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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Nov18

Crónicas de assim dizer

arrabalde-3

 

O hábito faz o monge

 

 

O desespero é bom. O desencanto é bom. A desilusão é boa. Tudo graças ao forte instinto de sobrevivência que temos, como animais selvagens que somos.

Chegados aqui, estamos num ponto importantíssimo: o ponto de partida para muita coisa e não faz diferença nenhuma se temos 40, 50, 60 ou 70 anos! 

 

Começamos então a identificar, com facilidade extrema, o que nos interessa e o que não, o que é verdade e o que não, o que nos é útil e o que não, o que nos faz bem e o que não.

Um exemplo simples: ouvimos, hoje é frequente isto, muita gente a falar da gestão da expectativa, mas fazem-no em nome individual, gerem a sua, não gerem a que o outro tinha deles e se pensarmos nisto temos que achar que não fazem mal, ao contrário, fazem bem, porque as expectativas que nós criamos sobre os outros e as situações, são uma ficção nossa. A tradicional frase: Faz parte do nosso imaginário. E sobre a mesma coisa ou pessoa, há variadíssimas ficções e versões! E a quantidade e a qualidade delas, dependem de quê? Exactamente, do nosso imaginário, da nossa capacidade de efabular, do quanto criativos somos. Porque e quando o fazemos? Quando nos sentimos vazios por dentro e não percebemos que só nós é que os podemos preencher, para que o processo seja eficaz e duradouro, porque os outros dão e tiram, emprestam, quando muito! Não raras vezes dão o que não querem ou não precisam e tiram-nos o que nos faz falta, o imprescindível. Não se faz!

 

E o hábito faz o monge, não falando aqui de roupagens. O hábito é perigosíssimo, porque nos habituamos muito depressa a ele, ao nosso e ao dos outros, e perdemos a sensibilidade que funciona na nossa vida como um sensor, um barómetro ou uma bússola. Por exemplo: comecei a escrever textos no telemóvel porque me permitia escrever muito mais rápido. Utilizando a escrita automática, escrevia só o início ou metade das palavras, o que faltava delas e os acentos vinham de bónus, mas passado algum tempo, lá está, depois de me habituar, deixei de ver as palavras que me eram sugeridas pelo dicionário e comecei a escrever como se estivesse no computador, letra a letra. Ou seja, o que de início me deixou contente por me parecer uma grande vantagem, passou, uns minutos depois, a ser naturalmente ignorado! Porquê? Porque me habituei, deixei de estar atenta, e fiquei insensível a uma coisa que, vendo-a e utilizando-a, me facilitava tanto a vida.

 

Talvez que durante este processo tenha dado um salto evolutivo: o ter deixado de precisar! Estava a brincar, isso seria realmente bom, mas não foi nada disso. O que me aconteceu é que regredi: depois de adquirir o conhecimento não o interiorizei e de seguida perdi-o. É isto que nos acontece muitas vezes depois de um longo percurso, não fazemos save e perdemos o "texto" todo! É horrível, todos sabemos como é horrível, porque já nos aconteceu a todos. Voltamos ao princípio, desta vez custa bastante mais e por dois motivos: porque já não temos o entusiasmo da primeira e porque estamos constantemente a fazer um esforço para nos lembrarmos do que tínhamos inicialmente escrito. Completamente inglório e desgastante. Nunca vamos conseguir o mesmo! Se fôssemos mesmo inteligentes, fazíamos um não-esforço para esquecer o que já tínhamos escrito, que é como quem diz, o passado, e começávamos de novo, mas sem recomeçar, porque isso nos não leva a lado nenhum. A memória às vezes estraga mais do que ajuda!

 

Mas, perco-me com uma facilidade! Relativamente à expectativa, convém não nos habituarmos a ter qualquer uma sobre nada que não dominemos, que nos seja alheio; a não esperar nada de ninguém e sabem o que nos é servido numa bandeja? O paraíso!

É engraçado como, às vezes, ao imitar o defeito adquirimos a qualidade!

 

Cristina Pizarro

 

 

 

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