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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Jun21

O Barroso aqui tão perto - Covas do Barroso

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Seguindo a metodologia que adotámos para o Barroso do concelho de Boticas, ou seja, seguir a ordem alfabética das freguesias e as suas aldeias,  e depois de termos abordado todas as aldeias da freguesia de Codessoso, Fiães do Tâmega e Curros chega a vez da freguesia de COVAS DO BARROSO, constituída pelas aldeias de Covas da Barroso, Muro e Romaínho.

 

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Seguindo a ordem alfabética nas aldeias dentro da freguesia, também calha a Covas do Barroso fazer a abertura da freguesia. Assim é até Covas que vamos hoje

 

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Fomos a Covas de Barroso três vezes. A primeira vez já há uns anitos, em 2011, num passeio de fotógrafos, numa visita muito rápida em que quase nos ficámos pela igreja e pelo largo principal, o do forno do povo. Já então, e ainda antes de termos iniciado esta rubrica das aldeias do Barroso, ficámos com vontade de lá voltar.

 

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A segunda vez já fomos com mais tempo, já para fazer a recolha de imagens de um futuro post dedicado à aldeia. Foi em março de 2018, por sinal um dia de chuva intensa, que embora até sejam interessantes para a fotografia, já o não são tanto para os nossos corpos e muito menos para as Câmara fotográficas. Mesmo assim fizemos o possível e recolhemos algumas imagens, mas desde logo sentimos que a recolha não estava completa.

 

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Como não há duas sem três, voltámos lá no mesmo ano, três meses depois, em junho de 2018, e em boa hora o fizemos, pois assim podemos dizer que a recolha ficou quase completa, e o quase é apenas porque uma recolha nunca fica completa. Um dia de sol interessante, com nuvens para enfeitar, sem incomodar, bem diferente do dia invernoso de março, agora com a primavera no seu auge, a mostrar toda a sua exuberância no colorido florido da paisagem, principalmente na paisagem selvagem dos montes que rodeiam a aldeia, só interrompido pelo corredor que o asfalto da estrada rasgava por entre as giestas, como se tratasse de um tapete que nos conduzia até Covas.

 

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Quanto à aldeia, é um misto de aldeia concentrada, com uma igreja, o forno comunitário e o cruzeiro no grande largo, ainda, como quase todas as aldeia, na falda da montanha, mesmo na passagem da montanha para o pequeno vale de terras de cultivo, só que, a aldeia não termina aqui, pois a aldeia continua ao longo de cerca de 2,5km de arruamentos dispersos pelo pequeno vale agrícola. Uma aldeia sem dúvida diferente, mas com todos os ingredientes de uma aldeia barrosã.

 

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Pessoalmente, realço da aldeia o belíssimo cruzeiro do largo principal, desde a sua base até ao topo a terminar na cruz com duas figuras esculpidas em granito, uma em cada face da cruz. O forno do povo, todo em granito, incluindo a cobertura, tendo como particularidade ter dois fornos, lado a lado, no seu interior, não sei se existem mais assim, pessoalmente, foi o primeiro que vi (com dois fornos). Realce também para as suas igrejas, principalmente a que se localiza junto ao cemitério. Um segundo cruzeiro, mais simples, mas com base idêntica ao do largo principal, e embora simples, não deixa de ser interessante. Realce também para os canastros e seu enquadramento e também as montanhas envolventes, principalmente as que se atravessam vindos da aldeia de Campos.

 

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Até aqui temos deixado as nossas impressões sobre a aldeia, mas anda não referimos como chegar até lá e onde ela se localiza. Então vamos lá, como ponto de partida como sempre da cidade de Chaves e pelo caminho mais habitual para ir até terras de Boticas, ou seja via N103 (estrada de Braga) até Sapiãos, depois deixa-se a N103 e tomamos a M312 até Boticas, onde apanhamos a R311 e subimos até a Carreira da Lebre, o grande entroncamento de Boticas, e desta vez, na rotunda da Carreira da Lebre, seguimos em frente, mas apenas durante cerca de 5Km logo a seguir à última entrada para aldeia de Vilar (à esquerda) e saída para a aldeia de Carvalho (à direita), ou seja, na saía à direita que indica Campos, aldeia pela qual teremos de passar para ir até Covas do Barroso. Se por acaso se enganar e andar mais de 5Km, não volte para trás, pois mais à frente, depois da aldeia de Bostofrio, mas antes de Agrelos, há outra entrada para a aldeia.

 

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E agora vamos às nossas pesquisas sobre a documentação existente, ou perlo menos aquela a que tivemos acesso, sobre a Cova do Barroso. Como sempre a principal fonte é a monografia “PRESERVAÇÃO DOS HÁBITOS COMUNITÁRIOS NAS ALDEIAS DO CONCELHO DE BOTICAS”, onde há a referência a um parque de lazer a dois castros: O Alto do Castro e o Castro do Poio.

 

Alto do Crasto

Designação: Alto do Crasto

Localização: Covas do Barroso

Descrição: Sobranceiro à aldeia de Covas encontra-se o Alto do Castro, monte de encostas empinadas, principalmente a do lado Sul, voltada para Covas do Barroso. Tem um pequeno reduto, com 6 a 8 metros de diâmetro, rodeado por todos os lados, excepto no lado Sul onde se abre uma longa portada com 27m de largura. Um pouco acima da linha dos 27 m da grande portada há uma fiada de 6 a 7 metros de pedras pequenas, que se supõe corresponderem ao miolo do paredão, ou muralheta, que fechava daquele lado o rodeio dos penedos que por três lados cercam a irregular e pedregosa plaina cimeira.

 

No local forma encontrados pedaços de cerâmica.

 

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O Castro do Poio

Designação: Castro do Poio

Localização: Covas do Barroso

Descrição: O Castro do Poio fica no termo da freguesia de Covas do Barroso. Encontra-se localizado a uns 400m a jusante da ponte nova que atravessa o rio pela estrada de Covas do Barroso ao Couto de Dornelas.

O cabeço de pedra de xisto em que assenta o castro é uma espécie de promontório arredondado, rodeado pelo rio do Couto de Dornelas a Norte, Poente e Sul. Um grosso istmo liga-o pelo NE ao monte adjunto. O castro tem três muralhas. A primeira, no fundo da ladeira, fica a uns 10 a 12 metros acima da margem esquerda do rio, tem 1,70 m de largura, parte do fosso do lado Norte, abraça a base do promontório e vai desembocar no fosso, sensivelmente à mesma distância do rio. A segunda muralha também com 1,70 m de largura, na linha Nordeste/Sudoeste, fica 30 m acima da anterior e segue, em arco de ferradura, mais ou menos paralelo à primeira muralha num comprimento de 150 a 200 metros. Começa e acaba, como a anterior, nas duas portas do fosso. A terceira muralha, na linha NE/SO fica 50m acima da segunda. Mais acima na plaina do topo do monte, esta terceira muralha estreita a 1 m de largura, forma um conjunto elipsóide com um lacete, onde se distinguem três anéis de pedra amontoadas que devem corresponder a outras tantas casas circulares.

O fosso, com 6 m de boba e 3m de fundo, foi rasgado a cortar o istmo daquele promontório e estende-se seguindo o pendor das encostas, aproximadamente 60 m de cada lado, até ao rio.

 

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COVAS DO BARROSO

 

Localização geográfica: A freguesia de Covas do Barroso situa-se na parte Sul do concelho de Boticas

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 20 km.

Acesso viário: seguindo pela ER 311, virando na indicação Campos / Covas do Barroso, percorre-se a EM 519-C até à aldeia de Covas do Barroso, ou, em alternativa, percorre-se a ER 311 e virando na indicação Covas do Barroso segue-se pela EM 519-1C.

Área total da freguesia: 29,6 km2

Localidades: Covas do Barroso, sede de freguesia, Muro e Romaínho.

População: 348 habitantes.

Orago: Santa Maria.

Festas e Romarias

Nossa Senhora da Saúde, 1º domingo de Junho, Covas do Barroso.

Santo António,* 13 de Junho, Covas do Barroso.

Carolo de Santo António, 14 de Junho, Covas do Barroso.

Património Arqueológico

Alto do Castro.

Castro do Poio.

Povoado de S. Martinho.

Povoado do Cemitério de Covas do Barroso.

Património Edificado

Capela de Nossa Sra da Saúde (Covas do Barroso).

Cruzeiro de Covas do Barroso – Património Classificado (IIP).

Fontanário (Covas do Barroso).

Forno Comunitário de Covas do Barroso.

Igreja Paroquial de Covas do Barroso – Património Classificado (IIP).

Tribunal (Covas do Barroso).

Capela de S. José (Romaínho).

Outros locais de interesse turístico.

Forno do Povo de Romaínho (construção recente).

Dois Moinhos de Rodízio (Covas do Barroso).

Um Percurso Pedrestre.

 

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Da monografia ainda uma última referência, a de uma tradição de entrudo, que, não sei se ainda se realiza:

 

O Entrudo, traz consigo os caretos, as brincadeiras e a folia.

 

No Domingo Gordo, o domingo antes do Entrudo, em Covas do Barroso, fazem o carro do galo, tradição dedicada ao professor (a) da aldeia. Todos os anos os alunos, da escola primária, arranjam um carrito de mão, enfeitam-no com flores levando as suas ofertas que, como manda a tradição, são compostas por um coelho, uma galinha, vinho do porto, doces e um galo. Depois fazem um cortejo com o carro pelas ruas da aldeia.

 

Nesta aldeia ainda existe a tradição de ler os motes. Juntam-se três rapazes no principal largo da aldeia, um coloca-se no forno do povo, outro no cruzeiro, seguram uma corda com o galo preso no meio e tentam acertar com ele ao que está a ler os motes de forma a atirarem-lhe com o chapéu ao chão. Este, enquanto lê os motes, com uma espada tenta afastar o galo da sua cabeça. No final oferecem o galo e o restante conteúdo do carro.

 

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Para finalizar, também Miguel Torga passou por Covas do Barroso, pelo menos duas vezes, isto a crer pelos dois registos de Covas que Torga deixa no seus diários, um de 1958 e outro de 1987:

 

Covas do Barroso, 27 de Setembro de 1958

 

Almoço na casa do abade da terra. É bom alimentar de vez em quando o ateísmo a uma mesa residencial.

 

Miguel Torga, In Diário VIII

 

 

Covas do Barroso, 8 de Setembro de 1987

 

Uma bonita imagem de Nossa Senhora de Rocamador na igreja matriz, e o forno do povo ainda quente  e a reacender da última fornada. Um lavrador, quando me viu ougado, meteu a navalha a uma broa e fartou-me. O comunitarismo, por estas bandas, não é uma palavra vã. Significa solidariedade activa em todos os momentos. Até a fome turística tem direito ao pão da fraternidade.

 

Miguel Torga, In Diário XV

 

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E para finalizar o vídeo com todas as imagens publicadas neste post dedicado a Covas do Barroso. Infelizmente, já depois do vídeo publicado,  demos conta de um pequeno lapso no nosso mapa, nas placas que indicam as aldeias de Codessos e Antigo de Curros, deveriam indicar Muro e Romaínho, tal como consta no mapa que fica neste post. Mesmo assim, espero que gostem do vídeo e que me desculpem este pequeno lapso.

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Muro.

 

 

 

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