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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Crónicas Estrambólicas - Desordenamento do Território

16.02.16 | Fer.Ribeiro

estrambolicas

 

Desordenamento do Território

 

Acho interessantes alguns dos factos que revelam o desordenamento do território português. Nalgumas coisas, o desenvolvimento dum país pode ver-se por coisas simples do dia-a-dia. Se chegamos a um país e vemos carros a cair de podres e trânsito caótico, percebemos logo que o país não funciona. Há outras coisas que não estão à vista, como as diferenças enormes que há entre as autarquias portuguesas.

 

Se formos ver como é que a população está distribuída pelas autarquias, ficamos a saber que Lisboa é o concelho com mais população, cerca de 550.000 pessoas, e que o Corvo é o concelho com menos gente, com apenas 430 pessoas, ou seja, tem cerca de mil vezes menos pessoas do que Lisboa, ou algumas centenas de vezes menos do que em certas freguesias, como a freguesia de Algueirão-Mem Martins com 62.557 habitantes. Mas não é só o Corvo que é pequeno, há vários concelhos com apenas mil, duas mil ou três mil pessoas. Há 37 concelhos com menos de 5.000 pessoas e 114 concelhos com menos de 10.000 habitantes. Aliás, o concelho de Lisboa tem tantos habitantes como os 100 concelhos menos populosos do país.

 

Não percebo porque é que em concelhos pequenos temos que ter estruturas pesadas, com presidentes de câmara e vários vereadores, mais os telefonistas e os motoristas e o resto da malta toda atrás, para tomar conta de mil pessoas! Parece-me escandaloso e é um indicador de que os desperdícios começam logo no nível mais baixo da estrutura, é um mau exemplo e mostra que quem está mais acima não está a fazer bom trabalho.

 

Claro que há pessoas que acham que os concelhos pequenos devem ser mantidos, porque é uma maneira de empregar pessoas e tentar manter gente no interior. Eu também acho que o interior deve ser ajudado, mas não é desta maneira. Este tipo de concelhos pequenos gasta cerca de 2000 euros per capita por ano, alguns gastam mesmo 4000. Há concelhos com 5000 habitantes a gastar 10 ou 15 milhões por ano, que é dinheiro que tem que se ir buscar à população através dos impostos (só metade da população é que trabalha e desconta para o IRS, por isso serão mais de 2000 euros por pessoa...). Se me perguntassem a mim, se preferia pagar 3000 euros de impostos por ano para ter uma câmara a tratar de 2000 habitantes ou se preferia pagar apenas 500 e ser governado pelo presidente da câmara ao lado que tem outras 4000 almas para dirigir, eu preferia ficar com o dinheiro no bolso para comprar mais umas vacas ou ir de férias para Cuba (na vez do presidente da câmara e dos amigos!). Parece-me que pelo menos uns 100 concelhos podiam desaparecer facilmente do mapa autárquico.

 

Pouparíamos uns mil milhões por ano e ainda tínhamos a vantagem de ter esses presidentes todos, mais os vereadores, fora do sistema burocrático (normalmente são gente dinâmica e empreendedora que estão ali desaproveitados) a formar empresas e a fazer crescer a economia. Porque nós bem sabemos que eles antes de irem para as câmaras eram pessoas empreendedoras, cheias de dinheiro, que até se sacrificam a ir ganhar menos só para nos ir ajudar. Eles iam à vida deles de empreendedores e nós com o dinheiro que sobrava íamos para Cuba passar férias à grande. Parece-me um bom negócio. Além de que não custava nada mudar esta divisão em concelhos do nosso país que foi feita já no longínquo ano de 1836...

 

Luís de Boticas