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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Abr14

O Barroso aqui tão perto... Histórias da Vermelhinha

 

HISTÓRIAS DE PADRES

 

História de Gatos

 

Menos prudente foi o outro a quem o P.e Cosme inquiriu:

 

- Facadas na castidade?

 

- Facadas em quem?

 

- Se já tiraste o virgo a alguma rapariga?

 

- À minha namorada.

 

- Quando?

 

- Pelo tempo das castanhas.

 

- E continuas a dar nele?

 

- Todas as noites.

 

- Aonde?

 

- Na cama.

 

- Na tua?

 

- Na dela.

 

- Quem é?

 

- A Zulmira Toutinegra.

 

P.e Cosme deu um pulo no assento. A Zulmira era o melhor virgo da freguesia. P.e Cosme fizera dela catequista das crianças e zeladora do altar-mor, na mira de a apanhar a sós na igreja e iniciá-la, a bem ou a mal, no culto de Vénus. Fizera já uma tentativa séria, mas fora repelido a unha e dente. Dente na beiçola, quando tentava beijá-la; unha no pau, quando, levantando de repelão a batina, lhe mostrava o aríete de cabeça ameaçadora apontada ao alvo… Atribuíra tamanha ferocidade à inexperiência da cachopa… E vinha agora este labroste dizer-lhe que a montava todas as noites… P.e Cosme sentiu ganas de lhe apertar o gasganete. Mas dissimulou  a raiva numa voz melíflua:

 

- E como é que tu fazes para ir ter com ela, meu filho?

 

- Vou pela eira, finjo que sou um gato: Miau! Miau!, e ela abre-me a porta.

 

- Ai, que grande pecado meu filho! Duplo e imperdoável pecado! Violação de domicílio alheio e da pureza de menina tão prendada! Só vejo um castigo digno de tal pecado: o inferno! Nem te posso absolver…

 

 

O rapaz ficou apavorado.

 

- A não ser – volveu o confessor – que me prometas uma coisa.

 

- O que Vossa reverência quiser.

 

- Me prometas solenemente que nunca mais lá voltas.

 

O rapaz hesitava.

 

- Lembra-te do fogo do inferno! – insistia o padre. – Prometes ou não?

 

- Prometo.

 

- Eu te absolvo. Vai em paz e não voltes a pecar.

 

O rapaz deixou a igreja e pau murcho.

 

Nos primeiros oito dias fugia da namorada como o diabo da cruz. Ao fim de quinze, espicaçado pela carne e pelas saudades, atirou o cinto às malvas: « Se tiver de ir para o inferno, paciência…»

 

Horas mortas, foi pela soleira da jovem amante fingir de gato: Miau! Miau! Miau!

 

Começaram de dentro: Buf! Buuf! Fff!

 

- Ah! Filho da puta! Que se eu te não tivesse ensinado a miar, já agora tu não me bufavas…

 

Bento da Cruz, In Histórias da Vermelhinha

 

 

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