Cidade de Chaves - Olhares seletivos sobre o Arrabalde

Depois de se ter perdido a sala de estar e de visitas por excelência da cidade de Chaves (leia-se Jardim das Freiras), o Largo do Arrabalde passou (a meu ver) a ser um dos largos mais interessantes da cidade e com a polivalência que lhe era conhecida de um largo comercial, de justiça, de escritórios e até de estar, para além, de que a qualquer momento se podia transformar num largo comemorativo das vitórias flavienses, ou reivindicativo quando assim tinha de ser, o único na cidade a poder nele conter uns milhares de pessoas. Mas isso foram outros tempos, não muito distantes, mas que já são do passado. A triste ideia de lá fazer um parque de estacionamento subterrâneo veio a dar luz aos balneários das termas romanas, uma descoberta que tudo indicava vir a ser uma mais valia para a nossa cidade história e milenar. A par da ponte romana tínhamos a descoberto toda uma infraestrutura balnear romana de extrema importância para a história de Aquae Flaviae, e como poucas do antigo império romano. Tal como se costuma dizer, a pressa sempre foi inimiga da perfeição, e foi a pressa de mostrar obras para contabilizar votos autárquicos que fez iniciar uma obra, ainda com as escavações arqueológicas a decorrer, e que, de entre todas as soluções possíveis e atraentes sem amputar a atração que o largo já tinha, se optou por aquela que se veio a demonstrar ser das piores ou mesmo pior solução para as termas romanas e para o Largo do Arrabalde, e contra factos, não há argumentos, estão à vista. Perdemos a beleza e o próprio largo, pelo menos a sua polivalência e não temos, nem temos “museu” das termas romanas, e ainda mais, a meu ver, seja qual for a solução para corrigir erros do passado, nunca vai ser uma boa solução, pois tem todas as condições para tudo correr mal, e, se por acaso até se encontre uma solução eficaz, terá pela certa efeitos secundários… vamos esperar para ver o que acontece e um dia mais tarde falaremos.
Mesmo maltratado e mutilado que foi o Largo do Arrabalde, ainda é nele que se conseguem alguns dos olhares mais interessantes da cidade. Claro que temos de escolher bem o ângulo de onde fazemos a toma para que o mamarracho não nos estorve a beleza do olhar. E com esta me bou!


