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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O Barroso aqui tão perto...

29.01.17 | Fer.Ribeiro

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Como já bem sendo habitual, aos domingos, damos uma voltinha pelo Barroso, aqui tão perto. Hoje o nosso destino é a aldeia do Cortiço, da freguesia de Cervos,  ou seja, se a nossa também habitual partida for feita a partir de Chaves, é  primeira freguesia do Concelho de Montalegre se o abordarmos pela Estrada Nacional 103.

 

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Para quem gosta mais de abordar o Barroso via Soutelinho da Raia, também por aí se pode chegar ao Cortiço e com itinerário até bem mais interessante, havendo apenas a necessidade de ir com atenção às placas informativas  e tendo em conta que logo em Meixide terá de optar pelo desvio em direção a Pedrário, depois Sarraquinhos, Zebral e logo a seguir terá o Cortiço.

 

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Voltando à Nacional 103, se essa for a opção, não tem nada que enganar, pois chegando ao Barracão, abandona a EN 103, virando à direita.  Mas ficam as coordenadas do local: 41º 46’ 21.00” N  7º 42’ 11.85” O; tal como  fica o também já habitual mapa do concelho de Montalegre com a indicação.

 

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Pois vamos então à aldeia do Cortiço que foi uma das aldeia que me trazia enganado. Esta coisa de andar à descoberta do Barroso já não é de hoje. Já há uns anos que quando tinha um dia livre, às vezes, aproveitava-o para ir por lá à caça de algumas imagens e à descoberta de algumas aldeias. Nessa altura ainda sem o objetivo de as trazer aqui ao blog e portanto sem fazer um levantamento fotográfico mais completo de cada aldeia, ou seja, apenas fotografava aquilo que mais me chamava a atenção e nem sequer me preocupava com o entrar na intimidade das aldeias. Ia de passagem e passava,  ficando apenas com uma ideia breve da aldeia, e confesso, que essa ideia breve não era lá muito abonatória para o Cortiço, pois o que via de passagem, nas primeiras vezes nem sequer me motivou a fazer uma paragem.

 

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E foi com essa ideia breve das anteriores passagens que entrei de novo no Cortiço em dezembro passado, tendo feito a abordagem à aldeia via Sarraquinhos e Zebral tendo como primeira paragem a Senhora de Galegos/Senhora da Natividade e logo aí entendi que tinha o post da aldeia salvo, pois mesmo que na aldeia nada houvesse de interessante dava para compor o post em imagem só com as fotos da Senhora de Galegos, uma pérola no meio da montanha.

 

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Mas lá fomos até ao Cortiço e desta vez com intenção de parar e entrar na intimidade da aldeia. E mal comecei a entrar na sua intimidade comecei a dar-me conta de tão injusto que era o meu breve juízo feito da aldeia, pois o Cortiço é uma daquelas aldeias à qual se pode aplicar a máxima de “ as aparências enganam”, e hoje ao rever as fotografias para selecionar para este post, se dúvidas houvesse, confirmaram bem o tão enganado que eu andava.

 

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De facto a aldeia acabou por me surpreender, não só pelas suas ruas, ruelas e casario,  mas também pela simpatia das pessoas com que tivemos o privilégio de conversar, com tempo para ouvir as suas histórias mas também os seus lamentos, os também habituais lamentos dos resistentes destas aldeias a sofrer da maleita comum do despovoamento e envelhecimento da população, conformados com as partidas dos que partiram destas aldeias que esquecidas, acabaram por ficar despidas de futuro.

 

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E saí do Cortiço sem ver tudo, pelo menos um dos seus ex-libris turísticos – a ponte romana – mas como costumo dizer, convém deixar sempre qualquer coisinha por ver e abordar para nos fazer voltar, embora para ser sincero a razão não foi bem essa, pois aquela que prometia ser uma breve visita, acabou por ser demorada e estava na hora de consolar a barriguinha, para a qual já tínhamos hora e mesa marcada.

 

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Vamos a um pouco da história desta aldeia e daquilo que dela podemos contar. Pois como ex-libris aparece a tal ponte romana que não vimos, a referência a uma fonte antiga, talvez romana diziam-me,  que também não vimos porque a ignorância de alguém a demoliu, e por último o “Santuário” da Srª de Galegos/Srª da Natividade e a sua lenda. Lenda que eu já tinha referido no post de Cervos e que traria aqui quando abordasse de novo o tema, no entanto também ainda não vai ser hoje que fica por cá, pois referências à lenda há muitas, mas lenda nem vê-la escrita ou contada. Pode ser que um dia à procura de outra coisa a encontre ou alguém ma conte.

 

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Referências à Srª de Galegos, felizmente há algumas, embora todas bebam na mesma fonte. Deixo-vos uma delas, que encontrei na WEB  In geira.pt (ref. No final do post) – As fotos são nossas

 

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Senhora da Natividade; Senhora de Galegos

 

Capela; necrópole

Cronologia: Idade Média

Lugar : Senhora da Natividade; Senhora de Galegos 
Freguesia : Serraquinhos 
Concelho : Montalegre 
Código Administrativo : 170629 
Latitude : 535,3 
Longitude : 236,1 
Altitude : 975m 

 

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Acesso : Cerca de 1,4 km para Norte da aldeia de Cortiço. O acesso, não muito fácil, faz-se por um estradão de terra batida, em mau estado, a partir da aldeia de Cortiço. Esta é servida por estrada municipal alcatroada que liga directamente à EN 103. O monumento não está sinalizado. 


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Descrição arqueológica : Cerca de 30 metros para Norte da capela, mal visíveis entre o denso giestal que cobre o terreno, existem três sepulturas escavadas na rocha, antropomórficas, orientadas no sentido E-O sem grande precisão, com cabeça para poente, de acordo com os cânones cristãos. Nos terrenos a Norte e Oeste da capela encontram-se fragmentos de cerâmica comum, identificando-se ainda restos de construções com abundante pedra afeiçoada dispersa. Com base nestes indícios pode propor-se que aqui se localizaria a villa de Gallecos, referenciada nas Inquirições de Afonso III, então ainda pertencente à freguesia de Cervos, com cuja ocupação se deverão relacionar as sepulturas descritas, implantadas nas imediações da capela, e que poderão ser apenas parte de uma necrópole , tipologicamente datável dos séculos X-XIII. Nesta perspectiva poderá aceitar-se que a capela da Senhora da Natividade ou Senhora de Galegos date já dos séculos centrais da Idade Média, servindo nessa época, senão como igreja paroquial, pelo menos como templo local, interpretando aqui no Barroso o modelo de povoamento medieval que no Noroeste peninsular se designa por villa -ecclesia. O monumento apresenta-se razoavelmente conservado. 

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Interpretação : Capela e necrópole medievais. 

Interesse : Embora não possua um significativo valor patrimonial, o interesse deste monumento radica na sua grande importância para a compreensão da ocupação medieval na região do Barroso.

Bibliografia 

Autor : Luis Fontes 

Data Última Actualização : 04-FEV-1998

 

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Quanto a pessoas importantes da aldeia, menciono duas que são mencionadas no livro “Montalegre” de José Dias Baptista, que passo a citar:

“Há criaturas que pelas suas qualidades únicas servem de modelo aos comuns mortais e servem de título às diferentes páginas da História dos povos. Barroso também as tem. Dentre umas boas dezenas sobressaem os que aqui elencamos:

 

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(…)

José dos Santos Dias (séc. XVIII) nasceu em 26-XII-1778 no Cortiço, Cervos, como médico que era foi director clínico das Caldas do Gerês. Recebeu a medalha de prata da Instituição Vacínica. Em 1813 estudou um marco miliário, aparecido em Arcos, no jornal de Coimbra, marco que determinou a desligação histórica da via Prima ao trajecto proposto por Argote e a consequente situação da cidade pré-romana de Caladunum na freguesia de Cervos. Em 1836 escreveu o importante opúsculo “Ensaio Topográfico – Estatístico do Julgado de Montalegre” que é o resumo do manuscritos a “Memória ou descrição física e económica da vila e termo de Montalegre” e deixou inédita a “Memória sobre as Caldas do Gerez”. Morreu em 1846. Balbi teceu-lhe honroso elogio no seu “Essai Statistic,” tomo II.

 

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Padre José Adão dos Santos Álvares (séc. XIX) nasceu no Cortiço, filho do anterior, em 1814. Foi correspondente muito conceituado de vários jornais e revistas do Porto, Braga e Lisboa. Foi pároco de São Vicente da Chã, onde jaz, e arcipreste de Montalegre. Descreveu com realismo os últimos momentos de vida de José Fernandes, o Bagueiro, último condenado à morte em Barroso, que subiu ao cadafalso em 17 de Setembro de 1844.

 

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E que mais dizer sobre a aldeia do Cortiço, talvez mencionar aquilo que se faz por lá, que é o habitual nas aldeias do Barroso, que embora em terras altas, nesta aldeia a rondar os 900m de altitude, vão tendo um pouco de terra mais ou menos fértil,  hoje quase toda destinada a pastagens, o que não é mau de todo dada  a qualidade de carne que essas pastagens proporcionam.

 

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E vai sendo tudo com a certeza que regressaremos à aldeia do Cortiço. Para já ficamos por aqui, mas antes as referências àquilo que consultámos e também às anteriores abordagens aos lugares, aldeias e temas do Barroso.

 

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Bibliografia:

Livro Montalegre, de José Dias Baptista, Edição do Município de Montalegre, 2006

 

Sítios na WEB:

http://www.geira.pt/arqueo/html/sitio108.html

http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios.resultados&subsid=2921316&vt=2921315

 

Anteriores abordagens ao Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784