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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Atilhó

Aldeias do Barroso - Aldeias de Boticas


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ATILHÓ – BOTICAS

 

Nesta ronda pelas aldeias do Barroso do concelho de Boticas, continuamos na freguesia de Alturas do Barroso/Cerdedo, hoje com a aldeia de Atilhó.

 

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Aldeia de Atilhó que vai calhando muitas vezes nos nossos itinerários pelo Barroso e na passagem ou atalhos para do concelho de Boticas para Montalegre ou vice-versa, quer via Alturas do Barroso com subida aos Cornos do Barroso ou pelo estradão que liga a Vilarinho de Negrões.

 

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Nestas aldeias de passagens frequentes, a passagem por elas, tanto as favorece como desfavorece, ou seja, por vezes, na nossa passagem, há motivos que promovem a nossa paragem para um registo, quer pelas condições meteorológicas, por exemplo de neve ou nevoeiros, ou por um qualquer outro motivo digno de registo, enriquecendo assim o espólio fotográfico do nosso arquivo sobre a aldeia. Por outro lado, como sabemos que passamos por lá muitas vezes, vamos sempre adiando o levantamento fotográfico, e quando calha a fazê-lo, por vezes nem sempre é o melhor dia para tal, principalmente pelas condições de luz ou meteorológicas. Foi um bocadinho o que aconteceu com atilho, que acabámos por levantar a aldeias às prestações, resultado de meia dúzia de passagens. Assim, as fotografias que hoje aqui deixamos, têm datas desde maio de 2011 a abril de 2019

 

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Completemos a localização desta aldeia e simultaneamente vamos abordar um pouco a rede viária do concelho de Boticas em relação ao concelho Montalegre, que pode de ser de toda a utilidade para um passeio de fim-de-semana pelo Barroso, isto para quem parte da cidade de Chaves ou da Vila de Boticas.

 

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Deixando de parte caminhos de terra só próprios para viaturas de todo terreno, existem 4 ligações entre o concelho de Boticas e o concelho de Montalegre, podendo dois desses acessos ser considerados principais, um secundário e outro um percurso de terceira categoria e de montanha.

 

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Os dois principais acessos são a Estrada Nacional 103 que liga Chaves a Braga e que entra no Concelho de Montalegre na região do Alto Barroso, mais propriamente com entrada no Alto Fontão, passagem pelo Barracão e depois faz o percurso das três barragens, a dos Pisões (pela margem direita) e a da Venda Nova e Salamonde (pelas margens esquerdas). Penso que será este o principal acesso entre as sedes co concelho (Boticas e Montalegre).

 

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O segundo acesso principal é a ER311, uma das estradas de montanha mais interessantes de Portugal, e não exagero ao afirmar isto, basta conhecer o seu itinerário e percorrê-la para ver que isto é verdade, isto referindo-me à EN311 original, criada pelo Decreto-Lei 34593 de 1945-05-11, cujo trajeto era: Fafe – Cabeceiras de Basto – Ladeiro – Casal – Boticas – Vidago – Loivos e Serapicos (EN314).

 

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EN 311 hoje em dia esfrangalhada em termos de classificação, pois embora mantenha em com o nº311, hoje é classificada desde estrada municipal, estrada regional, e estrada nacional, neste último caso só entre Boticas e Vidago, passando a regional entre Boticas e Venda Nova e de Salto a Cabeceiras de Basto. Já no concelho de Chaves, entre Vidago e o Peto de Lagarelhos, passou a municipal. Seja como for esta estrada, a original  EN 311, iniciava em Fafe e Terminava em Serapicos, ou seja, iniciava-se no Minho e terminava em Trás-os-Montes, atravessando por dois distritos (Braga e Vila Real) e por 6 concelhos (Fafe, Cabeceiras de Basto, Montalegre, Boticas, Chaves e Valpaços). Todo o trajeto em montanha e pequenos vales entre montanhas.

 

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Mas voltando às ligações a Montalegre, é esta mesma ER311, como uma ligação principal ao concelho de Montalegre, ao baixo Barroso, mais precisamente a Salto e Venda Nova.

 

O terceiro acesso ao concelho de Montalegre, também toma a ER311 até pouco depois da Carreira da Lebre, e no desvio para Carvalhelhos, toma a  EM520 que liga precisamente as duas estradas atrás referidas (EN103 e ER311), estrada esta que passa pelos Cornos de Barroso e faz a travessia da barragem dos Pisões pelo seu paredão, ou seja, este paredão também é estrada. Esta ligação a Montalegre passa obrigatoriamente por Atilhó, daí nos calhar muita vezes em passagem nos nossos itinerários.

 

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Para concluir, a terceira ligação entre Boticas e Montalegre, acontece entre Ardãos e Meixide, penso que esta ligação ainda não tem classificação como estrada, pois nos mapas aparece com rua Laborada. Um atalho que às vezes dá jeito tomar, mas com extremos cuidados, pois a estrada é estreita, em montanha e com muita curva.

 

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Ficam os nossos mapas para melhor se entenderem os parágrafos anteriores e a localização de Atilhó. Só não consta a “rua” que liga Ardãos a Meixide, mas existe.

 

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E agora muito resumidamente as nossas impressões pessoais sobre Atilhó. É, o que não é de estranhar no Barroso, uma aldeia interessante, mantendo a sua tipicidade e integridade de aldeia barrosã, sem grandes atentados pelo meio e algumas recuperações felizes. A Estrada atravessa o núcleo mais antigo a aldeia a meio, onde se destacam alguns dos largos principais da aldeia, num deles, mais pequeno, mas onde penso ter sido o centro principal da antiga aldeia, com um belíssimo tanque e chafariz onde se inicia a rua 1º de Dezembro que a meio tem um passadiço constituído por um arco perfeito em pedra de granito que bem pode ser apresentado como o ex-líbris desta aldeia. Mas passemos aos escritos e documentos sobre a aldeia.

 

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Na página da Direção-Geral do Património Cultural, sobre a capela de Atilhó, encontrámos o seguinte:

 

Imóvel
Localizada num dos extremos da aldeia de Atilhó, a Capela de Santa Margarida é um templo setecentista de planta retangular, com anexo lateral correspondente à sacristia. Implantada numa cota mais baixa em relação à rua fronteira, e delimitada por muro, o templo está adossado ao cemitério local.


De grande austeridade arquitetónica e decorativa, a capela apresenta fachada principal aberta por portal central, com moldura de linhas retas, idêntica à das janelas retangulares que o flanqueiam. Sobre a porta sobrepõe-se um pequeno óculo, envolvido por roseta. O frontispício é ladeado por cunhais de pilastras com entablamento, encimados por pináculos com esferas, numa solução que se repete no alçado posterior.


O elemento de maior destaque é a sineira que remata a empena na fachada principal, formada por arco de volta perfeita com duplas volutas que se unem, suportando a cruz central, flanqueada por pináculos idênticos aos dos cunhais.


No interior mantém-se a austeridade decorativa, com paredes revestidas por azulejos azuis, brancos e amarelos. Este programa decorativo terá sido executado no século XX, época de que data também o espaço da sacristia. Na capela-mor, um pouco mais larga do que a nave, destaca-se ao centro o retábulo de talha dourada e policromada, de gosto rococó, que integra a imagem da padroeira, Santa Margarida, ladeada pelas esculturas de Santa Bárbara e Santa Luzia. Nas paredes laterais deste espaço foram colocadas diversas mísulas com imaginária de devoção popular.

História
A Capela de Santa Margarida de Atilhó terá sido edificada na segunda metade do século XVIII, apontando-se a data de 1763, inscrita na fachada lateral do lado do Evangelho, como o ano da sua sagração. Estilisticamente, este templo revela fortes afinidades com a Igreja de Santa Eulália de Pensalvos, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, que foi alvo de uma intervenção arquitetónica no final do século XVII.


No século XX a capela foi intervencionada, datando desta campanha o revestimento azulejar e a edificação da sacristia.


A Capela de Atilhó foi classificada como de interesse municipal em 1986.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017

 

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Na monografia de Boticas - Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas, encontrámos:

 

Festas e Romarias

- S. Sebastião, Domingo a seguir ao dia 20 de Janeiro, Atilhó.

- Sto. António,* 13 de Junho, Alturas do Barroso e Atilhó

- Santa Margarida, último domingo de Agosto, Atilhó

- Santa Bárbara,* 04 de Dezembro, Atilhó

- Santa Luzia,* 13 de Dezembro, Atilhó

 

Património Edificado

- Capela de Santa Margarida (Atilhó) – Património Classificado (IIM)

- Forno do Povo de Atilhó

 

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A respeito de moinhos, refere-se o seguinte na monografia de Boticas:

 

Neste tipo de sistemas de admissão de água o cubo pode adaptar-se facilmente ao declive do terreno em que é construído o moinho, podendo ser inclinado, acompanhando o declive da encosta (moinho de tubo), ou perfeitamente vertical, constituindo um tipo de moinho internacionalmente conhecido como moinho de Arubah, de que subsiste um raro exemplar na aldeia de Atilhó, na freguesia de Alturas do Barroso.

 

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Há dias, no Observador online, sob o título “Trabalho comunitário suspenso no Património Agrícola Mundial”, ao respeito,  apontavam-se alguns exemplos na aldeia de Atilhó. Não vamos transcrever o artigo (fica link no final). Mas o mesmo vai servir de mote para trazemos aqui mais um tema do Barroso, “A entreajuda nos trabalhos agrícolas”

 

 

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Temas do Barroso

 

A entreajuda nos trabalhos agrícolas

 

Dentro de cada comunidade aldeã criaram- -se redes de apoio, formas de solidariedade e cooperação vicinal, geralmente designadas como entreajuda.

 

A entreajuda tem como características principais a gratuidade e a reciprocidade de serviços, uma vez que, o favor recebido deve ser retribuído, pois, existe a obrigação moral de retribuir em iguais circunstâncias, ou em circunstâncias consideradas socialmente como equivalentes. Uma regra estabelecida pelo costume, que o adágio popular “Uma mão lava a outra e as duas lavam a cara” tão bem resume.

 

O êxodo rural, que se registou a partir de 1960, veio alterar quer a agricultura local, quer as formas de organização social, bem como as diferentes interdependências e as relações sociais existentes. Com a debandada geral que se registou, muitas parcelas agrícolas foram votadas ao abandono, o efectivo animal diminuiu e assistiu-se, simultaneamente, à crescente mecanização agrícola, que procurou suprimir a falta de mão-de-obra agrícola.

 

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Actualmente, a mecanização agrícola permite aos agregados familiares realizarem os trabalhos agrícolas sem terem que recorrer à mão-de-obra exterior à unidade doméstica. Todavia, a entreajuda continua a desempenhar um importante papel, na vida da população local, em especial para os mais idosos. Numas aldeias, mais do que em outras, vizinhos e familiares ainda se entreajudam uns aos outros não apenas por altura do “maior aperto” dos trabalhos agrícolas, mas nos mais diversos trabalhos (ir à lenha, cortar e carrar mato, fazer as sementeiras, sachar as terras e fazer as colheitas) numa lógica de reciprocidade dos serviços em iguais circunstâncias ou considerados socialmente como equivalentes. Esta entreajuda é especialmente importante entre os agricultores mais idosos a quem as forças começam a faltar para as árduas jornadas no campo, vale nestas situações a ajuda de outras pessoas.

 

Na maior parte das aldeias, a entreajuda processa-se, essencialmente, por altura do “pico” dos trabalhos agrícolas, que exigem celeridade na sua execução, como por exemplo as sementeiras, a ceifa e a recolha do feno, a recolha dos cereais e as vindimas. Participar e ajudar os vizinhos nestas tarefas, garante ao agricultor a ajuda e os braços necessários para a realização dos seus trabalhos.

 

Mas nem sempre quem que é ajudado nos seus trabalhos, pode retribuir essa ajuda em iguais circunstâncias, nestas situações cada um retribui como pode, aproveitando as circunstâncias e fazendo o que está ao seu alcance para ajudar quem o ajudou.

 

Todavia hoje cultiva-se menos, e entre os mais novos a adopção das modernas máquinas agrícolas veio facilitar a execução dos trabalhos sem ter que recorrer a muitos braços. Pelo que, muitas vezes a entreajuda se resume a pequenos círculos de vizinhança e familiares próximos.

 

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E para finalizar, o habitual vídeo com todas as fotografias de atilho  publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

 

 

Alguns artigos de interesse sobre Atilhó:

 

- https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/covid-19-em-atilho-os-dias-sao-de-trabalho-no-campo-sem-os-intervalos-no-cafe-ou-na-missa

 

- https://observador.pt/2020/04/25/trabalho-comunitario-suspenso-no-patrimonio-agricola-mundial/

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006.

 

WEBGRAFIA

 

-  http://www.cm-boticas.pt/

-  http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71490

 

 

 

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