Era, porém, muito tímida, embora isso talvez escondesse, no fundo, uma grande dissimulação de menina sonsa e namoradeira. Quem sabe por isso, ou quiçá porque a administração doméstica não desse à Mamã muito tempo para outras preocupações, ou, ainda, porque confiasse bastante no comportamento moral de seu ai-jesus adolescente, Mamã não havia notado o que Aldenora logo lhe veio chamar à atenção – Mamã, esteja a ficar de olhos abertos, pois cuide que o Alfredo está a arrastar as asas para a carioca.

 

Desde quando chegara à quinta, a menina vivia colada ao belo Alfredinho, cujos paleios estavam sempre a diverti-la. Passaram depois aos cochichos e risinhos. Ao se encontrarem fora das vistas de todos, beijinhos e algumas outras pequenas liberdades já eram trocados entre os jovens. Só vinham a se largar quando sentiam gente por perto.

 

Alice dormia a um canto da sala de estar, em um cómodo improvisado, por trás de um biombo japonês, onde Mamã colocara para a hóspede um colchão e todas as comodidades que estivessem ao seu alcance. Um dia, Alfredo, que era o único alegre, extrovertido e brincalhão do clã dos Bernardes, perguntou à menina – Mas afinal, de que estás a tratar com os médicos? – E achas que te vou dizer? – Eu sei o que é. Na pele, não é? Mas como é lá isso? – Parece urticária – E passa? – Diz o doutor que não. E há certos dias, como hoje, que só tem um pouquinho – Onde é? – Não posso contar!

 

– Mostras-me? – Alfredinho, isso lá são modos?! Olha o respeito comigo! Porque achas que te vou mostrar?

 

Mostrou.

 

(continua)

 

 

fim-de-post

 

 

 

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