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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Crónicas estrambólicas - O Telefone do Fernando

07.08.15 | Fer.Ribeiro

estrambolicas

 

O Telefone do Fernando

 

Há uns dias telefonei ao Fernando Ribeiro, dono deste blogue, para lhe fazer uma pergunta. Atendeu e disse-me “Estás com sorte! Não costumo atender números privados mas desta vez até atendi!”. Eu nunca tenho o meu número como privado, calhou estar assim por ter andado a mexer no telemóvel. Não percebi bem a cena do Fernando com os telefones. Afinal atende ou não atende números privados? Será que se acha capaz de adivinhar que há números privados que são de confiança?! É estranho! Nunca entendi o problema das pessoas em atenderem números privados.

 

Até há uns 15 anos atrás todos os telefones fixos tocavam sem nos dizerem quem estava a ligar. Se antigamente se atendia na boa, pois não havia outro remédio senão levantar o auscultador e perguntar “Está lá? Quem fala?”, qual é o problema de agora atender um número privado? Porque se pode? Isto dos telefones nos alertarem para o chato que nos vai dar uma seca é uma vantagem, mas se há chato com um número privado, é assim tão difícil um gajo desmarcar-se, quando está a usar um aparelho que “pode ficar” sem bateria ou sem rede?! Se é uma conversa em pessoa, os chatos podem agarrar-nos por um braço, mas ao telefone é fácil dizer qualquer coisa do estilo:

 

"1. Olha que estou a ficar sem bateria (se o gajo se estica mais 1 minuto, um gajo fica mesmo).

2. Olha que estou a ficar sem rede (e fica mesmo)

3. Olha que estou praticamente sem bateria e estou a ir para um sítio sem rede (para os gajos muito chatos).

4. Olha que estou a acabar de confitar um cabrito e ainda tenho que reduzir um molho, para além de estar a ficar sem bateria e a cozinha estar a passar por uma zona sem rede (Esta aplica-se a gajas muito chatas e burrinhas mas boas como o milho, um gajo está interessado mas não é em conversa).”

 

Essa mania de não atender números privados parece-me mais uma tara de alguém que quer mostrar que é tão bom que nem se pode dar ao trabalho de dizer que está a ficar sem bateria. Por outro lado, há outras pessoas que nunca dão o número de telefone a alguém, pelo menos é o que dizem. Só dão o número a determinadas pessoas e essas estão proibidas de o divulgar. Mais uma vez, parece-me tara. Antigamente toda a gente tinha o nome e número escarrapachado na lista telefónica, que é para isso que elas existem, para as pessoas irem procurar o número de alguém a quem querem falar.

 

Isto de ter número semi-secreto é coisa de crianças a brincar ao presidente da Casa Branca ou ao FBI. Também querem ter um número secreto que só os agentes especiais (os amigos, nem todos...) é que podem saber o tal número, o mesmo número que a seguir vão ter que dar a alguém que lhes vai a casa reparar o cano da sanita.

 

Com gente desta no mundo, isto dos telefonemas é uma confusão. Os gajos que não dão o número a ninguém, suponho que telefonem às outras pessoas com o número privado. Se ligam para o Fernando, este não atende gajos com manias porque tem as manias dele. Se ligam para o Fernando porque ele é amigo e tem o número, têm que andar a tirar a privacidade senão ele não atende. Se ligam para um parolo que atende a todos mas não querem que o parolo saiba o número, têm que mudar para privado. Por último, imagino que haja aquela classe de pessoas que tenham o seu número privado e que só atendem números privados porque sabem que os amigos com classe só têm números privados. Será?! Que confusão!

 

Luís de Boticas

 

 

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