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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Nov20

Crónicas de assim dizer

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A brincar, a brincar... 

 

 

A princípio era uma brincadeira, assim de improviso, sem pensar muito. Eu disse que ia imitar uma pessoa. Sabes o que quer dizer imitar? Não esperei pela resposta e acrescentei: É fazer de conta que sou outra pessoa e tu tens de adivinhar quem é que eu estou a imitar. Repeti a palavra sem querer e sem saber se ela, com 3 anos, tinha percebido ou não. "E agora a Cristina quem é, mamã? Não é ela!"

 

Fiquei ali algum tempo, e como ela não respondia, tentei ajudar: Posso estar a imitar a Dóris! "A Dóris não, porque é um cão e os cães não falam!" E após um curto silêncio: “E se brincássemos antes às escondidinhas?” Aceitei.

 

Mas depois aquilo passou, a brincadeira, o jogo, e o consciente começou a acordar lentamente, devagarinho (é diferente!) e a perguntar lá do fundo do corredor: E agora eu quem sou? E percorria a casa e eu atrás dele a tentar descobrir de onde vinha a voz e ele a brincar comigo, a aproximar-se e a fugir de seguida. E eu a insistir, a procurar atrás das cortinas, debaixo das almofadas, entre as folhas dos livros, dentro das gavetas, por baixo dos armários... em algum sítio tinha de estar!

 

Primeiro achei divertida aquela coisa do esconde-esconde, parecia-me que via uma parte dele e quando chegava lá, não era. Cheguei a entusiasmar-me a ponto de fazer mentalmente a lista dos locais prováveis e, depois de todos em vão fiz a outra, a dos improváveis e enquanto não chegava ao último andei ali com uma motivação inesgotável. Cada sítio onde me dirigia e o não encontrava, em vez de me fazer desistir ou ir perdendo o ânimo, era ao contrário, uma injecção de energia, aquela sensação de trabalho realizado, do pior já passou, agora também falta pouco! E então continuava, numa dinâmica em que todos os obstáculos eram ultrapassados e, alguns, até derrubados, para ser assim completamente honesta.

 

Numa das vezes até me ri sozinha, quando achei que ele estava dentro da taça de vidro fosco do candeeiro do tecto. Acendi-o, vi uma sombra e pareceu-me ver a fita amarela da meta. Agora era só cortar. Fui buscar o escadote, não era suficiente. Fui buscar um banco à cozinha, daqueles que nos dão acesso à loiça nos armários mais altos, para colocar no degrau superior do escadote. Insuficiente. Fui buscar a caixa das ferramentas, desapertei os parafusos para tirar o vidro e, quando vi lá dentro o vazio, olhei para o sítio onde tinha os pés apoiados e pensei: e agora, como é que eu desço daqui? A subida tinha sido simples, fácil mesmo, por causa do entusiasmo, mas agora, sem entusiasmo nenhum, os meus pés pesavam como chumbo e eu não via a forma de descer dali sem ser aos trambolhões! Sentei-me, que isto do corpo tem limites, e às vezes temos de descansar um bocadinho e ganhar fôlego para retomar o voo. Ou então pôr a cabecinha a trabalhar e arranjar nova estratégia, que aqui até acabamos por esquecer que o corpo tem limites, e atiramo-nos lá de cima sem pára-quedas, cheios de confiança. 

 

Fui por aqui e, de repente, pareceu-me ouvir a voz da Dóris! Mas não podia ser porque a Dóris é um cão e os cães não falam! Quer dizer, não é bem assim porque a Dóris é uma cadela. Mas a miúda só tinha três anos! Valeria a pena estar a explicar-lhe uma coisa destas para ela me dizer depois: Mas é a mesma coisa, Cristina! E não era!

 

 

Cristina Pizarro 

 

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