Chaves D´Aurora
Romance

- TREVAS.
Diante de João Reis Bernardes, as trevas eram metáforas de um outro Portugal, não mais aquele em que vivera, há bem pouco tempo e, agora, estava prestes a deixar. A obscuridade social e política de sua pátria estava apenas no início. Aos anos seguintes, os governos antidemocráticos de Carmona e sucessores iriam desferir duros golpes sobre o regime republicano e todos os seus atos e instituições liberais. Decretariam o encerramento do Congresso e sua dissolução; a substituição, por comissões administrativas oficiais, das câmaras municipais eleitas em sufrágio popular; a dissolução dos partidos políticos e das organizações operárias; o restabelecimento de privilégios e da livre interferência da Igreja em assuntos nacionais; a censura à imprensa; prisões, interrogatórios e torturas, como nos tempos da Inquisição; exílios forçados, deportações et coetera, levando às masmorras ou à morte numerosas vítimas, contrárias ao governo ditatorial,
Os grupos capitalistas dominantes, todavia, estariam favorecidos como sempre, a se valerem das benesses governamentais do Estado. Tudo isso iria compor um regime totalitário que, no ano de 1933, acabaria por mergulhar o país, em uma das mais duráveis e funestas ditaduras do século XX, a do (oficiosamente chamado) Estado Novo, sob a clava de chumbo político-económica de Oliveira Salazar.
Somente aos 25 de abril de 1974, os cravos da liberdade e da alegria nacional iriam adornar os cabelos das raparigas, as lapelas dos rapazes, as mãos das crianças, o coração dos idosos, a alma dos portugueses e, enfim, as mentes de todos os verdadeiros democratas, em várias partes do mundo. Trariam, também, o contentamento geral dos povos das ex-colónias, logo em breve libertas e a se governarem por si próprias.
- CHAVES DA ILUSÃO.
A última escada, o último apito, a última esperança já lá se foram. A rapariga se agarra firme à ...
(continua e TERMINA na próxima terça-feira)



