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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

28
Nov18

Crónicas de assim dizer

arrabalde-3

 

T1-Duplex

 

Neste nosso pequeno mundo há de tudo um pouco.

O quarto das bonecas com estantes em toda a extensão das paredes, do chão até ao tecto. As bonecas são os nossos pensamentos. Há-as de todos os tipos: de porcelana, de trapos, de papel, de esferovite, de gesso, de barro, de vidro, de acrílico, de borracha, de plástico... todos os materiais disponíveis. Umas muito arrumadinhas e outras caoticamente dispersas. Conforme o tamanho assim é escolhido o espaço que todas elas, por mais pequenas que sejam, ocupam. Até a ranhura do parafuso que sustenta as prateleiras tem pensamentos, tudo milimetricamente aproveitado.

Depois há o compartimento das atitudes: das elementares, das mais elaboradas, das previsíveis, das arrojadas, das impensadas, das consequentes, das opostas, das supostas, das improváveis, das impostas, das declaradas, das do corpo e das da alma, das desesperadas, das mais calmas, das que operam, das que imperam e das que nada!

Depois temos o quarto escuro: o dos problemas onde uns, por resolução, vão dando lugar a outros e onde outros, sem se resolverem, se vão ultrapassando e se vão empacotando como cadeiras empilháveis, libertando assim algum espaço. Há dias em que o quarto está vazio e dias em que transborda. Há ainda outros cheios de pó e provavelmente com teias de aranha que ficaram “esquecidos” debaixo da cama, escondidos, arrumados em caixas ou pendurados como roupão atrás da porta. Há os sem importância nenhuma que nos dias de maior lucidez são colocados no início da fila e que, se for preciso espaço para algum novo, uma emergência, são os primeiros a ir para o lixo. E há os tipo cola que se agarram à gente como macacos a árvores e resistem a todas as intempéries, saltam de um ramo e logo se agarram a outro, numa acrobacia aérea que nem disfarçados de Tarzan conseguimos expulsar da selva.

Depois há o quarto de passar, o dos sentimentos, onde a roupa dobrada em cestos aguarda tempo e disponibilidade para ser passada e pendurada em cabides e onde a questão é a das prioridades: que roupa vestir hoje?!

Há também a casa de banho, de higiene mental e corporal, sempre a contra-relógio e onde descuidamos sempre a primeira em favor da segunda, porque esta vê-se e a outra não e nós somos vaidosos e importamo-nos com o parecer, antes do ser!

Depois há a cozinha, o local de preparação dos alimentos, comportamentos, que compramos em supermercados onde nunca há o que queremos e onde, não fosse a fértil imaginação que temos, ficaríamos sempre insatisfeitos e compensamos com uns a falta de outros!

E na sala, zona de ser e estar, o que é que temos? Tradicionalmente a maior área da casa, com poucos móveis para circular à vontade, com alguns quadros para contemplar quando os vemos e a televisão para nos lembrar que para lá da porta do T1-Duplex em que vivemos há um mundo sem portas a que pertencemos, onde todos os dias acontecem coisas que não controlamos, que não dependem de nós e com as quais temos de lidar a bem ou a mal ou de qualquer maneira!

Às vezes mudamos de casa por falta de espaço em vez de nos esforçarmos por arrumar a que temos e adiamos o problema, alimentamos o problema, dilatamos o problema, disfarçamos o problema, arranjando vazios para preencher, é o colapso! Agora a casa é grande, já há espaço para termos mais bonecas, mas o quarto dos adultos continua a morar na casa ao lado!

 

Cristina Pizarro

 

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