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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Mai18

Crónicas de Assim Dizer - Compota de frutos silvestres

assim dizer

 

Compota de frutos silvestres

 

Descasquei os frutos. Penso que descasquei os frutos! De alguns consegui, de outros não! Cortei-os aos quadradinhos, nem grandes nem pequenos, do tamanho que me pareceu ser o certo, mas alguns ficaram demasiado grandes e outros ridiculamente pequenos! Fui buscar o tamanho ao que me pareceu ser o meu equilíbrio ou ao meu desequilíbrio.

 

Antes disso, passei-os por água, tentando precaver, evitar ou minimizar a eventual contaminação externa para que a compota durasse mais, para que se conservasse melhor. Escaldei também o frasco, tentando expulsar os vestígios de ar que nele houvesse, é sabido que o oxigénio e a humidade favorecem a proliferação de fungos. Só eu é que sabia isto, de forma que os motivos foram considerados desnecessários, excessivos, pouco razoáveis e sem qualquer conteúdo, como um mar de ondas com movimentos de vai vem, puramente escusados, dispensáveis e sem qualquer lógica racional.

 

Houve uma intenção inicial, mas sem propósito e isto pode ser um despropósito para quem tem uma lógica diferente. A lógica é sempre diferente.

 

Ficou por esclarecer se a fruta que escolhi era verde ou madura, adequada ou não ao que eu pretendia com ela fazer. Mas o que eu pretendia ou não fazer com ela não tinha nem a forma consciente nem a lucidez bastante!

 

O presente costuma ser assim! Não há muitos critérios de início, se os há não foram devidamente definidos, se foram não tinham o conteúdo suficiente para que durasse no tempo, se sobrepusesse a ele ou o vencesse.

 

Das poucas dúvidas com que não fiquei, predomina a de que o pior erro é sempre a forma que queremos dar às coisas ou que acreditamos que elas possam adquirir, quando elas já têm uma.

 

Estados físicos da matéria! Qual é o único que se adapta, que adopta a forma do recipiente em que o colocamos? O líquido! Mas, nesta fase da vida andamos, sem dúvida tardiamente, à procura de formas sólidas e forçamos essas que escolhemos e a quem demos preferência, a caber em recipientes formatados, invólucros determinados cuja rigidez das paredes não dilata, não cede a pressões, não tem nem flexibilidade nem elasticidade.

 

Queremos, nem mais nem menos, o impossível!

 

De início aguardei, primeiro sem calma nenhuma, depois com uma paciência infinita, que o calor fornecido à água e ao açucar adicionado, chegasse ao chamado ponto de rebuçado, com muito cuidado para não atingir o ponto de caramelo, mas o telenone tocou, era urgente! No ponto em que estávamos não podiamos nem voltar ao início nem apagar o fogo. Deixámos estar, mexendo com a colher de pau e imprimindo-lhe movimentos cada vez mais rápidos para que não se pegasse ao tacho e não deixasse depois aquele sabor a “bispo” (não faço a minima ideia de onde o termo vem e que relação existe com a categoria religiosa) com cheiro desagradável!

 

Com esta mania de dar nome às coisas, ia estragando a compota!

 

Guardo hoje, dentro de um frasco, um produto de fabrico próprio, a que não sei dar nome, classificar ou por um rótulo. É agridoce! O agri provem porventura dos restos de casca que não consegui tirar completamente aos frutos e o doce, do que tentei adicionar com carinho, mas que em muitas vezes funcionou, sem querer ou intenção consciente, como uma subtracção ao que resultaria se não tivesse querido adicionar nada.

 

São assim as coisas e contra elas nada. O que chateia, às vezes, é o querermos acreditar naquilo que é visto aos olhos de toda a gente como um exagero quando a nós, a única coisa que nos pareceu, foi o mínimo necessário!

 

Temos de ser razoáveis, se no dia seguinte ao pequeno almoço quando provarmos o doce, o sabor nos não for agradável, temos o pão com manteiga. Esta história das tostas com compota ao começar o dia é uma invenção dos tempos modernos, hábitos de hotel com poucas estrelas! Quanto à fruta transformada, é a mesma coisa, uma a somar à outra. Fruta fresca, conforme sai da árvore, com casca ou sem ela, dependendo da sua natureza, pão de mistura cozido em forno de lenha e leite do dia, são muito mais saudáveis! Por amor de Deus, haverá alguém que não concorde com isto? Cabe neste conceito achar que falhámos?! Talvez num único aspecto: não ter reparado nisto desde o ínicio. Poupávamos tempo e trabalho, mas não sei se tinhamos chegado à mesma conclusão!

 

Eu também sou assim! Somos todos assim, a diferença está talvez, não tenho disto qualquer certeza, é que alguns de nós acham-se com todo o direito a este luxo e eu não consigo perceber porquê!

 

Cristina Pizarro

 

 

 

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