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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Jun21

Crónicas de assim dizer

cabecalho-assim-dizer

 

Work in progress

 

A realidade bateu-me à janela e eu hesitei! O sonho era bom e costumava bater-me à porta! E eu abria sempre, a pensar na hipótese de ser uma carta registada das finanças com "data limite para pagamento"! Com gente pouco séria, todo o cuidado era pouco e o meu pai ensinou-me que os avisos para pagamento se efectuam no dia em que se recebem, para evitar pensar mais no assunto. O conselho era sábio, mas eu não o seguia! Tudo o que tinha tempo, eu esperava por ele! Fazia aquilo de que tinha urgência e os avisos de pagamento não integravam a lista.

 

Continuavam a bater à janela, mas o prédio tinha entrado em obras de restauro da fachada traseira e todos os ruídos eram entendidos nesse âmbito! Primeiro que percebesse que podia não ser isso!

 

A realidade continuava a insistir comigo... Demorou muito tempo! Só pus essa hipótese quando a obra terminou e começaram a desmontar os andaimes! Já não tinha, visivelmente, ninguém à janela e continuava a ouvir o bater de uma mão no vidro da janela do quarto. Ainda assim, continuei sem reagir, pensando que, se fosse mesmo a realidade, ela se tinha enganado no andar! Enfim, havia a loja e sobreloja, a cave - 2 e - 3... Que garantia é que eu tinha que era mesmo no 5.Esq. o que se pretendia? Penso sempre que é engano, quando me batem à porta! Há a lavandaria, a Uber eats, a florista... Penso sempre que é engano! Há vezes em que nem sequer me levanto da cadeira da sala!

 

Mas a realidade insistia! Continuava a bater no vidro da janela e não chovia! Fui ver! Era mesmo ela e era mesmo para mim. Estava vestida de uma forma tão estranha, tinha um ar tão pesado no rosto, cruzou os braços de uma forma tão desprendida e uma postura corporal tão agressiva que a minha tranquilidade falou mais alto e por mim. Não abri a janela. Ainda hoje, e já se passaram alguns anos, pergunto a mim mesma, por mera curiosidade, o que pretendia ela! E não me arrependo de não lhe ter ligado nenhuma, porque estou plenamente convencida que não trazia nada de bom para me oferecer! Vinha roubar-me o sonho, beber-me a alegria de um só trago, levar a vida que há em mim...Tudo coisas que ela precisava e que a mim me faziam falta para continuar em paz! Fechei a persiana para silenciar o ruído e voltei para a sala! O jantar não tinha arrefecido porque o momento tinha sido breve. A conversa continuou no mesmo sentido, porque o interlocutor ali presente tinha uma calma que lhe permitia esperar sem perder o fio do raciocínio! Quando me sentei novamente à mesa não perguntou quem era! Continuou no pensamento a que tinha dado início momentos antes e retomou-o com esta serenidade: "Dizia então..."

 

E foi nesse dia que percebi, agora lembrei-me da canção, que à realidade temos de lhe pôr um travão. Primeiro que tudo, pedir-lhe que se apresente, depois que nos diga claramente o que quer e, finalmente, que nos respeite. Ter sempre presente que se pode ter enganado e não ser a nós que queira! Na grande parte das vezes, ela não o faz com um propósito. Reconheço-lhe, e não é dizer mal, sérias dificuldades no poder de orientação! GPS, nunca ouviu falar, o percurso é sempre novo, o destino fica com frequência a léguas de distância, acaba por ser normal que se perca! 

 

Até aqui, tudo bem, parece simples e inconsequente! O problema só adquire sérios contornos disso quando nós nos enganamos a respeito dela e aqui a responsabilidade já começa a ser nossa! "Então não vias logo... ? " Não, só depois! Quando ela se despiu é que eu reparei que não tinha umbigo! Fiz de conta, não mostrei surpresa e inventei, nesse momento, que estavam a bater à porta e que tinha de ir abrir. Ela, que gostava de liberdade mais que do ar que ali se respirava, aproveitou a deixa para sair!

 

Quando, pela segunda vez, regressei à sala a conversa retomou, novamente, o ponto exacto em que tinha ficado: "Dizia eu..."

 

 

Cristina Pizarro 

 

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