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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

14
Mar14

Discursos Sobre a Cidade

 

Idolatria da Perfeição Humana.

 

“Também todas as energias mártires dispendidas  plo génio prà Grande Libertação inutilizam-se em depósitos de Imaginação santificadamente inútil  e crucificam-se involuntariamente desmemoriados da Idolatria da Perfeição Humana. Tentar divinizar o homem é o primeiro sintoma de Amnésia. O homem é o contraste do divino.”

 

José de Almada Negreiros, K4 o quadrado azul. (1917)

 

Há uma década, a mando do edil de Chaves, aprovou-se um documento com a designação “PLANO ESTRATÉGICO DE DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO DE CHAVES - CHAVES 2015”.

 

Logo na introdução se asseverava “O desígnio integrador e mobilizador deste documento estratégico, perspectivado no horizonte de 2015, é posicionar o Município de Chaves na trajectória do desenvolvimento sustentado como Território de Actividades Económicas, de Turismo e de Cooperação.”

 

Hoje está à vista de todos que o plano foi uma treta, que a estratégia estava bastante errada, que o documento foi uma perda de tempo e de dinheiro dos contribuintes. Vimos também que o bruxedo adivinhadeiro do documento foi, como sempre é qualquer bruxedo, um colossal embuste.

 

O concelho perde pessoas a olhos vistos, os idosos estão abandonados à sua sorte e nem os netos estão cá para os alegrar. Se estão doente vão para Vila Real, e se não tiverem dinheiro para o táxi ficam em casa a sofrer receando o pior. As empresas fecham e o parque industrial é um campo para medrar erva daninha. No centro histórico fecha o comércio e fazem-se fundações faraónicas para imitar as pirâmides do Egipto. As escolas fecharam e freguesias foram extintas.

 

 Este é o concelho de Chaves pós “PLANO ESTRATÉGICO DE DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO DE CHAVES - CHAVES 2015”.

 

O edil, não satisfeito, volta ao mesmo! Quer novamente distrair os flavienses e as instituições numa nova bruxaria premonitória do futuro. Aí está, para recolha de sugestões, o “PLANO ESTRATÉGICO DE DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO DE CHAVES - CHAVES 2020”. Mas, pasme-se, o edil que saiu e que agora se passou para Secretário dos concelhos do Alto Tâmega em comunidade, com as benesses ainda melhores que as de presidente da Câmara de Chaves (e sem as dívidas que acumulou por seu mando a Câmara) também quer a mesma receita de ruína para todo o Alto Tâmega. Já não bastava em Chaves! E aí está a pedir que colaborem no futuro embuste “PLANO ESTRATÉGICO DE DESENVOLVIMENTO DOS MUNICÍPIOS DO ALTO TÂMEGA – ALTO TÂMEGA 2020”.

 

Como já da última vez não me deixei enrolar, também não é desta que o vão conseguir.

 

A mim o antigo edil não me enovela! O documento é um plebiscito ao que já tem decidido fazer. Quer é agora prender-nos aos interesses de aplicação dos fundos comunitários que estão para chegar, quer é ver aplicado o dinheirinho no que convém ao seu grupo político, e aos que estão à sua volta. A história ensina-nos que esta democracia plebiscitária vem de Itália, onde teve apoio nos anos 30 e deu no que todos sabem.

 

E porque afirmo que já tem tudo decidido e que agora apenas quer é enrolar-nos na “palheta” do interesse geral da população?

 

Parece-me que se fosse mesmo uma consulta autêntica, já tinham anteriormente assumido publicamente que não têm uma única ideia para o desenvolvimento do concelho e do Alto Tâmega. Refiro-me, quer ao edil de cá, quer ao edil que se passou. E digo-o ainda porque o colossal falhanço do documento anterior não lhes trouxe a humildade que as circunstâncias recomendariam, pois voltam ao mesmo.

 

É pena não reconhecerem o esgotamento do modo de gestão despesista que levaram a efeito, baseado na recorrente estratégia de lançar dinheiro para a rua. Dinheiro invariavelmente perdido em empreendimentos sem retorno ou utilidade geral.

 

Mas então quais os verdadeiros motivos para o lançamento deste plebiscito?

 

Em primeiro lugar, trata-se de uma estratégia de ocultação da falência financeira a breve prazo da autarquia provocada pelo avolumar mensal das dívidas contraídas durante a gestão dos últimos 12 anos. Regularmente os “calotes” vão aparecendo, com a agravante de o maior, às Águas de Portugal, ainda nem estar a ser pago mas a vencer juros asfixiantes. Mais de 60 milhões de dívida (é mais que certo)!

 

Em segundo lugar este plebiscito permite a ocultação, à opinião pública local, dos documentos verdadeiramente importantes. Esses sim com poder regulador, com poder legal. Estou a referir-me mais concretamente ao PDM – Plano Director Municipal. A meu ver, o alvoroço plebiscitário em torno do “PLANO ESTRATÉGICO DE DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO DE CHAVES - CHAVES 2020”  foi posto a circular apenas para escamotear o debate em torno da revisão em curso do PDM, a qual está e decorrer com recatos que não se percebem.

 

Em conclusão, não é difícil perceber que a atual gestão de coligação PSD de António Cabeleira e MAI de João Neves está simular um debate virtual. Um debate como se tivesse meios para intervir, meios para investir no concelho, colocando os flavienses e as instituições a discutir onde se deverão aplicar e, claro está, sem efetivamente haver um tostão que já não esteja hipotecado aos vários credores da Câmara, à banca e aos compromissos de despesa a bater à porta, entre outros, com a Fundação Nadir Afonso.  

 

Francisco Melo

 

 

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