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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Jan19

Discursos Sobre a Cidade

SOUZA

 

A PROPÓSITO DO ÚLTIMO POEMA DO DIÁRIO DE MIGUEL TORGA

 

inicial.jpg

 

 

A 27 de agosto de 2012, dávamos início a um blogue da nossa autoria.

 

No texto de abertura, escrevíamos:

 

Este é o blog da minha dissidência.

Das minhas noites de insónia.

E também dos meus sonhos, utopias.

Das minhas vigílias e dos meus, muitos, ocasos.

Da minha revolta. Das minhas contestações.

Da minha raiva.

Mais das razões que brotam do coração que da razão.

Do desabafo. Tentando deitar cá para fora tudo quanto lhe vai na alma.

Irreverente.

Contestatário.

Transgressor.

Inconformado.

Falando desta vida estuporada e dos “estupores” que dela se aproveitam.

Enfim, de um desenraizado que, na procura das raízes que o prendem a este «terrunho», berra, ameaça, grita, gesticula.

Mas que, no fundo, não passa de um ser à procura de sentido para tudo isto.

Por isso, este é o blog dos meus confrontos”.

 

Foi, positivamente, uma noite de insónia que ditou a criação daquele blogue.

 

Pensando nas nossas utopias e, por via delas, nas nossas dissidências.

 

Nas nossas, muitas, revoltas, raivas, contestações e desabafos. Querendo ser irreverente, contestatário, inconformado, transgressor. Falando da vida estuporada e dos estupores – infelizmente tantos - que dela se aproveitam, em detrimento de todos nós - a imensa maioria.

 

E como tudo isto é tão verdade e está, todos os dias, tanto à nossa vista!...

 

Queríamos berrar, ameaçar, gesticular, gritar… para que uma nova alvorada para o terrunho que o acaso da vida destinou que aqui viéssemos a viver.

 

Contudo, cremos, o peso dos anos foi mais forte e traiu-nos.

 

Titubeámos quase sempre e, passados seis anos, outra coisa não fizemos senão o que sempre fomos – um cidadão atento ao uso da sua cidadania e um professor/docente-educador, preocupado com o destino das gerações vindouras.

 

Também a nossa participação nesta rubrica «Discursos sobre a cidade» seguiu os mesmos trilhos.

 

Inopinadamente, a 7 de janeiro de 2014, naquele blogue, damos connosco a transcrever os poemas de Miguel Torga, acompanhados, cada um, de uma foto, dos 16 volumes do seu «Diário».

 

Até hoje não entendemos porque enveredámos por esta via.

 

Talvez o coração tenha razões que a razão desconhece, tal como diz o ditado…

 

Adolfo Rocha, o nosso escritor maior, é um dos nossos. Transmontano. Do Douro. Das penedias do seu Reino Maravilhoso. Homem lúcido, crítico. Muito sofrido. Um pensador da Ibéria e sempre com o coração no seu Portugal.

 

A poesia de Adolfo Rocha, transubstanciado em Miguel Torga, é o traço de vida de um homem em luta consigo próprio e com a perenidade do ser humano.

 

Hoje, que deixámos há quatro dias o 2018 para trás, não resistimos a transcrever aqui o último poema do seu último «Diário».

 

Quanto a nós, e aos caminhos que nesta rubrica trilharemos, o futuro o dirá.

 

Não estamos, nestes dias iniciais de 2019, em nenhum ocaso, embora presenciemos a existência de muitos que todos os dias acontecem.

 

Talvez, por isso mesmo, este último poema do «Diário» de Torga, no qual o autor faz um sintético balanço da sua vida, seja um bom começo para refletirmos sobre os destinos que cada um quer dar a si próprio, à sua vida, à sua terra, a este país e a este Mundo, que caminha sem norte, lembrando-nos a imensidão dos sonhos que devemos ter, mas nunca esquecendo da enorme pequenez de que somos feitos.

 

A paz, a sã convivência, a justiça e a equidade da nossa vida em sociedade não pode estar dissociada da enorme pequenez que somos - uma pequena e minúscula gota de água na correnteza de um rio que se precipita no imenso mar da Humanidade de que todos nós fazemos parte.

 

REQUIEM POR MIM

 

Aproxima-se o fim.

E tenho pena de acabar assim,

Em vez de natureza consumada,

Ruína humana.

Inválido do corpo

E tolhido da alma.

Morto em todos os órgãos e sentidos.

Longo foi o caminho e desmedidos

Os sonhos que nele tive.

Mas ninguém vive

Contra as leis do destino.

E o destino não quis

Que eu me cumprisse como porfiei,

E caísse de pé, num desafio.

Rio feliz a ir de encontro ao mar

Desaguar,

E, em largo oceano, eternizar

O seu esplendor torrencial de rio.

 

Coimbra, 10 de Dezembro de 1993

 

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António de Souza e Silva

 

 

 

 

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