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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Crónicas estrambólicas - Aluado

28.07.15 | Fer.Ribeiro

estrambolicas

 

Aluado

Foi há 46 anos que os gajos foram à Lua. Pus-me a pensar nos malucos que se dão a esses trabalhos, nos putos e adultos que sonham em ser astronautas ou em outras merdas que a mim não me passam pela cabeça, como piloto de aviões. Nunca na vida quis ser piloto de aviões porque aquilo é uma seca. Um gajo tem que descolar, ser muito picuinhas e cuidadoso ao levantar, depois liga-se o piloto automático e apanha-se secas de horas infinitas a olhar para as nuvens, a seguir volta-se a ser muito picuinhas, seguindo instruções muito rigorosas, e aterra-se a máquina. Qual é a piada dessa merda? Muito mais interessante é conduzir, porque num carro um gajo aprecia a paisagem, pode fumar, ouvir rádio, falar ao telefone ou com os passageiros, ultrapassar, fazer uns despiques, derrapar numas curvas, passar num vermelho se não vem ninguém, galar as gajas nas paragens de trânsito, estacionar em dupla fila, etc. Ser taxista é muito mais interessante do que piloto. Astronauta é que é do pior que há, é mesmo de malucos, de gajos completamente tarados. Como é que alguém se submete a 3 ou 4 anos de treino super-rigoroso para ir tentar (nem todos chegam ao ponto de participar em missões) pôr um pé na Lua durante 2 horas? A mim não me convenciam a ir. Imaginando que por circunstâncias muito especiais não havia mais ninguém e que eles me vinham implorar para eu ir, dizendo que eu que é que tinha as características certas, gajo de tomates e que ia dominar a nave na perfeição, que eu é que tinha mesmo que ir, que não havia outro como eu, e pronto, eu lá lhes fazia o jeito e ia contrariado, acho que o filme seria mais ou menos o seguinte. Durante os 3 ou 4 anos de treino iria apanhar altas secas com os totós colegas e não conseguiria andar certinho, teria que beber umas cervejas à escapula e aparecer ressacado nas manhãs de treinos e aprendizagem. Mas como eu era o tal especial, os gajos teriam que me aturar essas merdas. Em chegado o dia, lá me metiam no foguetão onde eu iria apanhar alta seca de duas semanas, ou mais, numa viagem em que um gajo está fechado num cubículo, pior do que uma prisão, a aturar os mesmos totós, noite e dia, a ter que ser muito picuinhas a conduzir a nave, a não poder ir ao café, a não poder dormir numa cama, a comer sandes (ou pastas ou lá o que é), a cagar e a mijar para a fralda (ou lá o que é), a perder os episódios da novela, sujeito a que aquela merda explodisse, etc.

Lua - Quarto Crescente

Acho que chegaria à Lua num estado de nervos do caralho, porque se eu detesto fazer viagens longas de camioneta, esta, que seria muito pior, acabaria comigo. Finalmente, chegávamos à Lua, mas como eu tinha sido o escolhido para ser o primeiro gajo a pôr as patas na Lua, abria a porta, descia as escadas, mas não sei se me iria lembrar da frase que os gajos me teriam ditado, uma coisa para ficar bonita, do estilo "That's one small step for a man, one giant leap for mankind (um pequeno passo para mim, um passo gigante para a Humanidade)". De certeza que eu iria aproveitar esse momento para me vingar das secas todas. A Humanidade toda à espera que eu dissesse alguma paneleirice mas o que eu iria dizer seria algo do estilo "Foda-se, chegamos, caralho, tanta merda para isto, pá, não há cá nada, é tudo cinzento, podemos ir já embora. Nem gajas, nem restaurantes para um gajo matar a fome, nem sequer um McDonaldezeco, aqui não há nada que preste, vamos mas é bazar, puta que pariu esta merda!". Os gajos da NASA passavam-se e o Buzz Aldrin vinha-me dizer para acalmar "Ó pá, tem calma, vamos só pôr a bandeira e apanhar umas pedras, tem calma que já vamos!" e eu a responder-lhe "Tá bem, vamos lá acabar com essas merdas mas pára com esses saltinhos paneleiros que já me estás a irritar, caralho, vamos lá despachar isto!". Lá acabávamos com as tretas, metíamo-nos na nave e voltávamos, enquanto eu desesperava com mais uma semana a pão e água, a ter que gramar sandes já mais que ressequidas. Mas de certeza que eu não iria aterrar a nave no Pacífico, nem pensar, no cu é que eu aterrava no Pacífico, no caralho é que aterrava lá! Como eu é que era o maioral, o que eu faria era aterrar a nave na barragem dos Pisões para ir poder comer, logo a correr, um bom cozido à barrosão, ali no Sol e Chuva. Não, estas paneleirices de astronautagens não são para mim, não vejo o interesse da coisa. É como aqueles malucos que só para se poderem gabar que chegaram ao Pólo Norte, sujeitam-se a ficar sem dedos e a gramar condições do piorio. Se lhes perguntarem se para chegarem ao Pólo Norte se sujeitavam a serem enrabados ao chegar lá, de certeza que eles aceitavam, porque tanto lhes faz ficar sem dedos como serrem enrabados, o que eles querem é gabarolice, são uns peneirentos. Se eu quisesse também ia lá ao PN, tenho bom cabedal e nem sou friorento, ainda no Natal estive na fogueira de Natal ao ar livre, só de camisa e de mangas arregaçadas. Só que não me apetece, não vejo qual é o interesse, nem de helicóptero lá punha os pés. Que se foda.

 

Luís de Boticas