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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Set19

Crónicas de assim dizer

cabecalho-assim-dizer

 

Era uma vez um brinquedo

 

A criança brincava com o Aneurisma sem saber com o que brincava. Rodava com ele, rolava com ele, rodopiava com ele; sem conhecer o perigo, sem suspeitar do atrevimento, sem considerar o abuso de poder, sem notar a falta de respeito. Tudo nela era pré conceito.

 

A criança brincava, pegava no Aneurisma como num boneco e desfazia-o, tomava-lhe o pulso e abria-lho, sentia-lhe o coração e parava-lho, desafiava-lhe o cérebro e congelava-lho.

 

A criança não sabia o que fazia! Trazia-o para si sem chamar por ele, porque o não merecia, mas não julgava isso, era uma forma que tinha de o tornar não consciente. Tinham-lhe dito: Só existe o que tu queres ver, mas tinha sido noutro contexto, a criança não o distinguia.

 

E a criança tinha medo, desde tenra idade que vivia apavorada, com medo de si e não sabia como fugir. O medo de então não passou, passou a fazer parte de si, colou-se a ela e então pediu um brinquedo pelo Natal. Deram-lho, há sempre quem nos dê coisas de que não precisamos! Às vezes do que precisamos é de não ter, para aprender a viver sem isso, mas isso não era fácil de entender pelos outros e era mais simples dar o brinquedo, o peixe, em vez de ensinar a pescar!

 

As pessoas são muito preguiçosas e preferem o que é fácil e gostam de criar dependência: “Se eu não ensinar a pescar, da próxima vez que ela quiser um peixe vem ter comigo, vem-mo pedir e vai ter que me dizer obrigado!” e as pessoas adoram que lhes digam obrigado, fá-las sentir bem! Precisam disso, dependem disso! E andam nisto, em vez de pensarem: se ela tiver autonomia, eu tenho mais tempo para outras coisas, até para mim.

 

E a criança esquecia-se de si enquanto brincava com a bomba-relógio, é para isto que servem muitos brinquedos, e nunca se apercebeu do tic-tac porque nunca se aproximou o suficiente. Detalhes, pequenas coisas que são engolidas pelas grandes, sem importância nenhuma, embora avassaladora!

 

Um dia deixou-o cair, de propósito, sem qualquer propósito e empurrou-o até, fazendo-o rolar pelo precipício porque lhe dava um gozo enorme ver o Aneurisma aflito, com medo de se partir ou rebentar e nunca percebeu que o problema que não era dela, era um problema só dela. Deu conta disso no dia em que o brinquedo comprou uma pilha, foi ter com a criança e disse-,lhe: o meu nome é Aneurisma, sou uma bomba-relógio que pode rebentar a qualquer hora, quer dizer, não é bem a qualquer hora, é só quando e se me apetecer, por isso não tens de te preocupar comigo porque já não dependo de ti.

 

E a criança emudeceu, mas antes disso zangou-se, tirou- lhe a pilha e disse: “Eu é que decido!” E o Aneurisma sorriu, porque já tinha alternativa a ela, ela é que não sabia! Tinha andado a ler umas coisas sobre energias renováveis, planos B, antes de falhados os A.

 

Cristina Pizarro

 

 

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