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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Jan20

O Barroso aqui tão perto - Lama da Missa

Montalegre - Barroso

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Lama da Missa, é este o nome da aldeia barrosã que hoje vamos ter aqui e que tantas vezes calha nos nossos itinerários do Barroso.

 

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Localizada na margem esquerda do rio Rabagão, juntinha ao paredão da barragem do Alto Rabagão, comummente conhecida por barragem dos Pisões, esta localidade um pouco dispersa, situa-se já em plena serra do Barroso, a 900 metros de altitude, ali como quem sobe para os famosos cornos do Barroso e a umas centenas de metros do limite do concelho de Montalegre, confrontante com o concelho de Boticas.

 

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Já que iniciámos com a localização, vamos agora ao nosso itinerário recomendado, que por sinal não é o mais curto, mas que para uma primeira vez recomendamos este, que desde a cidade de Chaves, tem início na EN103 (estrada de Braga), passa pelo nó da A24, Sapiãos até ao Barracão. Aqui recomendamos sair da EN103, virar à esquerda para a M525 em direção a Criande/Morgade, onde encontramos a barragem dos Pisões (margem esquerda). Depois é seguir sempre junto à barragem, passando por Negrões e Vilarinho de Negrões, e logo a seguir é a Lama da Missa, mesmo junto ao paredão da barragem. Ao todo, entre Chaves e a Lama da Missa , são 56,20Km. Mas fica o nosso mapa com as indicações necessárias.

 

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Tal como referimos não é o itinerário mais curto (via Boticas), mas recomendamos este, porque o troço entre Morgade e a Lama da Missa é de passagem obrigatória, com um convite constante a paragens para apreciar a paisagem e fotografar, sempre com a barragem em primeiro plano e as suas aldeias ribeirinhas a entrar pela barragem a dentro, principalmente quando esta está cheia em que a água chega mesmo a tocar em algumas casas.

 

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Há ainda uma terceira opção para chegar à Lama da Missa, que é continuar sempre pela EN103 até aos Pisões e aí, atravessar via paredão da barragem para a outra margem. No final do paredão já é Lama da Missa.

 

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Lama da Missa, que além de calhar em passagem nos nossos itinerários, também é um dos pontos onde com frequência fazemos paragens para repor forças, principalmente depois de uma longa manhã de trabalho na recolha de imagens das aldeias barrosãs, onde há sempre uma mesa cheia de coisas boas, da época de inverno, que se “colhem” nos lareiros, nas salgadeiras e terrenos anexos.

 

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Nesta imagem que atrás fica e na próxima, podemos ver aquilo que, depois de “maduro”, se pode colher nos lareiros, para depois de irem ao pote, à panela e ao lume, sem esquecer à ida à horta, às couves, e ao armazém às batatas, que pode ser na hora. Depois é esperar que o pote fumegue tudo que tem a fumegar, junta-se tudo numa travessa e vai à mesa, acompanhado de bom azeite para quem quiser, mas que até se dispensa e de bom vinho, este não se pode dispensar, pois é como um medicamento que vai ajudar a combater alguma gordura em excesso e a fazer a digestão. Depois disto, convém descansar um bocado, assossegar, mais o corpo do que a alma, antes de se fazer de novo ao caminho.

 

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Quanto à origem deste topónimo, ainda sem consultarmos o que diz a Toponímia de Barroso e outros escritos, mas com aquilo que os seus habitantes e populares nos contaram, dizem ter origem em tempos mais antigos, em que os habitantes da margem esquerda do rio Rabagão, muito antes de existir a barragem dos Pisões, nos invernos mais chuvosos, o rio impedia-os de atravessarem para a outra margem. Aos domingos, quando queriam ir à missa da igreja mais próxima e da freguesia, a de Viade de Baixo, deslocavam-se até ao local mais próximo da igreja que lhes era permitido ir, ou seja uma lama[i] próxima do rio, e desde aí ficavam a “assistir” à missa de Viade de Baixo, mais metro, menos metro, segundo os meus cálculos, a cerca de 1km de distância.

 

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Claro que este “assistir “ à missa, e agora sou eu a supor, seguiria com as rezas habituais das missas, mais ou menos, em simultâneo com o que suporiam estar a acontecer do outro lado do rio, na igreja de Viade de Baixo, pois na altura, não me consta que houvesse altifalantes para reprodução de som, skypes, facebooks com ligações em direto, etc., aliás, nem eletricidade havia. Bem, esta foi a estória que me “venderam”  e não me custa nada, mesmo nada, acreditar nela.

 

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Ainda antes de passarmos ao que encontrámos nas nossas pesquisas, ficam mais algumas impressões pessoais sobre a Lama da Missa, cuja recolha de imagens e de informações não fizemos de uma só vez, mas antes, fomos fazendo ao longo dos anos em que andamos nestas andanças de descobrir o Barroso, que para nós também foi uma lição de como se descobre. Pois de início, ia passando por lá e dizia para com os meus botões – “isto não tem nada para além do restaurante”, mas com o tempo, fomos dando conta que não era bem assim, pois a Lama da Missa não se pode entender como uma povoação tradicional, com um aglomerado histórico e campos à sua volta, nada disso, a Lama da Missa é um conjunto de casario disperso, mais antigo e atualmente abandonado, mais parecendo quintas com os seus conjuntos de casa de habitação e anexos, mas também aqui bem diferentes das quintas tradicionais, em geral abastadas, esta são “quintas” de montanha, mais humildes e mais abrigos do que propriamente quintas.

 

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Hoje em dia, logo a seguir ao restaurante Albufeira, existe sim um pequeno núcleo de casas recentes, mas sem chegar à dúzia. Contudo não deixa de ser interessante, basta deixar as estradas, ou até mesmo nestas, e subir as encostas e adentrar-mos os seus caminhos, para descobrir-mos pormenores e paisagens únicas, quase virgens (às vezes) mas cheias de vida selvagem ou semisselvagem, tal como acontece com o gado doméstico, cavalos, cabras, vacas e burros a viver felizes (suponho) sem ninguém por guarda, embora em campos vedados, à exceção das cabras que essas andam mesmo a monte. Seria uma pena termos ficado pelas primeiras impressões de “isto não tem nada” e termos perdido estes lugares, estas paisagens, este viver a terra no que ela permite ser vivida.

 

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Mas adiantemos e vamos até aquilo que nos dizem os documentos e outras publicações que consultamos, que antevemos ser pouca coisa, tal como acontece na monografia de Montalegre, onde apenas aparecem duas referências, uma no espaço dedicado à freguesia onde se menciona a Lama da Missa como um dos seus lugares e outra, indireta, por calhar na rota das barragens.

 

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Eis a referência que faz a monografia de Montalegre:

 

A grande rota das barragens

Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf,  do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito,  das trutas  e das carpas.

 

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E continua a monografia de Montalegre:

Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”. Lamachã e Vilarinho Seco são aldeias pequenas de rosto antigo, sorridentes nas expressões populares e rodeadas de pastos, campos de milho e centeio. Na descida para Lama da Missa pare e admire o vasto panorama da albufeira da barragem do Alto Rabagão.

 

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Sinceramente mais nada encontrámos nas nossas pesquisas, mesmo na internet, que embora apareçam algumas referências à Lama da Missa, sem interesse para este post, tal como coordenadas, código postal, etc, a única que se repete, e que já indiretamente abordámos, é a do Restaurante Albufeira, a esse sim, há muitas referências. Assim sendo, passemos para o que nos diz a Toponímia de Barroso.

 

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Na Toponímia de Barroso, encontrámos o seguinte (as notas de rodapé são nossas):

 

Lama da Missa

É um lugar muito recente. A lama já lá estaria há muito tempo mas a missa ainda hoje lá não chegou. (veja o topónimo Lamas).[ii]

Conta-se que os habitantes do Telhado, durante os meses de Inverno, visto que não havia ponte sobre o Regavão[iii] para irem à missa a Viade, desciam de suas casas até à lama, ajoelhavam-se, descobriam-se venerantemente e ali esperavam que alguém lhes acenasse com um lençol… Era o sinal da missa em Viade. Daí a Lama da Missa.[iv]

 

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E mais não diz, e mais nada temos para contar, só resta para terminar, sem qualquer intenção de fazer publicidade, agradecer a forma como sempre fomos recebidos no Restaurante Albufeira, inclusive quando aparecemos fora de horas ou quando está à pinha, nunca saímos de lá sem comer e satisfeitos. Um obrigado ao Paulo Pinto, à mãe e às empregadas lá do sítio (do Restaurante e da Lama da Missa e redondezas). 

 

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E agora o vídeo com todas as imagens publicadas. Não deixamos referência para posts anteriores, porque este é o primeiro que dedicamos à Lama da Missa.

 

 

 As nossas consultas:

 

BIBLIOGRAFIA:

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

http://toponimialusitana.blogspot.pt

https://dicionario.priberam.org/lama - "lama", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020,  [consultado em 12-01-2020].

 

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[i] Conjunto de matérias soltas do solo ensopadas em água

[ii]  Que nós fomos ver, mas como apenas se refere ao significado e origem da palavra “Lamas”, não tem interesse para este post, além de o significado já o termos deixado neste post.

[iii] Em geral é grafado como Rio Rabagão

[iv] “Quem conta um conto, acrescenta um ponto”, como veem os ditados populares têm sempre razão. A estória que me contaram é ligeiramente diferente e como nunca foi grafada em qualquer documento, a não ser os atuais em que começa sempre por “conta-se”, “disseram-nos”, “diz o povo”, ou seja, é feita a história à maneira cigana, vai passando de geração em geração oralmente, daí, embora todas as estórias andem à volta do mesmo, todas elas são diferentes e igualmente válidas. Aqui temos duas…

 

 

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