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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Abr18

O Barroso aqui tão perto - Linharelhos

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Hoje abrimos a porta a Linharelhos, o nosso destino de hoje para o Barroso aqui tão perto, onde fomos encontrar um velho amigo nosso, que em tempos tinha honras aqui no blog, por ser sempre fiel, resistente, popular, o melhor. Refiro-me ao fio azul que em Linharelhos encontrámos numa das suas funções mais conhecidas — o de fechar portas — que neste caso até nem estava em destaque, pois este ia mesmo para a porta da entrada nº22 com o seu amarelo forte, uma delícia para o olhar.

 

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Embora já tivéssemos deixado duas imagens para trás, a verdade é que não foram os primeiros olhares que lançámos. O primeiro olhar que registamos sempre é o da placa da estrada a anunciar a entrada da aldeia. é um velho truque nosso que nos serve de separador na hora de arquivar as fotografias, pois já sabemos que a partir desse olhar as imagens são todas dessa aldeia até que nos apareça a próxima placa com outra aldeia. Funciona sempre.

 

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Mas a imagem que vale mesmo como a nossa primeira recolha é mesma a segunda imagem de arquivo, que hoje aqui deixamos (foto anterior) e que nos leva ao engano, pois na placa toponímica está inscrito “Rua dos Penedos” e na realidade a construção está mesmo construída em cima de penedos, aliás um deles faz mesmo parte da parede da construção. Pensávamos nós então que lá iríamos ter mais uma aldeia tipo Ponteira, tanto mais que estávamos em território de minas, mas não, afinal os penedos ficavam-se por ali, e entrávamos  no verde característico da freguesia de Salto, à qual pertence a nossa aldeia de hoje.

 

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Antes ainda de entrármos na intimidade da aldeia, vamos à sua localização e ao nosso itinerário para chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Hoje começamos pelas coordenadas da aldeia e pela altitude:

41º 49’ 43.37” N

7º 59’ 33.60” O

Altitude: entre os 850 e 860 metros.

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Quanto ao itinerário optámos pela estrada de Braga (EN103) até Sapiãos, aí virámos para Boticas, a partir da qual tomámos a N311 até Salto, ou quase, pois mal se deixa a N311 tem de se apanhar o CM1025 em direção às minas da Borralha, passando-se ao lado destas, continuando pela estrada que entretanto passa a M623 para logo a seguir termos Linharelhos, a aproximadamente 1,5km.  Mas fica o nosso mapa com o traçado do itinerário.

 

linharelhos~map.jpg

 

Chegados a Linharelhos, chegamos também ao limite do concelho de Montalegre, pois Linharelhos queima mesmo o limite do concelho, penso que inclusive algumas das suas terras e construções estão mesmo já em concelho de Vieira do Minho, tendo como aldeia vizinha e bem próxima (a apenas 500m) a aldeia de Lamalonga, de Vieira do Minho.

 

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Como alternativa ao nosso itinerário, pode apanhar na mesma a EN103 e continuar por ela até passar a Venda Nova, onde antes de chegar a Padrões terá uma saída da EN103, à esquerda, em direção à Borralha, onde a partir desta deverá seguir pelo nosso itinerário inicial.

 

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Linharelhos é constituída por dois núcleos de aglomerados de construções perfeitamente bem definidos, ambos rodeados por pastos e terras de cultivo que se prolongam por terras de Vieira do Minho. Em sentido contrário a realidade é bem diferente, ou era, pois a apenas 500 metros já se entrava em território das minas da Borralha onde a paisagem, sem deixar de ser interessante, ganha outros contrastes.

 

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Quanto à intimidade dos núcleos de Linharelhos, um deles parece-nos ser mais antigo que o outro, sendo o mais antigo o que tem a capela, onde as construções assumem a tipicidade da zona, maioritariamente com granito amarelo à vista, que no dia em que visitámos a aldeia estava exacerbado pela água das chuvas, pois o granito molhado ganha sempre um brilho e cores mais vivas, que na minha opinião resulta na perfeição em fotografia.

 

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O segundo núcleo, além de me parecer mais recente, tem construções mais nobres, também com granito à vista, mas em perpianho onde se destacam algumas obras de arte de cantaria, como um relógio de sol onde está inscrito o ano de 1871, parece-me, pois o último número não garanto que seja o 1. Também chamou a nossa atenção uma construção com pátio interior rodeado por uma varanda coberta apoiada em colunas de granito, embora esta nos tivesse parecido abandonada.

 

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Também é terra de canastros, alguns deles com dimensões maiores que os canastros habituais ou mais comuns. Quase todos em bom estado ou estado aceitável de conservação o que pela certa significa que ainda são utilizados paras as funções que foram construídos.

 

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Resumindo, gostámos daquilo que vimos, embora seja notório que a aldeia já conheceu melhores dias.  Pena mesmo ver abandonadas e/ou deterioradas algumas daquelas que foram as suas melhores construções, o que daria uma outra vida à aldeia.

 

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Quanto às nossas pesquisas, encontrámos umas coisinhas na wikipédia, que vamos considerar como válidas:

“ Fica situada no sopé da Serra da Cabreira, com vista para a Serra do Gerês e para a Barragem da Venda Nova.

Linharelos foi em tempos, uma aldeia muito movimentada e procurada pela riqueza da região em volfrâmio (nas minas da Borralha, especialmente).

Tem como padroeira Santa Comba, festejada a 31 de Dezembro.”

 

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Também ficámos a saber da existência de uma associação a ARECAMLIN - ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURAL AMIGOS DE LINHARELHOS, que pensamos ainda existir, isto a julgar por uma proposta da C.M.de Montalegre para ceder o edifício onde funcionou a escola da aldeia. Mas mais nada sabemos a respeito desta associação.

 

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Encontrámos também um blog — http://linharelhoscity.blogspot.pt/ — que teve início em setembro de 2004, mas que conta com a sua última publicação em setembro de 2013. Mas há por lá alguns vídeos da vida da aldeia que vale a pena ver para se ficar a conhecer mais um pouco da aldeia.

 

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Num outro blog — http://norteportugues.blogspot.pt/ — encontrámos também alguma informação (o sublinhado e negrito é nosso):

 “O censo da população de 1530, ordenado por D. João III, indica moradores ou fogos nas seguintes povoações: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14. (…) Em 1768(?) Salto e Cerdeira (…) constam ambos de trinta vizinhos; Linharelhos consta de doze fogos; Caniçó, treze; Paredes, quatro; Corva, dezoito; Ameal, cinco; Bagulham, dez; Ludeirodarque, seis; Póvoa, nove; Carvalho, onze; Beçós, dez; Reboreda, vinte; Taboadella, seis; Seara, cinco; Pereira, nove; Amear, vinte e Pomar da Rainha, seis.(…) Um ensaio estatístico de 1836 fornece indicações dos seguintes lugares e habitantes: Ameal, 36; Armiar, 73; Bagulhão, 67; Caniçó, 93; Corva, 73; Linharelhos, 48; Paredes, 27; Pereira, 53; Pomar de Rainha, 48; Póvoa, 34; Reboreda, 91; Salto, 113; Cerdeira, 34; Tabuadela, 59.”

 

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No livro Montalegre, apenas a referência de que Linharelhos pertence à freguesia de Salto. Já no Toponímia de Barroso temos:

Linharelhos

“Deriva do arcaico LINHAR+ELHOS. É a toponímia do linho, pelo latino < LINU.

Em 1258 «dixit quod Canisoo et Linarelios et Soutelo viderunt eas tenere Domno Egídio Vadasci».

Parecendo estar ainda numa forma tão primitiva, a verdade é que no século XVII já estava completamente estabelecido o topónimo como documenta o Arq. Hist. De Portugal, em 1531.

O povo pronuncia muitas vezes Ninarelhos na troca corrente do n e do l, o que sucede com diferentes vocábulos: por exemplo o nome latino glovellu < novelo, em vez de Lovelo.”

 

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Na Toponímia Alegre temos:

 

Apelidos de Salto

Pomar da Rainha nem pão nem farinha,

Pereira fome lazeira,

Amiar fome de rachar,

Borralha saco de palha,

Linharelhos tripas de coelhos,

Caniçó arca de pó

Paredes armadores de redes.

(…)”

 

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E na ausência de mais documentação para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA


BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Linharelhos

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

 

 

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