Cidade de Chaves de(s)GOSTOS

Às vezes chego a duvidar de mim, é uma questão de sentir que me deixa na dúvida de estar a ser muito retrógrado ou estar muito à frente, sem o meio termo do estar confortável no ser conformado, como quem diz – acomodado. De qualquer das formas incompreendido (coitadinho de mim!), o que vale, é que já estou habituado e depois há o am… (ia dizer amar, mas é um termo e/ou verbo difícil de conjugar em português, isto tendo em conta o seu pretenso significado. Prefiro o verbo GOSTAR, é muito mais abrangente e fiel no seu significado, vai muito para além do amar e do fazer amor. No gostar, gosta-se sempre e quando não se gosta, também tem o seu contrário no DESGOSTO.) Pois, interrompi quando ia dizendo — o que vale, é que já estou habituado e depois há o gostar das coisas, das pessoas, dos lugares, do viver, da alegria. Tudo isto para dizer o como gosto desta Praça do Duque à qual também lhe chamam de Camões, aliás são estas duas, três ou mesmo quatro praças que se interligam para constituir um todo do melhor que Chaves tem, em beleza, monumentalidade e história. Praças que mereciam estar cheias de alegria, movimento, de pessoas, de vida e aqui sim, de amor. Refiro-me à Praça da República, à Praça do Duque, ao Largo Caetano Ferreira e Praça do Município/Rua/Largo de Infantaria 19. No entanto é um gostar cheio de desgostos, senão vejamos qual a vida e companhias destas praças, para além das igrejas, temos a casa do poder, onde se pagam taxas e licenças, se reclama e protesta e onde os políticos têm uma câmara onde decidem por nós com a legitimidade que o voto lhes deu, coisas aborrecidas para a alegria das praças, quando muito dá-lhes algum movimento, mas continua com um Museu de Arqueologia e aqui está tudo dito, com interesse histórico, sim senhor, mas para quem gosta, logo a seguir uma Igreja que comummente se transforma em casa mortuária, depois um armazém de idosos e de caridade, a seguir casario abandonado, mais uma igreja, a seguir a praça da república que nun lado de 4 comércios, 2 são agências funerárias, no outro lado um casarão belíssimo mas abandonado e do outro lado da praça um “club”, sociedade de velhotes a fazerem tempo para enganar o tempo, para além disso, um largo sempre a abarrotar de popós num local onde até é proibido estacionar. Vira-se a esquina e há todo um casario que se prolonga Rua do Sal adentro. Talvez, de memória, conto 16 a 17 prédios de habitação e uma capela, onde há dois cafés que abrem de sol a sol (desde que nasce até que se põe) e uma relojoaria e é tudo, pois viver, mesmo viver, penso que só dois dos prédios terão gente dentro, e pouca. A única praça que ainda vai tendo vida durante o dia (de sol a sol) é a Praça do Município e a Rua/largo de Infantaria 19, com a frutaria da Amélia, os Pastéis da Maria, o Café da Catarina e agora a casa das tapas do Pépe, e mais nada… então à noite, como agora está na moda dizer, o silêncio é ensurdecedor…


