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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O Barroso aqui tão perto... Meixedo

24.04.16 | Fer.Ribeiro

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 O forno do povo com a serra do Larouco ao fundo

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Continuando os nossos domingos por terras do Barroso. Hoje vamos até Meixedo, que, para quem vai de Chaves, via Vilar de Perdizes ou via Pedrário, é a última aldeia por onde passamos para chegar  Montalegre, apenas a cerca de 4 quilómetros do centro da Vila.

 

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Ainda recordo de, na viagem de Chaves até Montalegre, ter de atravessar pelo centro das aldeias que nos ficavam no caminho. Com a nova estrada as aldeias ficam-nos ao lado, pelo que, para as conhecermos temos de deixar a estrada principal e entrar nas aldeias, e, em geral, para quem gosta de conhecer as nossas aldeias, vale sempre a pena entrar nelas, principalmente se mantêm a sua integridade de aldeia sem grandes atentados da modernidade.

 

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Meixedo embora próxima da Vila de Montalegre, não sofreu muito com as novas intervenções no casario. Há algumas, mas poucas e de entre elas até as há em que o bom gosto de preservar o existente.

 

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Mas vamos lá entrar em Meixedo. Como sempre nas terras que não conhecemos tentamos encontrar alguém que nos dê dois dedos de conversa e nos conte algumas coisas da aldeia e nos alerte para quilo que no seu entender devemos visitar, ver e fotografar. Em Meixedo encontrámos a Srª Maria Rua, ou Maria do “Brasileiro”, pois segundo a senhora é assim que ela é conhecida. Tem oitenta e poucos anos, viúva, com três filhos na América e um em Lisboa e vive numa das tais casas onde houve o bem gosto na recuperação.

 

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A senhora Maria falou-nos da casa da sineta situada no largo principal (na 2ª foto de hoje) e que ainda se via de sua casa. Casa da sineta por ter um sino, ser do povo e por ter servido para convocar o povo, dar alertas de incêndio ou juntar a vezeira. Era também uma das casas do boi do povo. Falou-nos ainda do forno do povo, da fonte de mergulho e da igreja matriz. Coisas da aldeia que o seu filho de lisboa via às vezes na internet. Depois de lhe dizermos ao que andávamos, precisamente à caça de imagens para trazermos Meixedo à internet, lançamos-lhe o desafio de fazer uma surpresa ao filho, com uma foto sua também na net. Acedeu embora lamentasse não estar lá muito bem arranjada para a fotografia.

 

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Pois em vez de uma foto deixamos duas, mas a Srª Maria Rua não é a única a estar por aqui hoje. Pois depois de conversarmos com ela, uma jovem da aldeia quis saber ao que andávamos. Curiosidade natural e até de precaução para quem vê estranhos a meter o bedelho nas suas aldeias. Habituados à pergunta lá lhe fomos responder ao que íamos e vai daí, já que era de fotografias que se tratava apontou-nos o Sr. António “Americano” para constar da reportagem. E o Sr. António disse que sim, mas só se ela também ficasse na foto. Pois o prometido é devido e aqui estão.

 

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Continuando com as imagens à margem do casario, vamos a outra. Como em todas as aldeias há sempre um galã, às vezes loiro e de olhos azuis. Aliás ter olhos azuis é quase sinónimo de ser galã e em Meixedo também há olhos azuis, mas não em gente, mas no seu melhor amigo. Para além dos Husky Siberianos e outros familiares seus, admito que nunca tinha visto um cão com olhos azuis, bem clarinhos, quase brancos. Um bonito exemplar ao qual não resisti tomar também uma foto.

 

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Mas não ficamos por aqui, pois da penúltima vez que passámos por Meixedo assistimos a uma curiosa invasão do campo de futebol, pois não era de gente, mas de vacas. Mas afinal não se tratava de nenhuma invasão, mas sim de um atalho a caminho da corte. Também não resistimos a tomar uma imagem, e cá ficam as vacas e a baliza.

 

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Regressemos ao casario e a um pouco da história da Meixedo, que na ausência de informação própria, recorremos àquela que está disponível na net, em dois sítios, no do Município de Montalegre e no da Junta de Freguesia. No sítio do município encontrámos um pouco da história:

“Como Gralhas e outras mais,Meixedo foi uma das honras de Barroso. Por ser lugar honrado os reis não possuíam aí reguengos. Bem pelo contrário o seu termo (só de Meixêdo) constituía “um couto coutado por padrões separados que coutou o Senhor Rei Afonso primeiro ao Hospital” (à ordem dos Hospitalários). Esta tinha sido fundada após a conquista de Jerusalém pelos Cruzados, em 1099. Por ser a única dádiva à dita Ordem dos Hospitalários, em Barroso, a gente de Meixedo deve considerar-se muito honrada. A Capela de São Sebastião é um dos poucos sinais vivos da enormíssima devoção a este Santo, depois da peste de 1570, e, sobretudo, após o renascimento do Sebastianismo, com a morte de D. Sebastião, em 4 de Agosto de 1578”

 

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No sítio da Junta de Freguesia na net a informação é mais pormenorizada, começando por um breve historial:

“É muito provável que o topónimo da freguesia derive de “Ameixêdo”, contudo existem opiniões segundo as quais, a sua origem seria do árabe “Machad” que significa entrada violenta.

A origem da freguesia é pré-histórica, tendo sido aqui identificado um dólmen, no Monte do Facho. Também algumas mamoas aqui existentes podem atestar a antiguidade desta freguesia.

Meixedo foi uma das honras de Barroso. Por ser lugar honrado os Reis não possuíam aí reguengos. Bem pelo contrário o seu termo (só de Meixedo) constituía “um couto coutado por padrões separados que coutou o Senhor Rei Afonso primeiro ao Hospital” (à ordem dos Hospitalários). Esta tinha sido fundada após a conquista de Jerusalém pelos Cruzados, em 1099. Por ser a única dádiva à dita Ordem dos Hospitalários, em Barroso, a gente de Meixedo deve considerar-se muito honrada.

A Capela de São Sebastião é um dos poucos sinais vivos da enormíssima devoção a este Santo, depois da peste de 1570, e, sobretudo, após o renascimento do Sebastianismo, com a morte de D. Sebastião, em 4 de Agosto de 1578.”

 

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Ainda no sítio da freguesia há uma pequena descrição do seu património e pontos turísticos de interesse, nomeadamente da Igreja Matriz e da Capela de S.Sebastião de estilo tardo-barroco popular, construída no ano de 1813, tendo ao lado um curioso calvário com sete cruzeiros.

 

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As fontes, o forno do povo idêntico ao de outras aldeias barrosãs, com cobertura em lajes de pedra, a casa senhorial e casa da sineta já atrás referida, um cruzeiro e as alminhas, os moinhos e o tanque do eirão, este apontado como ex-libris da aldeia de Meixedo, a dar as boas vindas no largo central aos seus visitantes. Magnifica construção do ano 1785. São outros ponto de interesse indicado no sítio da Net da Junta de Freguesia.

 

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O mesmo sítio da Net da Freguesia aponta ainda como património arqueológico as Mamoas da Veiga, um conjunto megalítico que remonta ao 3º milénio a.C. e como património natural os penedos do Cavalo de Pau e os fraguiços da pala.

 

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Para terminar só falta referir o Orago de Meixedo que é a Nossa Senhora da Natividade.

 

Ficam também os sítios consultado na net:

 

http://www.cm-montalegre.pt/

http://www.jfmeixedo.com/

 

Anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489