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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Mai20

O Barroso aqui tão perto - Bostofrio

Aldeias de Boticas - Barroso

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Bostofrio - Boticas

 

O nossos apontamentos

Eu sei que antes de irmos para o terreno, devemos fazer o trabalho de casa,  e em geral  embora faça algum, não o faço todo. No que respeita a estudo de estradas, caminhos e itinerários mais favoráveis ou mais interessantes, atalhos, etc para chegar a um lugar, este faço-o, já no que respeita à história, pontos mais interessantes e turísticos, esse, não o faço, propositadamente, pois gosto de entrar de olhar virgem nestas aldeias que não conheço e ser surpreendido com as descobertas. Os pontos de interesse, esses lá estarão e lá aparecerão, ou não, deixando assim o caminho aberto para uma segunda abordagem, e aí sim, já vou à procura daquilo que me escapou na primeira abordagem.

 

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Também, antes  de entrar numa aldeia, procuro um caminho, uma elevação, um ponto mais alto de modo a poder ver a aldeia no seu todo, não só pelo interesse das imagens que em geral desde aí se conseguem, mas também para ficar com uma ideia daquilo que há para ver, mas nem todas as aldeias nos permitem estas vistas. No caso de Bostofrio, nas cartas que consultei previamente, aparecia um caminho de terra batida, na encosta da montanha, paralelo à aldeia. Claro que era esse o caminho escolhido para entrar na aldeia, e foi, no entanto, às vezes, aprecem algumas contrariedades, e no caso, foram as nuvens baixas que, de início, não nos permitiu ver aldeia, mas como estávamos em junho, estas nuvens são de trovoada, e tão rápido aparecem, como desaparecem.

 

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E lá acabamos de entrar na aldeia, já para além da hora que tínhamos previsto entrar, e como a aldeia lá de cima parecia pequena, pela certa ganharíamos o tempo que tínhamos perdido na aldeia anterior, talvez 30 a 40 minutos fossem suficientes, mas surgiu mais um imprevisto, daqueles que até são agradáveis e interessantes, e como tal temos de voluntariamente nos sujeitar a eles. No caso foi o Sr. Morgado que topou logo ao que andávamos, à caça de imagens, e como tal fez questão que víssemos e fotografássemos o touro que tinha na corte, e a conversa até começou bem, pergunta-nos o Sr. Morgado:

 

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- São aqui da zona?

- Somos de Chaves… dissemos nós.

- Da linda cidade de Chaves, está bem!? Aquilo está um espetáculo, àquilo que era… eu saí de lá da tropa em 1970 e o que era aquilo!? Pois Chaves hoje é uma cidade linda, para quem conheceu aquilo… hoje está um espetáculo, um espetáculo…

Claro que nós concordámos, e perguntámos-lhe o nome.

- Eu aqui sou conhecido pelo Morgado…

 

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E claro, uma série de estórias vividas no seu tempo de militar em Chaves, mas também os elogios à aldeia, que era uma aldeia bonita, etc, coisa e tal e “até já fizeram aqui um filme”.

Mas estes diálogos eram apartes, o que interessava mesmo era o seu touro e as chegas de bois que ia haver, do campeonato, onde entrava um touro da aldeia, do sobrinho, já estava na semifinal. Mostrou-nos os cartazes, tão importantes ou mais que os avisos e editais da Junta de Freguesia que tinham ao lado.

 

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Para 1 de Julho, às 17H30, no recinto da chega de bois, em Boticas, iam acontecer as chegas do JOKA PIÃO x MOLATO, o primeiro de Domingos Domingues de Bosto Frio e o segundo de Domingos Barreto da Vila Grande, a segunda chega era com o SHIBAURA x TOBIAS, o primeiro de Gil Chaves DE Bostofrio e o segundo de Carlos Rocha, do Muro. Para 14 de agosto aconteciam as chegas do JARDEL x JÓIA, o primeiro de João Gonçalves de Pena de Cerdedo e o segundo de Fernando Pascoal, de Viveiro. A segunda chega é entre o JACINTO x CUBANO, o primeiro de Nelo da Cruz, de Cerdedo, e o segundo de Manuel Matalote, de Alturas.

 

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Valeu a publicidade, pois nós lá fomos, no dia 1 de julho ver a primeira semifinal, sem torcer por nenhum, pois já estávamos “comprometidos” com os de Bostofrio e o da Vila Grande, que ganhasse o melhor… Ficámos agradados por saber que a tradição das chegas de bois se continua a cumprir, agora em forma de campeonato, mas longe da tradição antiga em que o boi era do povo, representante de cada aldeia, e não como hoje, que o boi é de particulares e já não arrasta todo povo das aldeias atrás deles. Novos tempos.

 

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Bem, mas vamos à aldeia de Bostofrio. Claro que embora nos tivéssemos despedido  Sr. Morgado na corte do seu touro, ele fez questão de nos acompanhar em grande parte da visita, não nos fossemos nós perder… e foi-nos mostrando aquilo que de mais interessante havia na aldeia, e  ficamos agradados com aquilo que vimos, e se ela era interessante, vista do monte, no seu conjunto, rodeado daquele verde incrível que só existe no Barroso, muito mais interessante é nos pormenores, nas suas ruas, no seu casario, na vida que a aldeia tem, na simpatia das pessoas, na fartura do gado a caminho das pastagens, tão interessante, que os 30 minutos que tínhamos previstos para fotografar a aldeia, foram-se prolongando e saímos de lá passadas duas horas e tal.

 

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 Costuma-se dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, o que não é verdade de todo, mas no caso, aplica-se bem, e seria complicado transformar em palavras as imagens que vos deixo. Claro que lhes faltam os sons da passarada, abundante por sinal, o chocalhar dos chocalhos do gado a caminho das pastagens, falta o ar puro, faltam os cheiros, mas esses, só mesmo lá é que poderão ser conjugados ou combinados com aquilo que se vê, desfrutando de todos os nossos sentidos, e vale a pena. Infelizmente aqui, ficam apenas as imagens e esta meia dúzia de palavras, mas já é alguma cois.

 

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Localização

Como andamos pela freguesia de São Salvador de Viveiros/Vilar estamos próximos da ER311 que às vezes também nos aparece grafada como N311. Para a localização, uma vez que este blog é feito a partir da cidade de Chaves, tomaremos Chaves e/ou Boticas como pontos de referência. Neste caso, vamos tomar Boticas como referência, ou melhor, Boticas, Carreira da Lebre e Salto em que a Carreira da Lebre é e será sempre um ponto de referência para a maioria das aldeias e Salto para entendermos em que direção devemos tomar a N311.

 

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Então, Agrelos fica a 13,4 quilómetros de Boticas, junto à N311 no troço entre Boticas e Salto, com passagem obrigatória pela Carreira da Lebre. Carreira da Lebre que convém manter sempre como referência, pois é uma espécie de estação de serviço da N311, com cafés e restaurantes e posto de abastecimento de combustíveis.

 

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Roteiro para uma visita

Como de costume, o nosso ponto de partida é sempre da Cidade de Chaves. Mas para quem é de fora e queira visitar a aldeia, se vier pela A24, poderá tomar um atalho, com saída num dos nós mais próximos. Basta consultar o nosso mapa para saber onde. Mas então partimos de Chaves pela EN103 em direção a Boticas, aí tomamos a N311 em direção a Salto e depois é só seguir pela N311 até aparecer o desvia, à direita, para Bosto Frio. No nosso mapa (resumo) ficam todas as localidade e distâncias, por onde terá de passar. Mas não há nada que enganar, pois qualquer uma das estradas a utilizar estão bem assinaladas nos cruzamentos e rotundas, basta seguir as indicações.

 

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Toponímia

 

Busto Frio

Em relação aos topónimos desta base Busto e Bustelo tudo são dúvidas que se podem ir desfazendo caso a caso. Ao certo sei apenas que o étimo de que pode partir a nossa análise será BUST, pré-romano, significando locais onde há gado com pastagens e bosta e outro significado: de cinzas e o que restava da queima dos cadáveres.

No caso vertente do latino bustu > busto e o adjectivo Frio. Ora, sendo local de pastagens e bostas frias, porquê dar-lhe esse nome sendo igual a Agrelos ou Vila Pequena e até bastante mais quente que atilho ou Alturas?

Mas por outro lado (e para o qual me inclino) no local não foi encontrado qualquer túmulo ou sarcófago que desse visos de autenticidade ao topónimo que

-1258 “ de Busto Frio cum toto suo termino” 1522 – se apresenta desde então como atual!

 

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Como nada consta na toponímia alegre, e sem qualquer comentário ao que atrás está transcrito, fica outra descrição para o topónimo Bostofrio, esta encontrei-a em ruralturismo.net:

Bostofrio,

é formado pela aglutinação de Busto+frio. Busto, bustêllo significam bosque ou mata cerrada, bouça de mato para pastos, pastos para gado que aliás traduz expressivamente a realidade daquela aldeia.

 

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Na obra “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”  para além de nos informar que pertence à freguesia de São Salvador de Viveiro que hoje está anexada à de Vilar, apenas encontrámos a referência ao São Marçal, à sua festa que acontece no dia 30 de junho e a sua capela.

 

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Fora isso, nas nossas pesquisas pouco mais encontrámos, a não ser a referência ao filme documentário de Paulo Carneiro, o tal filme que o Sr. Morgado nos falava, e que na altura por acaso nem conhecíamos mas que no entretanto ficámos a conhecer, e sim senhor, além de a ação se passar em Bostofrio, diz também respeito a Bostofrio.

 

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Filme/Documentário do qual vamos deixar no final o Trailer Oficial PT, mas entretanto ficam também as palavras que o acompanham.

Na aldeia de Bostofrio, em Trás-os-Montes, o realizador Paulo Carneiro procura chegar a um retrato do avô, que não conheceu e que nunca perfilhou o seu pai, perguntando, ouvindo e puxando pelas memórias dos seus conterrâneos. Essa personagem "ausente", o avô, nunca se materializa – pois este não é um filme "sobre o avô", é um filme sobre um homem à procura de uma imagem para o seu avô.

Um documentário sobre a família escrito e realizado por Paulo Carneiro ("Água para Tabatô"). PÚBLICO

 

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Bostofrio vista desde Agrelos

E vamos mesmo ficar por aqui, pois na ausência de mais informação, não vale a pena estarmos para aqui a inventar…mas antes, ficam ainda o nosso vídeo com o resumo fotográfico do nosso post, mais algumas imagens animadas e no final o Trailer Oficial de Bostofrio. Espero que gostem.

 

 

BOSTOFRIO / Trailer Oficial PT

 

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

https://www.boticasparque.com/

 

 

https://ruralturismo.net/casa/historia/

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