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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Out19

Crónicas de assim dizer

cabecalho-assim-dizer

 

 

O Passarinho bebé

 

Era uma vez um passarinho que caiu do ninho. Tinha uns olhos grandes, doces, muito meigos e escuros. A mãe até lhe chamava “as minhas azeitonas pretas”. Não eram dela, eram dele. A mãe sabia, mas fazia de conta. Dava-lhe tranquilidade, era o que era!

 

Um dia caiu do ninho. A mãe estava-lhe sempre a dizer: Não te aproximes muito dos bordos do ninho, podes cair! Mas ele gostava de abrir as asas e de as colocar sobre as margens do ninho para apanhar ar fresco.  Um dia desequilibrou-se e caiu. Melhor seria dizer que se equilibrou, porque ter passado por uma queda de 80 metros, grande que era a árvore, uma Sequoia gigante do Canadá, sem fraturar um osso, e ele tinha-os tenros, era mais motivo de equilíbrio do que de qualquer outra coisa. Costuma-se até chamar a isto: cair bem ou saber cair.

 

Quando se encontrou cá em baixo, o passarinho bebé pensou: “Vai demorar uma eternidade até eu conseguir voltar para o ninho, o melhor é eu começar a treinar e aprender a voar.”

 

Aos dezasseis caiu do ninho e aos dezoito voava a céu aberto!

 

É claro que a família se questionava, sem nunca encontrar resposta, porque razão o passarinho tinha caído e alguns membros da família tinham mesmo a ideia de que tinha sido ele a precipitar a queda, por achar que já tinha maturidade suficiente para viver sozinho. A mãe negava-se a acreditar nisto porque, como todas as mães, achava-o muito pequenino, com necessidade de mimo, protecção, incapaz de cuidar de si em situações mais adversas como a fome, a sede, o frio, a doença...


À data da queda, era a mãe que tratava de toda essa logística e apesar de nunca ter achado que ele tinha feito de propósito e de às vezes fazer a pergunta sem resposta: Porque é que ele partiu; sobreviveu bem a isso por ter percebido que se tratava de uma necessidade sua, que ele tinha mesmo de o fazer, para se sentir realizado como pássaro que era e tinha nascido!

 

Um dia a mãe pássaro sobrevoava o Sequoia National Park, na Califórnia, e encontrou um amigo, um pássaro adulto, que lhe perguntou porque estava com uma expressão tão triste e ela contou-lhe que o seu passarinho bebé tinha caído do ninho, ao que ele respondeu: “Deste-lhe as asas...”
 


Tão simples que era!
 
 
Cristina Pizarro

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