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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Jan19

Chaves D´Aurora

1600-chavesdaurora

 

Uma noite inesquecível chegou, de repente, à memória de Aurita.

 

 

  1. VIGILANTE.

 

Papá estava com a pistola nas mãos, em companhia de Manuel de Fiães, a proteger a casa e os que nela habitavam, de algum monárquico fugitivo que estivesse a correr pela Estrada do Raio X e achasse, por bem, ou por mal, acoitar-se na Quinta.

 

Naquela noite de gritos de Viva a República ou Viva a Monarquia, em doze de Julho de 1912, a menina Aurita, quase a completar os dez anos de idade, deixou Mamã a rezar com os mais no quarto e se dirigiu ao patriarca – Que estás a fazer, Papá, com essa pistola? – e este, que não era dado a carinhos físicos aos filhos, pegou-lhe o queixinho e lhe respondeu, com a ternura expressa nos olhos e na voz – Estou a velar por todos nós, cá desta casa, minha boa menina. Especialmente por ti, a modo e à sorte que nunca, em tempo algum, homem nenhum apareça para te fazer mal!

 

 

  1. SILÊNCIO.

 

No dia seguinte, João Reis mandou chamar todos à sala de estar, inclusive Alice e as criadas, para um pronunciamento de suma importância. Ao cocheiro, não precisava convocar, porque além de leal, já era de seu feitio ser discreto, retraído, caladão.

 

Papá recolheu-se ao gabinete e, tão logo soube que todos já estavam à sua espera, foi até à sala e disse, em tom pausado e firme – Vou falar por agora, de uma só vez e basta! Durante todo o tempo que se fizer necessário, nenhum dos senhores há de abrir a boca para as pessoas lá de fora, a falar de qualquer coisa – e enfatizou – QUALQUER COISA que se passe aqui dentro, entre as paredes da quinta! – após o que falou, com mais dureza ainda – Nem mesmo aos parentes mais chegados! Não comentem nada sobre qualquer assunto que diga respeito à nossa família! – e concluiu – Estão todos a perceber o que lhes falo ou querem que lhes meta na cabeça, uma vez mais, esse voto de silêncio que todos, aqui, devem guardar? Pra já, é só. Estamos conversados!

 

A partir desse dia, as refeições passaram a ser uma hora de grande constrangimento, para aquela filha proscrita do coração paterno, mormente quando Papá dirigia-se a Florinda ou aos irmãos – Dizei a essa menina que me passe o azeite! Dizei à menina que me chegue cá o vinho! Dizei à menina que melhor faz ela em comer alguma coisa, pois não quero que se venha a estender, por sua causa, cortinas pretas às janelas! – todavia, com o passar do tempo, os mais e a própria Aurora acabariam por assumir as rotinas de suas vidas, ainda que, agora, ligeiramente modificadas.

 

 

  1. NÓS.

 

Graças à boa Zefa, Aurora concertou um encontro com Hernando, apesar de toda a vigilância familiar. Por mais que houvesse ensaiado ....

 

(continua)

 

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