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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Dez18

Crónicas de assim dizer

arrabalde-3

 

Poeira cósmica



 

Custa a dizer, mas todas as pessoas, de alguma forma, se prostituem. Seja por dinheiro, por amor ou por outra coisa qualquer. A linha que as separa, ao contrário do que possa parecer, é muito ténue! É sempre um jogo de interesses o que está em causa. Podemos dar-lhe contornos especiais à medida do que queremos provar, a nós ou à sociedade, mas é uma característica do ser humano: vender-se! Vende-se diariamente por trabalho, achando que o acto é tanto mais digno quanto mais alto for o preço por que é remunerado ou compensado. Depende das leis do mercado, da oferta e da procura.

A dignidade do ser humano está muito longe de ser isto.

 

A estrutura mantém-se e sobrevive, porque serve o objectivo e o objectivo atinge-se: manter uma família nos limites da sobrevivência. Nas camadas sociais cujo critério de catálogo é um pouco mais elevado, existe o conceito de felicidade, definido como o bem-estar dos intervenientes, físico, psíquico e social.

 

A subjectividade subjacente a tudo isto entra em confronto directo com o que cada um pensa: o que é bom para ti pode ser mau para mim! Quem se importa? Agimos, reagimos e interagimos! Tudo no mesmo saco. Compatibilizamos coisas incompatíveis e chamamos-lhe criatividade, quando muitas vezes estamos a falar é de estupidez!

 

Atingimos então o limiar de conceitos como o respeito pelo outro e a dignidade por nós mesmos, onde damos sempre relevância ao último. Quem paga mais? A nossa vida não passa de um leilão em praça pública! Ninguém se compadece!

Há uma base de licitação, que é estabelecida discretamente pelo próprio e que é calculada tendo por base a questão: compensa mais do que estar sozinho?

E o ser humano não se apercebe de que a pergunta que acabou de fazer está viciada: qualquer coisa compensa mais do que isso, porque ninguém nos ensinou a ser sozinhos. Os mercados individuais entram em crash, devido à especulação que os precedeu. Era previsível se estivéssemos atentos, mas nesta corrida desenfreada por ser o melhor, perdemos a noção das etapas com índices individuais de avaliação que não se somam, mas que se multiplicam.

 

Começam então a aflorar na nossa cabeça as perguntas tolas, como se de repente começasse a Primavera: do que depende a minha vida? Quem é que eu quero ao meu lado, quando a morte vier, para me fechar os olhos? Podia ter feito mais? Foi digna a minha atitude quando rejeitei o que me era oferecido em dádiva? Fui honesto quando disse o que disse e não senti nenhuma das palavras? E porque o fiz? Quem está em mim que me domina? Porque digo não quando quero sim e sim quando não me importo? Que raio de consciência é a minha que me permite no dia-a-dia ignorar questões fundamentais, adiar sentimentos, sejam eles quais forem, e alimentar-me como um animal? Onde é que eu vou arranjar lucidez bastante para tomar por finito o que me parece eterno, quando o Universo que é imenso, poderá ser finito e eu comparado com ele sou um minúsculo crepúsculo feito de vento mais que sentimento, uma poeira cósmica que se dissipará sem que ninguém note?

Haverá alguém que pense nisto, capaz de me convencer que o nada existe para eu poder acreditar no resto?

 

E apesar de todas as minhas dúvidas e de todas as minhas certezas, a Terra move-se sempre na órbita que lhe foi prevista, mais coisa menos coisa, e não faz o mínimo desvio!

Percebo-a, mas não a compreendo! Se o fizesse por nossa causa resolvia o nosso problema e instalar-se-ia a desordem universal! Não lhe compensa! As leis do mercado também regem planetas, estrelas e galáxias! Mas experimentou fazer diferente, avaliou o impacto? O que temos é o resultado disso ou o produto de o não fazer?

 

Com esperança e sem amargura nenhuma: será que, como empresa em nome individual, não temos alternativa a essas grandes correntes, comerciais, financeiras, políticas, filosóficas, religiosas, éticas, morais, nem mesmo se começarmos hoje? E se quiséssemos? Dizem que...

 

 

 

Cristina Pizarro

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