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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Jun16

O Barroso aqui tão perto... Amiar

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Barragem da Venda Nova e Serra do Gerês ao fundo vistas desde Amiar

 

Quando se fala no Barroso, a maioria das pessoas pensa logo em terra fria e agreste. É uma ideia que se foi fazendo do Barroso, talvez pelos nevões do inverno,  pelas altas serras despidas que se avistam ao longe, pelo que se escreve sobre o Barroso tal como acontece no romance  “Terra Fria” de Ferreira de Castro.

 

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Em parte essa ideia feita da terra fria e agreste é verdadeira no Alto Barroso, ou seja, entre a Vila de Montalegre e a Serra do Larouco, estendendo-se até à fronteiras com a Galiza e concelho de Chaves, e nas serras mais altas além dos 1000 metros de altitude.

 

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Mas a Sul da Vila de Montalegre a cantiga já é outra e hoje em dia o verde dos lameiros predomina. Disse hoje em dia porque  segundo o Sr. António, com 83 anos, um resistente de Amiar que fez as honras da casa, por esta altura do ano (maio, aquando da nossa visita) a terra era toda preta. Para quem não sabe o que isto quer dizer, era terra lavrada, cultivada, em tempo de sementeira.

 

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Sr. António, resistente de Amiar, 83 anos de idade

Mas isso era no tempo em que a terra era cultivada nos pequenos vales entre montanhas. À montanha subia o gado e, ainda segundo o Sr. António —“enquanto o gado pastava, eu e outros da minha igualha, íamo-nos entretendo a fazer uns buracos para retirar algum minério”, de estanho, daí o aviso de perigo  à entrada da aldeia, não vá um aventureiro  incauto cair ao buraco, pois até os mais prevenidos, como o Sr. António, aquando escavava os seus buracos fundos, uma vez pouco faltou para ficar num, não fosse outra gente da aldeia tê-lo salvo.

 

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Mas vamos até Amiar, curioso topónimo que desconhecemos a origem , pois nas pesquisas que fizemos sobre a aldeia, pouco ou nada encontrámos. Sabemos que se encontra a uma cota que ronda os 850m de altura, que pertence à freguesia de Salto, que é uma pequena aldeia como a grande maioria fortemente despovoada e envelhecida e que desde ela se avista a Barragem da Venda Nova, lá ao fundo, ficando para segundo plano lá no alto a Serra do Gerês.

 

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Quanto ao modo de vida dos resistentes, um pouco de agricultura, algum gado bovino onde prevalece a raça barrosã, quase sempre muito bem cuidada, daí a sua carne fazer sempre uma boa mesa. Nota-se que em tempo a aldeia se dedicava também ao cultivo do milho, a testemunha-lo os canastros , ou espigueiros se preferirem. Curiosamente também vimos algumas latadas de videiras que originou outra pergunta ao Sr. António, a de se por lá se fazia vinho? – Que sim, que se fazia mas não prestava, às vezes lá se misturavam as uvas com outras vindas da terra quente e aí sim, lá se ia fazendo vinho para a pipa e para a adega, que se adivinha seria um vinho “temperado”, pois uva da terra quente com uva da terra fria só poderia dar um vinho de média temperada…

 

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Outra das particularidades de Amiar, que se repete um pouco pelas aldeias da freguesia da Vila de Salto que já visitámos, é as construções tradicionais serem maioritariamente em xisto, ao contrário da maioria do restante Barroso do concelho de Montalegre. Tal como acontece noutros concelhos do interior, incluindo o de Chaves, construía-se com o que a terra, neste caso a pedra dava. Em terra de granito o granito era rei e senhor, em terra de xisto, o xisto também quase o era, pois nas ombreiras, padieiras, peitoris e soleiras das portas e janelas lá teria que se recorrer ao granito.

 

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Como todas as aldeias mais despovoadas, também em Amiar o que sobressai é a aldeia antiga, com poucas intervenções em casario novo  ou alterações ao antigo casario. Curiosamente uma das pouca intervenções que houve  (aparentemente não muito antiga., foi na capela da aldeia, e por sinal uma infeliz intervenção, pois o acrescento não lhe fica nada bem, sem gosto, com alumínios lacados e a torre sineira a meio do telhado. Compreende-se que talvez seja mais acolhedora no rigor do inverno, mas que merecia uma intervenção muito mais cuidada, lá isso merecia, e é de estranhar, pois a Igreja, neste aspeto de acrescentos e reconstruções, até costuma  ser exemplar, mas enfim, em Amiar talvez fosse uma exceção.

 

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E como sem ovos não se podem fazer omeletes,  também nós sobre Amiar e na ausência de documentação,  pouco mais temos a dizer. Valeu-nos o Sr. António que nos dispensou uns minutos preciosos para nos falar um pouco da aldeia, e mais falaria e estória haveria para contar se não fosse o comer que já se anunciava na mesa à sua espera.

 

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Ao todo na aldeia de Amiar vimos duas pessoas, o Sr. António e a mulher, vimos outras duas que passaram por nós, uma de carro outra numa carrinha de trabalho, algumas vacas barrosas, um touro barrosão e mais nada, gatos, nem vê-los, muito menos “amiar” .

 

E por hoje no “Barroso aqui tão perto” é tudo. No próximo domingo lá iremos até outra aldeia, e então se verá a quem toca a sorte, certo é que será do Barroso do concelho de Montalegre.

 

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Anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

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Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

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