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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Ago18

De regresso à cidade, com uma estória

1600-(46858)

 

Hoje fazemos o regresso à cidade com passagem pela Travessa do Município que inicia no Largo do Município, ou seja, nas traseiras do edifício da Câmara Municipal onde estão os pastéis de Chaves da Maria e a fruta da Amélia. Inicia lá e termina na Rua do Bispo Idácio, sendo atravessada a meio pela Rua Direita. A foto é do segundo troço desta travessa, a parte que vai desde a Rua Direita até à rua do bispo que os mais antigos também conhecem por Rua da Cadeia, por aí ter existido a cadeia e depois o posto da polícia. Da cadeia já não me lembro, da polícia, sim, recordo bem e ainda me lembro da primeira vez, e única, que lá entrei, pois desse dia guardo e recordo uma estória caricata rematada por uns lambefes do meu pai, tudo por causa de um guarda-chuva. A estória começa á saída da escola primária do Caneiro, andaria eu na terceira classe, tinha oito anos de idade. À saída, era obrigatório ir beber umas goladas de água no chafariz que por lá existia. Encostei o guarda-chuva ao chafariz e fiz concha com as mãos para receber e beber a água que ia caindo da torneira. Limpei a boca com as costas da mão e alá para casa, para a Casa Azul. Na altura não havia papás à nossa espera à saída da escola. As ida e regressos da escola eram por nossa conta. Era-nos permitido fazer o trajeto nas calmas e até com algumas paragens curtas, mas a partir de aí tudo era proibido, pois tínhamos de estar em casa a tempo e horas. Pois viria eu pelo Campo a Fonte quando me dei conta que me tinha esquecido do guarda-chuva. Aparecer em casa sem ele, nem pensar, dava direito a sermão, missa cantada e uns lambefes bem dados. Toca a ir para trás à procura do guarda-chuva. Pelo caminho fui perguntando aos colegas mais atrasados se o tinham visto – que não!, disseram-me os primeiros, mas lá por alturas do portão do Jardim Público um colega disse-me que o Marinheiro o tinha levado. Onde está? para onde foi? Onde é a casa dele? Codessais, disseram-me. Bota para os Codessais, pergunta aqui, pergunta ali até que cheguei a casa dele. O raio do Marinheiro tinha de viver mesmo no fim dos Codessais. Chegado lá, perguntei à mãe por ele. Que não estava, disse-me, mas um colega tinha passado por lá a avisar a mãe que ele tinha ido à polícia entregar um guarda-chuva que tinha encontrado. Obrigado, muito obrigado! Boas notícias. Bota para a Polícia, onde é, onde fica, até que lá cheguei. E sim, o guarda-chuva tinha sido lá entregue, mas que não mo podiam dar porque estava não sei aonde e o agende encarregue da coisa tinha saído. Tinha de esperar que voltasse. E esperei, não sei quanto, mas foi uma eternidade até que o dito cujo chegou, fez-me meia-dúzia de perguntas para atestar se o guarda-chuva era mesmo meu e lá acabou por entregar-mo. Carregado de felicidade pela grande aventura, já de noite, regresso a casa ansioso por contá-la aos meus pais. Chegado a casa, mal entro, recebo a primeira pergunta — Onde estiveste? Pergunta acompanhada de uma boa lambada. Sem tempo para responder vem a segunda pergunta —  o que andaste a fazer? Segunda lambada, e por aí fora. Quando depois de acabar de soluçar pude contar a minha estória, ainda levei outra lambada, esta, por estar a mentir. Mas não doeram, o que importava mesmo é que cheguei com o guarda-chuva a casa. Não sei porque, mas a coisa mexeu comigo, talvez por isso, ainda hoje continuo a deixar esquecidos os meus guarda-chuvas em todas as esquinas, mas nunca volto atrás para os recuperar…

 

Moral da estória!? Algumas, mas aos olhos de hoje difíceis de entender.

 

E com esta me bou!

 

P.S. – A foto é de arquivo, datada de 29 de outubro de 2016

 

 

 

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