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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O Barroso aqui tão perto - Ferral

27.05.18 | Fer.Ribeiro

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O nosso destino de hoje no “Barroso aqui tão perto” é Ferral, aldeia e sede de freguesia do concelho de Montalegre. Vamos então até lá, começando pela sua localização e itinerários possíveis para lá chegar, como sempre a partir da cidade de Chaves.

 

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Geralmente recomendo um itinerário, mas vou deixar de o fazer, pois quem sou eu para decidir qual o itinerário a seguir. Ora bem, cada um vai por onde quer, conforme os seus interesses e preferências. Eu só vos vou dizer onde fica a aldeia e por onde podem ir, sabendo desde já que há sempre mais que um caminho a seguir, geralmente dois à saída de Chaves, ou seja a estrada de Braga (EN103) ou a estrada de S. Caetano/Soutelinho da Raia ( EM 507).  Mas há mais uma entrada no Barroso se optarmos sair/entrar por Seara Velha, mas esta saída/entrada poderá ser entendida como um atalho, pois logo a seguir temos de entrar nos outros itinerários. Mas vamos considerar só dois caminhos de saída de Chaves (EN 103 e EM 507).

 

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Pois bem, dois caminhos de saída que depois podem virar a três itinerários, dependendo do nosso destino. É o caso de hoje com Ferral. Claro que quando temos várias opções, há critérios que pesam mais nas nossas decisões. Uns optam pelo caminho mais curto, outros pela melhor estrada, outros pelo trajeto mais interessante, outros pelo mais económico, etc. Como não sei qual é o critério que pesa na vossa decisão, vou deixar-vos os três caminhos possíveis a seguir para se chegar a Ferral. Como vou ter de optar por um critério para vos apresentar a ordem dos itinerários, sem qualquer razão que me leve a tal, vou optar pelo critério distância, das três possíveis de 67Km, de 70.6Km ou de 75.2Km.

 

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Então o primeiro itinerário com 67Km é via estrada de Braga (EN103) até Sapiãos, aí vira-se para Boticas após a qual se toma a N311 em direção a Salto. Imediatamente antes de Salto, vira-se em direção a Venda Nova, aí apanha-se outra vez a EN103 em direção a Braga até ao final da barragem onde de novo temos de abandonar a 103, atravessar o paredão da Barragem e logo a seguir (1,5 Km) é Ferral.

 

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O segundo itinerário de 70,6Km é via estrada de S. Caetano/Soutelinho da Raia (EM 507) com destino à Vila de Montalegre, lá chegado, atravessa-se a vila e apanha-se a N308, ou seja a estrada que passa pelo campo de futebol, sempre a direito, sem sair da estrada principal até Sezelhe, aí pode optar por duas estradas em direção a Paradela, mas opte por ir via Travassos do Rio, Covelães, etc, até Paradela. Aqui, siga em direção a Ponteira e Nogueiró, logo a seguir é Ferral.

 

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O terceiro itinerário com 75.2Km é sempre via estrada de Braga (EN 103), igual ao primeiro até Sapiãos, só que não se sai para Boticas, continua-se pela EN103 até à Venda Nova e a partir de aí é igual ao primeiro itinerário. Itinerários e cartas pelas quais eu me guio para chegar aos meus destinos, pois não confio muito em GPS’s, mas para quem prefere GPS’s e coordenadas, aqui ficam elas, do centro de Ferral:

41º 41’ 39.24” N

07º 59’ 55.07” O

Atitude: entre os 550 e os 750m

 

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Mas para quem como eu gosta de mapas e cartas, fica o nosso mapa, onde estão assinalados os três itinerários, o primeiro a vermelho até Sapiãos, passando a lilás a partir de aí. O segundo itinerário de cor azul escuro e o terceiro a vermelho. No segundo itinerário há um troço com uma alternativa a vermelho, via Pedrário, pois penso que a estrada via Vilar de Perdizes ainda está cortada por motivo de obras.

 

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Quanto à localização de Ferral, para além daquilo já deixámos para trás, podemos acrescentar ainda algumas dicas que ajudam também a caracterizar a aldeia. A freguesia fica literalmente entre o rio Rabagão e o rio Cávado, que aqui são barragens, o primeiro rio a servir a barragem da Venda Nova e o segundo a barragem de Salamonde. Ferral fica também no limite do concelho de Montalegre, a fazer fronteira com o concelho de Vieira do Minho, mas também com o Parque Nacional da Peneda- Gerês e freguesia de Cabril.

 

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Quanto a Ferral, aldeia, é um pouco atípica se tivermos em conta a maioria das aldeias, pois esta, contrariamente à maioria, não tem um núcleo definido, mas sim vários núcleos e dispersos. Também não se desenvolve ao longo de uma estrada principal, mas ao longo de várias estradas e caminhos. Um pouco confusa para quem não a conhecer. Nós próprios fomos vítimas dessa confusão, pois mesmo com mapas de pormenor da aldeia, andámos à nora para encontrar o restaurante que nos tinham recomendado para comer, e demos umas voltas para lá chegar, mas chegámos.

 

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Passámos por Ferral há coisa de um ano. Primeiro em abril onde fizemos a recolha da maioria das imagens e um mês depois (maio), outra vez para satisfazer as barriguinhas, mas que aproveitámos para recolher mais algumas imagens.  E pela certa que se passarmos por lá outra vez, recolheremos mais imagens, pois em Ferral existe um manancial delas e para todos os gostos, pois por lá há de tudo, e desta vez até deixo de parte o casario. Pois ele há montanhas em pormenor, há também um mar de montanhas, muito verde ou muitos verdes, pois vão variando, afinal de contas, embora ainda estejamos no Barroso de montanhas, também já estamos no Barroso minhoto.

 

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Estamos no Barroso verde embora ainda a uma altitude considerável (entre os 550 e os 750m), mas a beneficiar, creio eu, de um microclima húmido e quente, que de certa maneira até faz lembrar outras terras, pois se mo contassem não acreditaria que havia por lá bananeiras e estrelícias ou aves do paraíso, de nome científico Strelitzia reginae (agora com a internet, é que aprendemos coisas, até o nome científico das flores aprendemos). Se não tivesse visto com estes olhos que a terra há de comer, não acreditava, bananas no Barroso!? Quase parecia que tínhamos chegado à Madeira. Para quem duvidar ficam as imagens, e atenção que estão ao ar livre e não em estufas. Claro que as bananas da bananeira não chegam a vingar, mas enfeitam jardins, e que as há, há!

 

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É por estas e por outras, por todas as singularidades do Barroso, que ele é uma pérola neste Reino Maravilhoso de Trás-os-Montes, pois tanto estamos em terras agrestes, que também têm a sua beleza, como mergulhamos num verde profundo, para logo ali ao lado termos muralhas de serras e montanhas e mais montanhas, ou um pouco mais à frente longas chãs nos planaltos,  ou ainda, entre montanhas, podermos descer às pequenas veigas, sempre com a água, pura e cristalina por companhia, que aqui e ali nos brindam com as mais belas cascatas, e isto tudo, ainda em terra quase virgem, sem pecados, ou quase, mas pecados que se vão desculpando por também eles nos proporcionarem alguma beleza, e que se não fosse pelas muralhas de betão, até poderíamos dizer que se tratavam de lagos naturais. Refiro-me às albufeiras.

Agora que já calcorreei todo o Barroso, ou quase, pois ainda me faltam uns cantinhos de acesso mais complicado, sinto-me um privilegiado por ser conhecedor e ter gozado na primeira pessoa esta pérola chamada Barroso.

 

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Mas voltemos a Ferral, abordando também um pouco a freguesia. Pois quanto à população,  sofrem da mesma maleita, chamada despovoamento, que sobrem a maioria das freguesias do interior. No primeiro ano de que há registos de população, 1864, Ferral tinha 853 habitantes, muitos mais que os 397 habitantes registados nos CENSOS de 2011, mas até 1991 a freguesia esteve sempre acima dos 700 habitantes tendo atingido em 1950 os 1418 habitantes, mas aqui penso que se passou o mesmo que em Morgade 10 anos depois, pois esse acréscimo de população esteve de certeza ligado à construção da barragem da Venda Nova, que foi inaugurada em 1951.

 

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Fomos espreitar a página da freguesia na internet onde no capítulo do património cultural consta o seguinte:

 

Igreja Matriz 1722
Sede da Junta de Freguesia, desde 6 de Setembro de 1997
Ponte da Misarela 
Forno do Povo
Capela da Santíssima Trindade 
Capela do Bom Jesus
Capela da Nossa Senhora da Abadia
Capela de São Tiago
Calvário
Cruzeiros
Alminhas
Estrada Medieval
Canastros
Penedo da Pegada
Pedra Bailadeira
Mesa dos Mouros
Central hidroeléctrica de Vila Nova
1ª Central hidroeléctrica da Misarela da província de Trás-os-Montes (submersa pelo Cávado)
Canal da Misarela

E sim, somos testemunha que toda esta região é rica em património religioso (capelas, igrejas, cruzeiros e alminhas), também em canastros, para não falar da mítica e famosa Ponte da Misarela, à qual lhe estão associadas várias lendas e muitas estórias, algumas delas mencionadas em romances de autores consagrados, como o “Terra Fria” de Ferreira de Castro. Ponte da Misarela que também passará por aqui quando abordarmos a aldeia que tem mais próxima - Sidrós.

 

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Pois além desse reconhecido património penso que há um património que nestas terras também se tem de destacar, que é o património paisagístico e o da água, que destes dois, poucos são os que se poderão orgulhar.

 

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Vamos agora ver o que nos diz a “Toponímia de Barroso” sobre esta aldeia:

FERRAL

Engana-se muito quem cuida que a origem de Ferral está em ferro ou nas  saborosas uvas ferrais sem bagulho: em Barroso não há coisas dessas. Há sim, outeiros e chãs de bons pascigos para os gados.

Daí que étimo de Ferral seja o nome latino FERRAGINALE > FERRAINAL > FERRAIAL >FERREIAL – FERRIIAL «FERRIAL» > «FERRAL» - Terra de boas pastagens. Ferrial  referindo-se à nossa localidade aparece diversas vezes nas inquirições de 1258, pag. 1522/23.

- 1258 «et Menendus Moniz de Ferrial»;

- 1258 « Item in villa de Ferrial j.casale regalengum»;

- 1258 «dant de fossadaria in Ferrial de casali de Menendi Moniz iiij varas de bragal» Vemos pelas citações que está tudo dito.

 

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Quanto à “Toponímia Alegre” temos:

De Ferral poucos

E esses loucos.

 

Se tu visses o que eu vi

Lá na feira de Ferral:

Trinta e cinco costureiras

A fazer um avental!

 

Meu amor é de Ferral,

E da terra da cebola

Falinhas mansas só visto:

Casar comigo, tó-rola!

(…)

Com os de Ferral

Nem bem

Nem mal.

(…)

Papa-ventos de Ferral

 

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No livro "Montalegre" temos:

São célebres por conterem inscrições ou gravados e, portanto, históricos: O penedo de Rameseiros, o afloramento de Caparinhos, o Altar de Pena Escrita (Vilar de Perdizes), O Penedo dos Sinais (Viveiro-Ferral), o Penedo do Sinal, o Penedo da Ferradura e a Pedra Pinta (Vila da Ponte), o Penedo de Letra (Gralhas), o Penedo de Pegada (Ferral).

(…)

Esta freguesia mudou várias vezes de nome: foi primeiro Santa Marinha de Covêlo do Gerês por oposição a São Pedro de Covêlo do Gerês; depois dava apenas pelo hagiotopónimo Santa Marinha; mais tarde foi Santa Marinha de Ferral e hoje é somente Ferral. Contudo, é da tradição local que existiu neste mesmo termo a freguesia de São João da Misarela, de que não possuímos qualquer documento escrito! Na realidade, nunca se encontraram vestígios de tal construção nem qualquer referência à sua localização. Apesar das oito povoações que integram a freguesia, o seu isolamento até ao século XVIII era tão acentuado que se tornava extremamente propício à criação e sedimentação de lendas de que é paradigma a da Misarela. Tal como na vizinha Cabril, antes das barragens, os rios eram barreiras difíceis de transpor, mesmo de verão… Por isso a freguesia foi-se alargando e anexando povoações na área de entre Cávado e Regavão: Vila da Ponte e Bustelo (freguesia anexa até ao século XIX) e Contim e São Pedro, igualmente freguesia anexa. Restos evidentes desse antigo fausto é a riquíssima talha da vetusta Igreja de Santa Marinha.

(…)

 

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Nas nossas pesquisas encontramos também uma referência  a Ferral  respeitante ao povoamento e organização do território na Proto-História entre as Serras do Gerês, do Barroso e da Cabreira: o caso do Baixo Rabagão, em documentação para Seminário de Projecto em Arqueologia (referências em biografia):

Ferral

  1. Castra C.G.N.: 170609 C.M.P.: nº 44 (Ruivães – Vieira do Minho) (Est. VIII, 14) C.G.P.: 6A (Montalegre) Latitude: 41º 42’ 38,1‘‘ N Longitude: 07º 49’ 56,9’’ W GAUSS: X – 225023 / Y – 526844 Altitude: 670 m

Acessos – Depois de passar a barragem da Venda Nova (E.N 103-8) segue-se cerca 300m e encosta-se o veículo no largo em terra à nossa esquerda. 

Relevo – O povoado da Castra está localizado no topo de um morro com a cota máxima de 682m, que goza um declive abrupto voltado para o Rio Rabagão. Este cabeço está relativamente visível na paisagem, sobretudo quem presencia do lado sul do referido rio (Est. VIII, 16)

Hidrologia – O monte da Castra possui uma linha de água que passa que nasce no monte de Santo António a Norte e vai desaguar no Rabagão onde finda o monte. É uma zona pouco irrigada, porque está condicionada pela barragem da Venda Nova, algumas centenas de metros atrás (Est. VIII, 15).

Substrato rochoso – Granitos porfiróides, de grão médio a grosseiro, de duas micas, essencialmente biotíticos.  Aproveitamento agrológico dos solos – Solos de Classe F. Existem solos a Noroeste Classe C e a Norte Classe A + F e solos tipo A, a Sudoeste.

Recursos minerais – Num raio de 5km existem a Nordeste jazidas de volfrâmio e a Sul, filões de tungsténio. Visibilidade – O sitio possui uma visibilidade um pouco redutora, sendo o principal quadrante de clareza o vale do Rio Rabagão, voltado a Este.  

Estruturas e material – Foram detectadas algumas estruturas que podem corresponder ao sistema defensivo do povoado. É notório a existência de alinhamento de lajes, supondo a existência de muralhas. A figura 16 (Est. VIII) parece sugerir um fosso defensivo na parte central do povoado. Estas observações foram possíveis, devido á existência de um incêndio em 2005, que permitiu a melhoria da visibilidade no local.

Vegetação – Devido ao incêndio não existe quase vegetação, apesar do crescimento recente de fetos. Existem também pinheiros bravos.  Bibliografia: BAPTISTA 1989 111-124; BARREIROS 1915: 213 nº40

 

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E só restam as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog e nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a sapo encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso ao vosso mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

COSTA José Pedro Oliveira Henriques, Povoamento e organização do território na Proto-História entre as Serras do Gerês, do Barroso e da Cabreira: o caso do Baixo Rabagão - Seminário de Projecto em Arqueologia - Faculdade de Letras da Universidade do Porto - Porto, 2006

 

WEBGRAFIA

 

http://www.jf-ferral.pt/