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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Crónicas de Assim Dizer - A brincadeira

13.06.18 | Fer.Ribeiro

assim dizer

 

A brincadeira

 

As pessoas não sabem o que querem! Se têm o como querem o quando, se têm o quando querem o como!

 

Há, certamente, entre uma e outra, várias coisas. Se têm essas, as pessoas querem as outras!

 

E o brinquedo brinca nas mãos da criança, enquanto o não partir ela não descansa. Sabe que essa é uma das formas de ter outro, o como e o quando, aqui, já não interessam!

 

Há outras formas, a criança quer essa!

 

Podia, por exemplo, brincar com o mesmo, mas de outra maneira! A criança não tem paciência e escolhe fazer a asneira!

 

É mais fácil parti-lo, desfazê-lo, trucidá-lo, dizer que já não tem graça. A mão, por demasiado próxima que está e ter o brinquedo à mão, vê nisso um sinal evolutivo, de crescimento, de diferenciação e deixa o brinquedo cair ao chão.

 

Quando a criança ergue os olhos para o vazio, logo o preenche com uma coisa sem sentido, mas que, por ser nova e fora de hora, a entretém e a faz esquecer, por momentos, o que não tem.

 

Passa o brinquedo de uma mão para a outra, o novo, e quando descobre que é o mesmo, pouco tempo depois, põe-lhe termo.

 

Mesmo que não seja o mesmo, a criança não se apercebe em que é que este é diferente, porque a mesma forma que tem de brincar com ele, faz com que o diferente pareça igual e diz que está farta, que lhe é insuportável e que quer qualquer coisa a que ache, novamente, graça e que seja inigualável!

 

Quando vê os seus brinquedos noutras mãos, a criança não os reconhece como tendo sido seus e quer os mesmos, só porque agora já os não tem!

 

E nunca, neste tempo todo, nem por um segundo, a criança pensa que a única coisa que é sempre a mesma é ela, é disso que se cansa, é disso que está farta, não do brinquedo que agora descansa e que já se não parte, porque do chão não se passa!

 

Cristina Pizarro