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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves D'Aurora

08.11.16 | Fer.Ribeiro

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  1. AMORES-PERFEITOS.

 

Em uma casa menor, ao fundo esquerdo do terreno, ficavam o galinheiro, três pequenos currais, aonde à noite recolhiam-se os porcos, patos e perus, e um espaço para o único meio coletivo de transporte familiar. Este era uma espécie de landó, quase todo de madeira, com uma cobertura conversível e dois assentos, cada um para três pessoas. Se todos da família saíssem juntos, os filhos homens iam à boleia, ao lado de Manuel de Fiães, o cocheiro.

 

Havia também as baias para os cavalos. Além do Açaí e do Murici, os que conduziam o landó, havia também a parelha Azeitona e Azeviche, com suas belas e negras pelagens, os quais ficavam disponíveis apenas para os passeios dos rapazes, algo que os putos faziam com muito gosto, sempre que lhes apetecesse cavalgar.

 

 

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 Prédio onde seria a Quinta Grão Pará, à Rua do Raio X.

Cf. croquis em poder dos Bernardes (Foto do Autor,2010).

 

 

Uma vez que os flavienses de então não eram muito dados a plantar árvores em seus quinteiros, chamava a atenção dos passantes o imenso pomar onde frutificavam laranjeiras, pereiras, cerejeiras e que tais. A uma pequena horta, cultivavam-se as couves frescas para a sopa e também os nabos, feijões, favas, abóboras, cebolas, tomates e pimentos, enquanto que, das quintas de Santo Estêvão e de Sant’Aninha de Monforte, provinham queijos, vinhos, manteiga, presuntos e outros fumeiros, lá mesmo produzidos de modo artesanal, além de outros géneros para o consumo doméstico.

 

Ao lado da escada lateral, na frente da Quinta, apreciava-se um jardim onde, na primavera e no verão, viçavam flores as mais diversas. As preferidas de Aurora, a quem era muito prazeroso cuidar da jardinagem doméstica, eram os amores-perfeitos, com suas várias colorações. A essa altura, ela mesma plantava os seus prediletos.

 

Azuis.

 

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