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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Crónicas estrambólicas - Latinos pisces

29.09.15 | Fer.Ribeiro

estrambolicas

 

Latinos pisces

 

Há uns dias, em férias e longe de Chaves, fui a um Ecomarché comprar peixe. Reparei que as tabuletas que identificam os peixes com os nomes e os preços tinham também os nomes científicos dos peixes, em latim, a indicar as espécies. Não percebi qual a utilidade do latim, imagino que seja para evitar confusões entre potas e polvos (para além de haver mais de 10 tipos diferentes de potas e haver mais polvos do que o Octupus vulgaris...) ou entre palocos e bacalhaus (há vários bacalhaus para além do nosso do Atlântico, o Gadus morhua), não sei. Achei piada quando percebi que as rigorosas definições científicas são uma merda para certos efeitos, como a culinária. No início pensei que poderia ser algum empregado a meter água ao escrever os nomes, mas depois vi que não, que os nomes populares dos peixes são, por vezes, mais sofisticados do que os eruditos nomes em latim. O carapau e o chicharro tinham o mesmo nome Trachurus trachurus, mas soube depois (ao ler depois em casa) que o carapau é um chicharro pequeno. Há outros casos assim, o safio e o congro têm o mesmo nome científico Conger conger porque o safio é um congro jovem. A verdade é que agora imagino alguém a pedir no talho Ovis aries e o talhante responder-lhe "Ó homem, mas você quer cordeiro, borrego, ou carneiro velho?!". As coisas que um parolo aprende nos armazéns onde as massas ignaras fazem compras e rezam loas ao deus do consumo.

 

Luís de Boticas