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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Out21

Crónicas de assim dizer

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Nem sim nem não

 

 

O melhor é não dizer nada! A memória é a esperança do passado e eu não me lembro de nada! Se fui, se estive, se disse, se fiz!

 

Quando assim é, andarmos ali a circunstanciar, de nada serve. Justificarmos motivos que provavelmente estiveram ausentes ou, se presentes, sem a consciência deles! É tudo muito vago quando as coisas estão distantes. Foi numa outra vida, sei lá se estive! Mas tu lembras-te. Sabes coisas de mim que eu não sei! E contas que eu estava lá e eu tenho pena de não ter estado, porque se tivesse estado lembrava-me e eu não me lembro de nada! Mas, ao mesmo tempo, sei que o que dizes é verdade. É tudo verdade, menos a parte do eu estar! E isso assusta-me, porque me traz a consciência de andarmos nesta vida muito distraídos. Com dupla atenção a coisas que não têm interesse nenhum, que não são nem foram nossas, que nos não pertencem e que nunca fizeram parte de nós. Parece-nos apenas, quando estamos perto delas, que estão ali mesmo ao pé de nós. E, se calhar, não estão. É uma sombra apenas, uma coisa física que resulta da luz a incidir nos corpos. Uma projecção! Se a quisermos agarrar, as nossas mãos não encontram nada. É menos que areia.

 

Mas tu lembras-te! E os sítios estão lá e eu estava lá. Emprestei-te a toalha para te secares quando saíste do rio… faz sentido! Continuo sem me lembrar, mas tenho a certeza que era eu. Não tanto como tu, porque tu lembras-te e eu não!

 

Onde está hoje essa pessoa que viste, com quem falaste? A da toalha? Pois não te sei dizer! E, como o silêncio é a melhor forma de resolver não-entendidos, sorrio só. Mas o teu olhar pede-me que fale!

 

Não sei o que dizer. Passaram-se várias vidas, várias décadas, perdeu-se a conta aos anos e eu a memória. E gostava de me lembrar do rio, do dia de sol, da cor da toalha, da vida que então havia em mim, do que nessa altura me habitava, das coisas que se emaranharam umas nas outras e fizeram com que algumas se perdessem. E aí é que está! Não foram essas, se calhar, as mais pequenas ou as menos importantes, foram, talvez, as mais hábeis, que contornaram todos os obstáculos, por serem de sua natureza simples e é dessas que eu hoje sinto saudades, porque há uma beleza infinita na simplicidade das coisas.

 

Continuo sem saber o que dizer! Tu continuas a dizer e reforças… embora tu não te lembres… e eu sinto uma agulha a espetar-me que é a incapacidade de ir buscar na parte ausente da memória uma coisa, como se ela lá estivesse esquecida e eu a pudesse trazer de volta, resgatar! Talvez um dia a consiga encontrar… Dizem que quando a gente quer com muita força…

 

Até lá estou aqui, com a veia do ficar a latejar, presente! 

 

Espera! Havia umas árvores muito grandes não era, amieiros, freixos, choupos talvez, do lado de cá do rio. O sol raiava, nesse dia, por entre as folhas e projectava uma espécie de sombra de árvores que se reflectia na tua face estendida a secar sobre uma toalha… que alguém te tinha emprestado… acho eu! Não, lembro-me perfeitamente…

 

 

Cristina Pizarro

 

 

 

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