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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O Barroso aqui tão perto - Fontaínho

29.04.18 | Fer.Ribeiro

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Nesta rubrica de o Barroso aqui tão perto, hoje toca a vez a Fontaínho, que por acaso até é uma das aldeias que para nós flavienses fica no Barroso mais distante, já bem dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês e bem próxima do concelho de Vieira do Minho e de Terras de Bouro, embora entre Fontaínho e estas últimas exista a Serra do Gerês, ou seja, terras vizinhas, mas do outro lado da serra/muralha.

 

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Mas sejamos mais precisos na localização de Fontaínho que, como já perceberam, fica no Barroso verde, que só não é minhoto porque está no limite de Trás-os-Montes e administrativamente pertence ao concelho de Montalegre, de resto, já tem todas as características de terras do Alto Minho. São os tais contrastes e barrosos que existem dentro do todo barrosão.

 

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Pois Fontaínho pertence à freguesia de Cabril, a pouco mais de 1km da sede de freguesia, localiza-se na encosta da montanha com vertente para o Rio Cabril, este a apenas 500m, mas não muito distante do Rio Cávado, a cerca de 2km, aliás tinha de ser, pois ambos os rios se encontram nas proximidades de Cabril, embora não se dê por isso, pois a barragem de Salamonde disfarça este encontro.

 

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Passemos à altitude e coordenadas de Fontaínho.  Geralmente o Barroso é dividido em Alto Barroso e Baixo Barroso (terras altas e terras baixas), mas para mim é uma falsa divisão, principalmente se tivermos a altitude em conta, como por exemplo se passa com Fontaínho, na cota dos 300 metros, próxima dos 400, mas que a menos de 5km a cota já atinge os 1200m. Mas isto são pormenores ou noias minhas, pois no todo é o Barroso aquilo que interessa, e esse é único, mesmo com os seus contrastes, ou talvez por isso mesmo.

 

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Ficam então as coordenadas:

41º 43’ 24.32”N

08º 01’ 31.67”O

Altitude: 400m

E também fica o nosso habitual mapa que servirá de pretexto para passarmos aos itinerários a seguir para chegar a Fontaínho, com partida desde a cidade de Chaves, como sempre.

 

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Pois ficam dois itinerários, o primeiro aquele que recomendamos, hoje por ser o mais interessante e o de menor distância, e um segundo em alternativa, um pouco mais longo mas com melhor estrada.

 

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Então o primeiro itinerário é via EM507, ou seja, estrada de S.Caetano/Soutelinho da Raia, este embora maioritariamente por estradas secundárias, é o mais interessante, pois passa pela Vila de Montalegre e quase metade do percurso é feito dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao todo são 81 km. Atenção que no mapa o traçado passa por Vilar de Perdizes, Solveira, etc. Mas esse troço continua cortado ao trânsito por motivos de obras. Assim, para já, ao chegar a Meixide terá mesmo de optar pela alternativa via Pedrário, Serraquinhos, Cepeda, aliás um troço também bem interessante.  A partir de Montalegre segue-se sempre ao longo do Rio Cávado pela M308 até Sezelhe, aqui entra no Parque Nacional da Peneda-Gerês e segue até à Barragem de Paradela, onde deverá atravessar o paredão da Barragem e seguir sempre pela estrada até encontrar o desvio para Fontaínho, mas primeiro terá de passar ao lado ou por Sirvozelo, Cela, Lapela, Azevedo, Xertelo e Chelo.

 

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A alternativa ao itinerário anterior é via Nacional 103 (estrada de Braga), sempre pela N103 até ao final da Barragem de Venda Nova, aí atravessa o paredão da barragem e segue em direção a Ferral e Cabril, logo a seguir é Fontaínho. Por aqui são mais 6km, 87 no total.

 

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E dos intinerários para o topónimo. Pois segundo a “Toponímia de Barroso” temos:

 

Fontaínho

Tal como tantos outros nomes e muitíssimos topónimos decorre do latino FONS/FONTIS, FONTE por FONTANU > FONTANINO > FONTAIO (com esse i nasalado) > FONTAÍNHO e assim chegou ao hidrotopónimo.

 

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E continua a “Toponímia de Barroso”:

Não se trata de sítio com uma fonte pequeina; é, pelo contrário, lugar de várias fontes. Ou seja, o “inho” não é diminutivo mas adjectivamente frequentativo.

Não cause admiração a forma masculina já que, no latim, as fontes também são masculinas como o deus delas – FONTANUS.

 

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Quanto à “Toponímia Alegre” temos:

 

Apelidos” de Cabril

 

"Moeda falsa de Lapela,

Vinho-azedo de Azevedo,

Cava-touças de Sertelo,

Escorricha-picheis de S. Lourenço,

Rabões de Chelo,

Bufos de Vila Boa,

Lagartos de Fontaínho,

Cinzentos de Chãos,

Carrapatos de Cavalos,

Paparoteiros da Vila

Dente-Grande da Ponte,

Pousa-fois na Chã de Moinho,

Raposos de Busto-Chão."

 

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Hoje temos menos imagens, mesmo porque Fontaínho é uma aldeia pequena, mas também como nada encontrámos nas nossas pesquisas ao seu respeito, exceção para a “Toponímia de Barroso”, que nessa sim, tem um pouco de todas as aldeias. Mas há ainda umas palavrinhas a dizer, as nossas, daquilo que mais gostámos de ver e nos vai surpreendendo.

 

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Pois a presença da Serra do Gerês surpreende sempre, pela sua imponência e ser uma serra de acessos difíceis ou mesmo impossíveis, e ela está bem presente em Fontaínho, pelo menos nas vistas, e como é bom descansar nelas os nossos olhos. A par da serra temos o verde, as paisagens de verde com os seus vários matizes. Terras férteis, parece, pelo menos a julgar pelos canastros, pois não existiriam se a terra não desse coisas para lá meter a secar. A nível de construções são o que mais se destaca, pois estas aldeias nesta zona do Barroso são muito diferentes das aldeias mais a norte, onde os povoados são maiores e mais concentrados em núcleos bem definidos. Digamos o que mais surpreende por aqui é a aspereza da serra de rochedos sem fim a erguerem-se para o céu a contrastarem com os matizes de verdes mais vivos ou menos vivos mas sempre brilhantes das terras mais baixas, onde vão aparecendo pequenos núcleos de casario, de vez em quando interrompidos por um rio ou uma albufeira, a combinação perfeita por onde dá gosto andar à descoberta.

 

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E na ausência de mais documentação ou dados para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas, hoje apenas uma. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014

 

 

 

 

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