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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

14
Out20

Crónicas de assim dizer

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Tu e só tu

 

Deixa. Deixa ir. Larga. Larga tudo. Coisas, pessoas, sentimentos, emoções, mágoas, ressentimentos, ofensas. Não te importes. Vê e sê! Depois começa, repara em algumas coisas, poucas, que estão ali para ti, que só estão ali para ti. Não são vistas por mais ninguém, mais ninguém pode pegar nelas, porque és só tu que as vês. Não fales delas, não partilhes, ninguém as compreende ou valoriza a não seres tu. Chamar-te-iam louco, desequilibrado, mentiroso, até parvo. Traz isso para dentro de ti, reconstrói-te em bocados, aos bocados, sem pressa nenhuma. Faz uma coisa de cada vez, em silêncio. Não anuncies, nem para ti, se falta pouco ou muito ou quanto falta. Não percas tempo nisso, embora para isso o tempo te não falte.

 

Caminha só no caminho que é feito por ti, onde tu colocaste a sinalética do excesso de velocidade, do perigo com o gelo, do derrame de óleo na estrada... Só lá está o que tu lá puseste. Não comentes se foi fácil ou difícil o percurso, se vacilaste a dada altura, se equacionaste desistir, não digas nada. Segue o teu caminho, liberta-te dos muros sem os deitares abaixo. Se lá estão, para alguma coisa devem servir, alguém os construiu, podem ser úteis a outros. Constrói tu também os teus, que hão-de ladear o teu caminho, que te hão-de proteger ao longo do percurso.

 

Depois faz pontes, constrói as tuas pontes, porque pode haver uma altura na vida em que precises de atalhos, em que um rio te surpreenda ao caminho e te pergunte o que andas tu a fazer nele, como se lhe tivesses invadido o espaço, que é só dele. Não respondas, salta para a ponte, a que tem os teus alicerces, não a outra que está ao lado e que foi construída por outro. Sabes lá tu de que essa é feita, se tem estrutura capaz de te aguentar. Bem sei, pesas pouco, mas há pontes de cartão. Podes ter sede, sim, é verdade, mas não bebas senão da água que corre debaixo da tua ponte.

 

Constrói um jardim, não é preciso que tenha muitas e variadas flores. Pouca coisa é suficiente. Que sejam verdes para te alimentarem os pulmões de oxigénio. Não, para respirar não serve qualquer ar, tens que ser tu a produzir a tua atmosfera, para que ela te seja respirável. Para além das plantas verdes, semeia outras que tenham cheiro, coisa simples, alecrim, alfazema, rosas… se achares que te vão fazer falta para ofereceres a alguém ou simplesmente para te perfumarem o dia da semana que elegeres para o teu dia especial, o de descanso disto tudo.

 

Depois encontra um sítio, não procures um sítio, encontra o sítio onde farás uma pequena casa que tenha tecto para te abrigar do frio, das tempestades, das aves de rapina e dos animais selvagens. Entra na casa, deita-te no chão, fecha os olhos, adormece sem razão e vais ver que ao acordar estás só tu dentro de ti! E é tão bom, finalmente a sós contigo, sem ninguém lá dentro, sem ninguém que te julgue, sem ninguém que te impeça.

 

Instantes depois começas a ouvir um respirar e percebes que um grande amigo, que não vias há tempo indeterminado, está ali deitado junto a ti. Com surpresa perguntas: Como é que entraste? “Eu sempre estive aqui, tu é que não me vias!” Tiras então os óculos de ver ao perto: de facto!

 

E é aí que percebes aquele estado de alma do “Quase bem!”, que para evoluir para o patamar seguinte depende mais do largar coisas -que só depende de ti fazê-lo- do que do ter coisas -que pode não depender só de ti.

 

 

Cristina Pizarro

 

 

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