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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Dez18

Chaves D´Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. CADAFALSO.

 

Maria Aurora Antonieta Bernardes encaminhou-se ao cadafalso e, se por fora, mostrava-se pálida e inerte, mais abatida estava em seu interior. Parecia-lhe, de repente, que o corredor a conduzi-la da Bastilha ao gabinete de Papá, nessa triste manhã, estava muito maior que o malfadado túnel de seu desatino. Enorme, infindável, tortuoso.

 

Ao passar pelo quarto dos rapazes, ouviu vozes exaltadas dos irmãos, a dizerem coisas como – Ai que vou matar esse gajo! – ou – Deviam fazer com ele, sabes o quê? Pegar-lhe com jeito os penduricalhos e ó! Nem aos leitões! – e, logo a seguir, baixou a cabeça diante do quarto das irmãs. Ali, a plebe jacobina, representada por Aldenora e Aurélia, embora não gritasse aos ouvidos de um invisível carrasco, como a rainha de copas no País das Maravilhas – Cortem-lhe a cabeça! – atirava à infeliz rapariga olhares de mágoa e reprovação.

 

Já próximo à sala íntima do pai, consolada pelo abraço à cintura que lhe dava Arminda, Mamã estava a chorar baixinho, com um lencinho de cambraia dobrado e encostado aos lábios. Ao ver a filha infortunada, abraçou-a e lhe beijou a testa.

 

Aurora entrou. Postou-se atrás da cadeira onde sentava-se João Reis, o pai que tanto amava e por quem sempre fora (e temia, a essa altura, já não ser mais) tão amada. Sentado na cadeira de balanço, voltado para a janela, cá estava aquele que o povo da terra alcunhara de brasileiro. Partira bem jovem às terras do Pará, na Amazónia e por lá fizera fortuna. Casara com uma ditosa rapariga, filha de boas gentes aveirenses que por lá andavam. Tornara depois à terrinha, com um ótimo tino comercial e muita fibra, e por cá ficara, na esperança de multiplicar, em Chaves, a fortuna amealhada no Além-mar.

 

Era nesse momento, porém, um pobre homem, alquebrado pelo desgosto repentino, que o não deixara dormir durante a noite passada. Lembrava-se, naquele momento, do dia em que Aurora nasceu e, por acaso, não fora um dia qualquer em Belém do Pará.

 

 

(continua)

 

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