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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

28
Abr18

Nogueirinhas - Chaves - Portugal

1600-nogueirinhas (40)

 

Ainda antes de conhecer as Nogueirinhas já despertavam em mim a curiosidade de as conhecer, primeiro porque o diminutivo dá sempre um ar de graça aos lugares, depois, porque na altura, quando se queria gozar com um chico esperto armado aos cágados, dizia-se ser formado na universidade das Nogueirinhas. Nunca percebi o porquê, mas sempre achei piada.

 

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Mas demorou alguns anos a satisfazer a minha curiosidade, pois segundo me diziam as Nogueirinhas ficavam ali por baixo de Curral de Vacas, lá para o monte, e embora não fosse longe, também não era perto, principalmente para quem, então, o único meio de transporte que possuía para além das pernas, era uma pequena motoreta de três velocidades, pouco vocacionada para a montanha. Só quando comprei o meu primeiro carro, um VW carocha em 2ª mão é que parti à descoberta das Nogueirinhas, esse sim, não tinha medo à montanha.

 

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Decorriam então os finais dos anos oitenta, e numa tarde de um fim de semana qualquer, lá fui eu à descoberta das Nogueirinhas, munido de minha Minolta analógica para uns poucos registos, pois na altura pensava-se pelo menos três vezes antes de tomar uma foto, pois a revelação e ampliação tinham de se pagar e o preço não era muito convidativo ao desperdício de fotografias. Mas lá fui eu. Diziam-me que o melhor caminho era via Stº Estêvão, mesmo assim um caminho estreito, em terra batida e de montanha, que para um VW carocha pouca diferença fazia, mas para um popó mais sensível talvez já era mais complicado.

 

1600-nogueirinhas (224)

 

Pois bem, chegado a Stº Estêvão perguntei por onde se ia para as Nogueirinhas e as surpresas começaram logo mal comecei a adentrar pelo caminho que me levaria ao destino. Agradáveis surpresas, pois nunca tinha visto paisagem assim com tanto penedio espalhado pela montanha a sobressair por entre algum mato rasteiro, parecia obra de artista, penedio que ia obrigando a que o caminho tivesse mais curvas que as necessárias ou que o relevo exigisse, mas também isso tornava o caminhar mais interessante. Num de repente acaba-se o penedio e inicia-se um pequeno oásis de terras cobertas de verde para logo de seguida se entrar numa pequena floresta que envolvia e escondia a aldeia das Nogueirinhas. Parámos na entrada, já se sentia a presença da aldeia, mas aquela tarde de verão convidava a parar à frescura da sombra, junto ao riacho onde os sussurros das pequenas quedas de água aumentavam a sensação de frescura, era assim como uma purificação para entrarmos na aldeia livres de qualquer pecado. Mesmo antes de entrarmos na aldeia, já podíamos voltar para trás, pois a pequena viagem já tinha valido a pena.

 

1600-nogueirinhas (144)

 

Mas entrámos na aldeia. Pequena e bem interessante. Tenho pena de ainda não ter conseguido encontrar os negativos das fotos que tomei então. Um dia destes lá chegarei, mas há uma foto de então, a única que ampliei para papel, uma tomada logo no início da aldeia com um palheiro e dois olmos secos. Penso que já na altura andava por aí a doença que vitimou mortalmente todos os olmos. Vimos então o que os nossos olhos viam na altura, o habitual nas nossas aldeias. Pena eu então pensar que elas continuariam como eram para todo o sempre e não ter feito alguns registos que hoje seriam preciosos, mesmo à distância de apenas trinta anos…. Fizemos o regresso com espírito de missão cumprida e ainda hoje recordo as agradáveis sensações então vividas, quer da viagem por entre penedios, do pequeno repouso à sombra com a frescura do riacho e da descoberta das Nogueirinhas.

 

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Hoje tudo é diferente. As Nogueirinhas perderam o seu bucolismo, romântico até, mas ganharam nos acessos, tudo graças à barragem das Nogueirinhas, batizada com o nome da aldeia. O caminho de terra batida diretamente a tapete, nem sequer passou pelo piche ou alcatrão, foi logo tapete, com menos curvas que permitem uma certa velocidade que faz parecer que o penedio seja menor, além da atenção que a estrada requer não permitir apreciá-lo como outrora se ia apreciando.

 

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Ganhou uma barragem que tem sido um ponto de interesse, é a nossa “grande“ barragem, a nossa barragem dos “pisões” que sim senhor, é bonita e proporciona lindas vistas, quer estejamos virados para ela ou de costas, pois desde o seu enrocamento também se continua a ver o verde das Nogueirinhas.

 

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Mas a aldeia hoje conta também com um santuário, o Santuário de Santa Luzia, é assim uma espécie de Portugal dos Pequeninos com miniaturas do Cristo Rei e de Nossa Senhora de Fátima em cima de uma rocha, com os três pastorinhos à volta e as ovelhas a pastar na erva. Razões mais que suficientes para uma visita, hoje com bons acessos e sem ter de voltar para trás, pois o circuito está feito com passagem e entrada via Stº Estêvão, aprecia primeiro o penedio, depois a aldeia e a seguir a barragem, com saída por Curral de Vacas, ou ao contrário, pela ordem inversa de apreciação, tanto faz. Hoje as Nogueirinhas podem ser também uma aldeia de passagem para outros destinos, em alternativa aos existentes, refiro-me às aldeias que vão além de Curral de Vacas, como por exemplo Mairos, Paradela, S.Cornélio, etc…

 

 

 

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