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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Set14

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade

 

Ode à esplanada

 

Onde há sol e gente, há esplanadas. Onde há esplanadas, há também copos e garfos para se desfrutar dos prazeres da vida. É aí que o mundo se parece mais a um lenço, que tanto se desdobra para outros horizontes, como se amarrota dentro da mão.

 

Em Barcelona, e nas grandes e apertadas cidades, o encanto do “terraço” é mesmo a ousadia com que se aproxima do céu, oferecendo um pouco do que se avista lá de cima da condição humana. Do “terraço”, vêem-se muitos prédios “gaiola”, parabólicas e caos, mas também monumentos deslumbrantes, luz e muitas vezes a serenidade do mar...

 

Em Chaves, e nas pequenas e airosas cidades, os “terraços” estão de pés assentes na terra, e a atenção concentra-se no prato, pois se é verdade que os olhos também comem, mais verdade é que o estômago é que realmente enche de satisfação.

 

O prato em cima da mesa do “terraço” da grande Barcelona estará recheado de uma carne de origem desconhecida, comprada em promoção num hipermercado. Terá ainda tomates comprados em frutarias habituadas a vender em larga escala, aos quais se retiraram as etiquetas que ostentam nomes tão pomposos como artificiais, como tomates  “Marlene”. Terá, por isso, sabores pouco pronunciados, culpa de pesticidas ou outra presença alheia, mas já ninguém notará a diferença nem se questionará ao que realmente sabe um tomate. Terá receitas pouco trabalhadas, oriundas da era em que “não há tempo para nada” e em que existem soluções “num minuto” e “basta juntar” para ir “mais rápido” e “facilitar a vida”.

 

Barcelona, Agosto 2014 - Fotografia de Sandra Pereira

 

O prato em cima da mesa da “esplanada” da pequena Chaves estará certamente recheado de produtos que dão saúde. Terá carne de origem caseira ou da região, de animal com bom repasto desde a nascença. Terá ainda tomates cultivados em horta própria ou na do vizinho, de aspecto mais coitado, mas sem etiquetas e com o seu próprio sabor. Terá ainda receitas transmitidas de geração em geração que o paladar reclama quando não as saboreia há demasiado tempo, como se a sua sobrevivência dependesse delas.

 

É assim que o mundo de um emigrante transmontano se renova a cada Setembro, após ter feito um breve e satisfeito regresso aos sabores genuínos na esplanada da terrinha e na da família e amigos de sempre. Bem longe do “fogo de vista” dos “terraços”, deixou-se estar demoradamente vegetar na esplanada, pois, na nossa terra, não faltam montes para se aproximar do céu e, também, ver lá de cima a condição humana que povoa a veiga flaviense.

 

Sandra Pereira

 

 

P. S.: Embora tendo acompanhado os eventos à distância, pelos relatos dos media e testemunhos ouvidos, Chaves – com a segunda edição da Festa dos Povos Romanos a ganhar destaque e êxito graças a uma temática perfeitamente ajustada à sua história e património – e Boticas – com o FestInvale (Festival da Juventude) a pôr em palco bandas actuais e de renome no panorama musical português como Diabo na Cruz e Throes+The Shine – estão de parabéns. A qualidade na organização dos eventos é factor decisivo para o sucesso das mesmas e para o dinamismo que conferem às suas terras, podendo, seguramente, motivar a visita (cada vez mais espaçada) dos seus “filhos” espalhados por esse país e mundo fora.

 

 

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