Discursos Sobre a Cidade - Por Isabel Seixas

Cemitérios vivos
Olá Pai
Enigmas do além
impedem-me de ajuizar
sobre as estações do ano e os apeadeiros
em que repousas dos silêncios
solitários do tempo etéreo
onde agora tu habitas…
Por cá, na vigília
dos sentidos, corre nas veias
lamúria como luto, após o enterro sucessivo
dos valores, de honestidade
e isenção, por quem padece, de poder
mentir, ao invés da verdade.
Há um futuro justo
Num local secreto cego
Onde deuses ateus conspiram contra todas as doutrinas
Sem o pudor do medo prisioneiro
arma letal e ditadura de ideias
túmulo da liberdade.
O amieiro
Não mudou a pele sazonal
Verdejante vive afrontamentos de menopausa
Sopros de calor, tiritar de frio, com chiliques
Sem folhas caídas sem tapete debotado,
outono , sem ser avisado…
Tua filha
Isabel


