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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Mai18

Cidade de Chaves - Um regresso a 1992

chaves-analogica

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Hoje era para vir aqui com uma foto do 1º de maio em Chaves no pós 25 de abril, e até tenho uma foto no arquivo do “Chaves Antiga” que menciona essa data, no entanto tenho algumas dúvidas se será ou não. Mas como passei pelo baú das fotografias analógicas, entre numa pasta com rótulo do ano de 1992, não muito distante, mas já lá vão 26 anos, durante os quais achei curioso como muita coisa mudou nesta cidade em pouco mais de duas década, umas para melhor, noutras mais valia dar ouvidos àquela canção que dizia “para melhor, está bem, está bem, para pior já basta assim…”

 

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Seis olhares que tomei na altura onde são notórias as transformações que lhes foram introduzidas, algumas por força de causas naturais, outras para politicamente mostrar obra feita, outras por força das circunstâncias e outras porque sim, sem qualquer razão ou necessidade aparente. Por exemplo o Jardim das Freiras (foto anterior), nestes últimos 26 anos passou de jardim com três taças a um largo, também apelidado de eira, com um tanque que vertia água para umas supostas poldras, conjunto que inutilizava grande parte do suposto ou pretendido (desculpa) largo, para celebrar espetáculos e outras celebrações, Pois com o tempo (pouco) o tanque secou (as razões podem ser contadas como uma anedota) e a melhor solução para remediar a falta de água no tanque, foi desfazer tudo e refazer de novo quase na mesma, mas em vez de um tanque passou a ter um conjunto de “mijaretas”, que às vezes mi.. outras vezes não. Mas esperemos pela próxima versão, pois palpita-me que aquilo não vai ficar assim…

 

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Aqui (foto anterior) perdeu-se o velho casario mas ganhou-se a visibilidade do Baluarte do Cavaleiro. Tudo bem, nada a dizer, pois com a queda do baluarte por razões naturais e o casario quase na totalidade destruído, a melhor solução era mesmo reconstruir apenas o baluarte.

 

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Esta última foto mostra mais um dos locais onde se fez e desfez para ir dar ao mesmo, mas pelo caminho foram-se perdendo algumas coisas. Pois bem, primeiro a velha ponte já sem Ribelas por baixo, deixou de ter a área envolvente desmazela. Limparam tudo à volta,  semearam um relvado por baixo e na sua envolvência. A coisa tornou-se aceitável e até agradável,  mas posteriormente com as obras da envolvente da buvete, o relvado foi à vida e deu origem a mais um tanque, pois claro, se era uma ponte, tinha de ter água por baixo, mesmo que não corresse para lado nenhum. Durante uma temporada, dois ou três anos, talvez,  a coisa até era agradável, mas foi enquanto durou, pois já é sabido que “obras de arte” em Chaves que levem água, em vez de meterem água, perdem-na,  são de pouca dura, pois há uma coisa que se chama manutenção que geralmente é esquecida. Dá trabalho e custa dinheiro, assim é mais fácil deixar secar os tanques e deixar passar o tempo até o pessoal esquecer que aquela coisa tinha água. Depois desfaz-se tudo e retoma-se o que estava antes, que já não era mau de todo e assim se voltou ao relvado, que este se for regado, vai-se mantendo e é sempre verde. Mas nestas trocas e baldrocas perdeu-se o arvoredo, que diga-se, além de embelezar o local, proporcionava uma agradável sombra nos costumeiros dias de inferno dos verões flavienses. Disseram na altura do corte das árvores, que apenas se tinham cortado as doentes para dar mais espaço às saudáveis, cá pra mim, na obra marcaram as árvores a abater e encarregaram uma besta qualquer para fazer o trabalho, que besta como era, abateu as que não estavam marcadas e deixou as doentes. Tudo isto até tinha graça, anedota mesmo, se não fosse o dinheirinho (dinheirão) que se gasta em fazer e desfazer para voltar tudo ao mesmo… ou ficar tudo pior.

 

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Nesta foto que fica atrás temos o Arrabalde, que embora com este topónimo e o seu significado, pouco tem de arrabalde e sempre foi um dos largos principais da cidade, sabemos hoje que assim o foi desde há 2000 anos.  Nas versões mais recentes, últimos 100 anos, foi um concorrido mercado municipal durante a primeira metade do século passado, para nos anos 50 (Séc. XX) dar lugar ao “Palácio da Justiça”, deslocando-se o mercado municipal para entre as ruas do Olival e das Longras, ficando o espaço ocupado pelo antigo mercado como um amplo largo de acesso ao “Palácio da Justiça”. Passou a ser o largo principal da cidade, onde se passaram a fazer as concentrações importantes dos flavienses, quer nas suas vitórias e comemorações, quer nos seus protestos (subidas do Desportivo de Chaves à 1ª divisão, celebração do 25 de abril em Chaves que só aconteceu no 1º de maio, faz hoje precisamente 44 anos, comemorações dos XIX séculos de Chaves como município, todos os grandes comícios do pós 25 de abril, etc.) ou seja, sempre que a população aderia em massa e o Jardim das Freiras se tornava pequeno para a receber. Pois bem, a história mais recente deste largo do Arrabalde tem inicio, precisamente, no Jardim das Freiras. Já sabemos que quando muda o partido do poder na CMC acontece o mesmo que nos territórios dos cães machos, ou seja, o cão que passa a dominar o território depois de expulso ou outro,  começa a marcar o seu território com uma mijadela, ou seja, com a sua marca pessoal. Pois para o Jardim das Freiras estava previsto um estacionamento, já então polémico, mas com projeto aprovado e inclusive obra adjudicada, a custo zero para os flavienses, a única coisa agradável na coisa. A CM mudou de partido e a primeira coisa a fazer pelo novo executivo foi parar com as obras nas Freiras, que aliás ainda nem tinham começado, mas o caricato é que pararam as obras para continuarem com um novo projeto em que se alterava,  mantendo aquilo que incomodava e abolindo-se aquilo que não se via e até era necessário, ou seja, alterou-se a superfície visível e acabou-se com o estacionamento subterrâneo. Mas como este até era necessário, num golpe de esperteza, decretou-se —  Faça-se o estacionamento no Largo do Arrabalde — e assim foi, o Arrabalde entra em obras. O resto da história, por ser mais recente, já é conhecida, ou seja, em vez de um estacionamento subterrâneo, passámos a ter umas termas e balneários romanos que ficaram a descoberto com as escavações arqueológicas. A partir de aí foi asneira sobre asneira, perdemos um airoso e interessante largo, o mais importante da cidade,  ganhámos um mamarracho e ainda não ganhamos as termas romanas, e com tanta estupidez que lá foi concentrada, tanta ou mais que o peso do betão que lá enfiaram, não vejo soluções satisfatórias. Se calha, o melhor mesmo, era desfazer tudo, repor o que estava,  e esperar que gerações futuras, mais sensatas, inteligentes e com novas tecnologias, arranjassem uma boa solução para um espaço que merece ser digno de apreciação e espanto. Quanto ao que lá está, fazia-se um vídeo, metia-se num daqueles capacetes virtuais em que tudo parece real, e assunto resolvido e bota para a frente. Via-se o que lá existe, mantendo-o preservado.

 

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Nesta última foto temos a Travessa Cândido Reis. Ora bem, quem foi o Cândido Reis e qual a sua ligação a Chaves? Penso que a não ser os antigos republicanos e mais alguns pouco ligados à história saberão que foi o senhor. Mas perguntem qualquer flaviense onde fica o Faustino e todos lhes dirão onde é… mesmo que não tivessem conhecido o Sr. Faustino.  Pois claro que assim é porque o Faustino foi a maior catedral do vinho em Chaves e enquanto o antigo e belíssimo edifício existir, aquela travessa continuará a ser a Travessa do Faustino, mesmo que oficialmente seja do Cândido… Mas é de transformações dos locais e ruas que hoje trago aqui, e esta travessa foi uma das que mais se alterou desde 1992, data da foto. Não no seu casario, mas na vida da travessa, nos seus fins e usos. Deixou de ser residencial, de ter hotel, de ter cinema, de ter serralharia (Joaquim, das molas) , de ter sapateiro, de ter a pensão Flávia, de ter “Os amigos”, de ter o Faustino a copo, a garrafão, a pipa e a tonel, em suma a ser uma travessa de vida diária para passar a ser um dos principais locais de vida noturna atual, com discoteca, bares e esplanadas, passando o Faustino a restaurante e galeria de arte, hoje de fotografia onde nós até promovemos algumas exposições, e a Pensão Flávia passou a restaurante. Pessoalmente gosto da vida noturna daquele espaço, jovem sem putos e interessante, mas temos saudades do cineteatro, duns petiscos ao fim da tarde nos amigos, e da Pensão Flávia, do Bar, o primeiro a abrir portas na cidade de chaves, se recordo bem, a partir das 5H30 da manhã, onde era habitual cruzarem-se os mais madrugadores com os que si iam deitar. Fui lá muitas vezes a essa hora e dava-me um gozo especial o ficar a saber, sem nunca me enganar, mesmo de olhos fechados,  quem entrava lá por já ter madrugado ou quem ainda se ia deitar. Era muito simples, os que tinham madrugado entravam e cumprimentavam com um “bom dia!” e os que iam ainda à deita, com uma “boa noite!”.

 

Concluindo, por aqui, nesta travessa, a modernidade encarregou-se de fazer as transformações necessárias.

 

E com esta me bou! Mas antes,

 

Viva o 1º de maio!

 

 

 

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