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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Jan20

O Barroso aqui tão perto - Peireses

aldeias do barroso

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montalegre (549)

 

Esta abordagem às aldeias do Barroso de Montalegre, foi sendo feita de forma aleatória, sem qualquer ordem previamente definida, no entanto houve algumas exceções, com aldeias que foram ficando para o fim propositadamente, tudo porque estava pensada para elas uma abordagem diferente, mais aprofundada, porque havia razões e conteúdos para isso. Peireses[i] foi uma dessas aldeias, tudo porque nela nasceu um dos mais ilustres barrosões de sempre – Bento da Cruz.

 

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Tinha inicialmente pensado para Peireses fazer a abordagem habitual, tal como o faço com todas as aldeias, mas acrescido de um capítulo inteiramente dedicado a Bento da Cruz, no entanto mudei de ideias, e Bento da Cruz irá ter aqui um post apenas dedicado a ele, pois trazê-lo aqui conjuntamente com a aldeia daria um longo post, além de, confesso, não estar ainda preparado nem devidamente documentado para o fazer. Mas terá aqui o seu post futuro, tal como também terá aqui hoje uma abordagem mais superficial, como não poderia deixar de ser.

 

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Vamos então até Peireses e para ir até lá, hoje recomendamos um dos itinerários que mais gostamos de fazer até Montalegre, que é via M507, ou seja via São Caetano e Soutelinho da Raia, para logo a seguir entrarmos no concelho de Montalegre, com passagem por Meixide, na tal aldeia que se tem de tomar a opção de ir até Montalegre via Vilar de Perdizes ou via Pedrário. Para Peireses, vamos optar por ir via Vilar de Perdizes até Meixedo, já às portas de Montalegre. Em Meixedo abandonamos a M508 contornando a aldeia e tomamos o CM1006, mas apenas numas centenas de metros, pois logo a seguir à saída da aldeia a estrada bifurca, onde devemos optar pela estrada da direita em direção a Codeçoso, onde logo na entrada, junto ao cemitério, devemos virar à direita, sem entrar na aldeia. Há uma placa no entroncamento (junto a umas alminhas), a indicar Peireses e Gorda, devemos seguir por aí até encontrarmos a M308, que virando à direita nos levará até Montalegre, mas o nosso destino é para a esquerda, até á Gorda, onde devemos abandonar a M308 e, finalmente, virar à direita em direção a Peireses, que fica a menos de 1km de distância. Mas fica o nosso mapa com as indicações necessárias.

 

mapa-peireses.jpg

 

Embora Peireses seja vulgarmente conhecida apenas por este topónimo, teríamos que lhe acrescentar Peireses da Chã, não só por pertencer a freguesia da Chã, mas também por se localizar numa chã, na grande chã ou planalto da Serra do Larouco.

 

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Peireses é uma das aldeias do Alto Barroso, implantada numa cota que ronda os 930 metros de altitude, ligeiramente abaixo da cota de Montalegre, ou seja, terra fria com nevadas frequentes, onde a agricultura e o gado são a principal ocupação da aldeia, e onde se encontram alguns castanheiros, que a julgar pelo porte, são centenários, ou seja, poderia ser terra de castanha.

 

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Ainda antes de deixar aqui aquilo que encontrámos nas nossas pesquisas sobre a aldeia, façamos então a devida abordagem a Bento da Cruz, ainda um resumo da sua biografia, que por sinal é a que consta na Wikipédia.

 

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Bento da Cruz - Fotografia tomada no lançamento de “A Fárria” em Chaves, no dia 12 de março de 2010

 

Bento da Cruz (Bento Gonçalves da Cruz), filho de Manuel Gonçalves da Cruz e Maria Alves, pequenos proprietários rurais (chamados de «Os Marinheiros»), nasceu em Peireses (Peirezes, na grafia antiga), uma modesta aldeia pertencente à freguesia de S. Vicente da Chã, concelho de Montalegre, a 22 de Fevereiro de 1925. Desde cedo foi iniciado no trabalho do campo e na pastorícia, único sustento da família. A miséria e as dificuldades que então viu no povo do seu tempo irão marcar profundamente toda a sua obra. Segundo os seus contemporâneos, era desejo de seus pais ter um filho presbítero de tal modo que quase todos os filhos varões frequentaram o Seminário. O Povo recorda ainda hoje o sacrifício que os progenitores empreenderam para que eles pudessem estudar.

 

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Ainda na Wikipédia:

Assim, depois de concluir os primeiros estudos, ingressou a 16 de Outubro de 1940, na Escola Claustral de Singeverga, dirigida por monges Beneditinos, disposto a seguir a vida religiosa. Aí concluiu com distinção o antigo Curso dos Seminários e foi director literário das revistas estudantis «O Colégio» e «Claustrália». Leu os Grandes Clássicos da Antiguidade. Entrou no noviciado em 1945. Porém, terminado este, decidiu abandonar a ordem em 1946, curiosamente também no dia 16 de Outubro.

Ainda Hoje mantém cordiais relações com os Monges de Singeverga, onde participa regularmente em encontros de antigos alunos.

Conta sobre esse período: "fui cumpridor da regra e apontado como exemplo. A minha saída do seminário pode ter afectado alguns condiscípulos que me tomaram como referência. A maior pena que me ficou desse tempo foi não ter vivido essa extraordinária experiência de vida na aldeia entre os 15 e os 21 anos. Senti toda a vida a falta desse percurso de juventude." A sua primeira Obra « Hemoptise» dá-nos a conhecer esta etapa da sua caminhada.

 

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Bento da Cruz - Fotografia tomada no lançamento de “A Fárria” em Chaves, no dia 12 de março de 2010

 

Ainda na Wikipédia:

Dois anos depois matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Concluída a formatura, abriu consultório de clínica geral em Souselas, no concelho de Coimbra, em 1955. Pouco depois, em 1956, estabeleceu-se no Barroso, praticando clínica geral e estomatologia. Teve consultório na aldeia de Pisões, onde então se empreendia a construção de uma das maiores albufeiras do País, a Barragem do Alto Rabagão (concluída em 1964), hoje «Empreendimento Hidroélectrico do Alto Rabagão», onde prestou serviço aos muitos trabalhadores que a construíram.

Como Médico percorreu toda a região de Barroso. Fica conhecido pelo serviço aos pobres a quem não levava dinheiro e até oferecia os medicamentos. Existe um vasto leque de testemunhos de como, naquela terra isolada, curou e salvou inúmeras vidas.

 

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Ainda na Wikipédia:

Em 1971 fixa-se no Porto, onde se manteve até ao final da vida, e onde exerceu medicina até se reformar. Depois do 25 de Abril de 1974, funda o jornal «Correio do Planalto». Bento da Cruz nunca se desligou da aldeia e do mundo rural em que nasceu. Visita-a regularmente e nela gozou sempre as férias e os tempos de descanso. Nela se inspira e escreve. Os muito famosos «Prolegómenos», crónicas que manteve no seu Jornal (das quais resultaram três obras com esse título), abordam na sua maioria temáticas rurais e histórias de antanho. É frequente encontrá-lo nos seus muitos passeios pelos campos e velhos caminhos da terra. Reconstruiu a casa de seu avô de forma rústica e tudo nela evoca o Barroso de antigamente.

 

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Bento da Cruz - Fotografia tomada no lançamento de “A Fárria” em Chaves, no dia 12 de março de 2010

 

Ainda na Wikipédia:

Foi nomeado Patrono da Escola Secundária de Montalegre (Escola Secundária Dr. Bento da Cruz), onde nesta primeira década do terceiro milénio lhe foi dedicado um busto. Algumas ruas da vila foram também baptizadas com o seu nome. Na portaria da escola está, numa placa de mármore, uma das suas mais belas afirmações: «O Barroso é um Paraíso, o único ou um dos poucos que ainda existem à face da terra.»

 

Maçon, membro do Grande Oriente Lusitano e obreiro do Rito Escocês Antigo e Aceito, tendo ascendido ao 33.º Grau.

 

Bento da Cruz é, sem dúvida, um dos maiores escritores Transmontanos de todos os tempos. Faleceu, na sua casa do Porto, a 25 de Agosto de 2015 e será sepultado na sua aldeia de Peirezes da Chã no dia 27.[1] [2] [3]

 

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Bento da Cruz

Fotografia tomada no lançamento de “A Fárria” em Chaves, no dia 12 de março de 2010

Ainda na Wikipédia:

Obra

Romance e contos:

Hemoptise, sob o pseudónimo de Sabiel Truta, 1959; Planalto em Chamas, 1963; Ao Longo da Fronteira, 1964; Filhas de Loth, 1967; Contos de Gostofrio, 1973; O Lobo Guerrilheiro, 1980; Planalto do Gostofrio, 1982; Histórias da Vermelhinha, 1991; Planalto de Gostofrio, 1992; Histórias de Lana-Caprina, 1994; O Retábulo das Virgens Loucas, 1996; A Loba, 1999; A Lenda de Hiran e Belkiss, de 2005; A Fárria, de 2010 (comemoração dos 50 anos de vida Literária).

Biografia:

Victor Branco: Escritor Barrosão, Vida e Obra, 1995; Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os Montes, 2005; Camilo Castelo Branco: Por terras de Barroso e outros lugares, 2012.

Crónicas:

Prolegómenos, 2007; Prolegómenos II, 2009[4][5]; Prolegómenos III, 2013

 

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Continuemos com as nossas pesquisas. Na monografia Montalegre encontrámos o seguinte:

 

BARROSO,

As tuas terras dão,

o mineral e o pão

viva Barroso!

 

Barroso,

Terra do pão,

Do minério e do carvão,

Viva Barroso! (Com música própria)

 

Com efeito daqui saíam enormes carroções de cereais (cevada, painço e centeio) e de minérios (sobretudo, estanho e oiro) que ajudaram os homens do Lácio a fazer de Roma o que ela é e a manter o império ao longo de meio milénio. Memórias dessas eras são o Pindo, o Vinhouro, as Calçadas de Currais e de Espindo, as reformadas pontes de Campos, de Peireses e do Cortiço, os achados de inúmeras moedas (…)

 

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E continua:

Ainda ostenta evidentes vestígios da sua importância constante nos tempos medievais e clássicos. Cinco das suas doze povoações receberam a visita da estrada Romana – a XVII do Itinerário de Antonino: Penedones (Santo Aleixo), Travaços, São Vicente, Peireses e Gralhós. Pouco mais jovem que a via Romana é a ara que recentemente se achou em São Vicente – sinal inequívoco de que no outeiro (altarium) onde o cristianismo ergueu o templo românico, séculos antes, os povos que nos antecederam, aí adoravam o seu “Deus Óptimo Máximo”.

 

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Vamos agora até a Toponímia de Barroso”

 

Peireses

Pelo occitano Peir ou Peire que corresponde a Pero, Pedro, Pier, Pierre, etc.

Já nas inquirições de D.Dinis N.A.492, f. 4-3 e Rolo 1030 F.114 v, declara-se textualmente:

-1290 “Item o logar que chamam Peires he herdamento de filhos dalgo he defendem no por onrra!”

Não restam daí dúvidas que o topónimo se referia a família ou famílias de “Pedros” cuja linhagem se desconhece em absoluto por não constar das crónicas. E também não aparece em 1258 INQ nem 1282 INQ sobre os herdamentos foreiros.

 

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Continua a “Toponímia de Barroso”

É muito possível que se tratasse de gente vinda da Aquitânia ou Catalunha e se pusesse ao serviço de algum nobre para se eximir aos foros como sucedeu, mas agora documentalmente, com Currais.

Do que não há dúvidas é da sua origem do occitano Peire, que também aparece grafado Peiros, no Numeramento de 1530, e que é o plural que o Povo escolheria para o antropónimo Peire!

O Aqrquivo Histórico Português, de 1530, pela mão de Braamcamp Freire, chama-lhe Peiros.

Peire+enses = Peirenses, como Cambeses e Barreses – nome de imigrantes!

 

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E na Toponímia Alegre temos o seguinte:

Chã - São Vicente

Ruim sítio, ruim gente

Coelheiros de Medeiros,

Ciganos de Peireses,

Pretinhos de Travaços da Chã,

Cruz-veigas de Gralhós,

Viajantes de Penedones,

Carvoeiros de Castanheira,

Torgueiros de Torgueda,

De Fírvidas são salta-pocinhas e

Arranca-torgos de Codeçoso da Chã.

 

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Encontrámos também algumas referências à ponte romana, quer em sinalização  de rua, quer na internet e outros documento. Não temos imagens porque não fomos ao local, mas segundo as descrições, mais ou menos idênticas, trata-se de uma pequena ponte sobre o rio Rabagão, de um arco só e faria parte da Via Romana XVII, entre Braga e Astorga. No entanto, algumas referências, afirmam que esta ponte não tem características suficientes para que se possa confirmar a sua romanidade, afirmando-se também, que tudo indica ter existido uma ponte romana no local, mas que não seria esta atual, podendo esta, ter resultado de uma reconstrução na época medieval, não seguindo as características da original. Mas tudo são suposições e valem o que valem, tal como tudo na história quando não há documentos que atestem de forma inequívoca a sua veracidade. Da minha parte, quer seja romana ou medieval, tanto faz, o que importa é que serve perfeitamente para os fins que foi construída de atravessar para a outra margem do rio.

 

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E estamos chegados àquela parte em que entra o vídeo com todas as imagens publicadas aqui no blog sobre a aldeia de Peireses, que no caso, são as imagens do post de hoje. Espero que gostem.

 

 

Nas nossas pesquisas na internet, encontrámos um sítio no facebook dedicado à aldeia:

Peirezes da Chã - https://www.facebook.com/ALDEIA.PEIREZES/

E também um blog (Franco-Portugais),  que embora já não seja atualizado há uns anos, continua a ter alguma informação sobre a aldeia:

Aldeia de Peirezes da Chã: https://peirezes.skyrock.com/1.html

 

1600-peireses (15)

 

E por último, ficam as referências às nossas consultas:

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

 

www.cm-montalegre.pt/  - (consultada em 18-01-2020)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_da_Cruz -  (consultada em 18-01-2020)

 

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[i] Peireses que também aparece muitas vezes grafada como Peirezes (com z). Pelo que me apercebi a forma atual de a grafar é com S e a antiga com Z, no entanto os naturais da aldeia, parece-me, preferirem grafá-la com Z, pelo menos no sítio do facebook e blog da aldeia para os quais deixei link no post, assim acontece.

 

 

 

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