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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Momentos com ou sem poesia...

31.05.17 | Fer.Ribeiro

1600-(29439)

 

No meu mundo as imagens pedem-me palavras que possam transmitir a sensação do momento em que as vivo, sem muitas palavras, apenas algumas, poucas, às vezes basta  mesmo só uma. É assim como uma espécie de um momento poético ou um poema em que o título diz tudo, mas que nós vestimos de versos como se houvesse a necessidade de taparmos a nudez  do poema. Os momentos hoje vividos também me pedem essas palavras. Poderia  muito bem ir bebê-las a um poeta “Não sei nunca o que me trazem as palavras, elas gostam tanto de me surpreender. Hoje ao levantar da névoa trouxeram-me a casa sobre o rio…” ou então desenhá-las sobre o rio, pendurá-las nos ramos das árvores, pô-las a escorregar pelos telhados abaixo ou misturá-las entre os passos das pessoas, assim ao jeito  Ana Hatherly , como ela tão bem fazia. Mas as minhas relações com a poesia sempre foram complicada e depois, como sempre, nela seria lido o que cada um quisesse ler e não o sentir de um momento que de tão íntimo se torna quase intransmissível. Assim, fica a liberdade para que cada um veja o que quiser e sinta o que lhe der na gana.

 

1600-(29440)

 

Palavras, palavras e mais palavras, apenas palavras que não se conjugam lá muito bem com os silêncios das melodias ou o estar só no meio da multidão, transparentes,  sem sequer sermos sombras, apenas momentos, muitos momentos que depois de isolados e congelados vamos saboreando no entender do momento,  sem palavras a atrapalhar ou a conduzir-nos, assim como se nos  desenhassem e quisessem impingir  uma circunferência quando nós preferimos o circulo ou até, e apenas, paradinhos num ponto qualquer  de uma reta por não nos apetecer outra coisa, como se fôssemos um catavento enferrujado por estar farto de virar ao sabor do vento.