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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Crónicas Estrambólicas - Champanhe e Rojões

18.01.17 | Fer.Ribeiro

estrambolicas

 

Champanhe e Rojões

 


Já ouviu dizer que os rojões do soventre só acompanham bem um bom champanhe? Não? Eu também não mas apetece-me pensar que sim, que seria um hábito que ajudaria a dar estatuto a uma iguaria que é incrivelmente boa.

 

Porque não começar com a tradição?

 

Vêm-me estas ideias à cabeça porque estamos na altura das feiras dos fumeiros. Sempre achei que essas feiras deveriam tentar atrair clientela da alta classe, endinheirada. Uma feira dirigida só para o povo, que aparece na feira de boina e a tocar concertina, parece-me uma feira com pouca ambição. Claro que o povo é essencial para se fazerem as feiras, mas nos dias que correm, com as modas da gastronomia gourmet, dos wine bars e dos tapas bars, frequentados pelas classes média e alta das grandes cidades, é uma asneira não tentar atrair esse tipo de clientes com muito poder de compra e influência nas modas. Uma apresentação mais cuidada, com boa música (uma boa orquestra ou um bom grupo de música tradicional), uma zona VIP, ou outras coisas no género, iriam aumentar o interesse pelas feiras dos fumeiros e por outro tipo de freguesia. Também me parece que os anúncios publicitários deveriam ser mais variados, até porque a imagem do aldeão e do porco está sempre a ser repetida e é redutora.

 

Sugiro exemplos de anúncios publicitários que julgo poderem vir a ajudar bastante o afamar dos fumeiros da nossa região.

 

1- [A ser filmado no Palace de Vidago, por exemplo] Entra o chefe Rui Paula (o do Masterchef) a alombar com um cesto enorme de rachas de carvalho para a lareira. Depois vê-se o chefe a mexer os rojões que rojem dentro dum pote ao lume duma lareira imponente. À mesa, um cliente, um senhor muito bem vestido, com classe (Pode ser o Maestro Vitorino de Almeida, por exemplo) recebe os rojões, dá uma trinca, apanha um copo e diz “Estes fabulosos rojões do soventre, de Barroso, só mesmo com um esplêndido Moët et Chandon!”.

 

2 - [Tentar usar o truque simples e eficaz da Ferrero Rocher] Aparece uma senhora muito chique, dentro dum rolls royce, a dizer ao condutor "Ambrósio, apetecia-me tomar algo... Salgado!". O condutor responde "Tomei a liberdade de pensar nisso, senhora" e carrega num botão que faz abrir uma prateleira, no banco traseiro do rolls, onde aparece uma alheira grelhada, ainda a fumegar, em cima duma fatia de pão centeio (Vocês não sabiam que os rolls já têm grelhas que cozinham alheiras ao toque dum botão?). A senhora exclama “Que maravilhosa alheira de Boticas! Obrigado, Ambrósio!”, ao que o Ambrósio replica “Senhora, uma sopinha de feijão no pote para assentar? Também se arranja!" e pisca o olho malandro aos espectadores.

 

3 - [Filmado em NY] Um personagem ao estilo dos grandes chefes de negócios da bolsa de NY (na onda do chefe mau do filme Wall Street), com um daqueles fatos de 10 mil euros, aspira fortemente 4 ou 5 linhas de coca sobre uma mesa, beija uma loiraça em topless e dá um berro ao criado "Traz-me o meu antepasto e uma garrafa de Château Lafite de 59!". Aparece o criado com a garrafa e uma pratada de salpicão, presunto e pão centeio. O chefão dá umas trincas e diz qualquer coisa do estilo "I love the antipasto from Barroso, the best around the world! Greed is good, get’s you the best grease!".


Já se sabe que os lesvoetas ao verem isto mandavam-se por aí acima como flechas. Com um bocado de jeito e paciência ainda transformamos os rojões no caviar do Séc. XXI.

 

Luís de Boticas

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