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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Jun20

O Barroso aqui tão perto - São Salvador de Viveiro

Aldeias de Barroso - Boticas

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São Salvador de Viveiro

 

Nesta nossa ronda pelo Barroso de Boticas, hoje chegou a vez da aldeia de São Salvador de Viveiro, ou simplesmente Viveiro, como comummente é conhecida.

 

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Era uma aldeia que tínhamos uma certa curiosidade em abordar, isto porque alguém nos falara dela, dizendo-nos ser uma das aldeias mais interessantes do concelho de Boticas, e por conseguinte, o seria também do Barroso.

 

 

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Já ia sendo nossa conhecida ao longe, pelo menos vista desde o Outeiro Castro Lesenho ou da estrada que liga a ER311 à aldeia de Carvalho, desde onde, de ambos os locais, dá para perceber um pouco da aldeia no seu todo, sendo nítido que São Salvador de Viveiro se desenvolve em dois núcleos distintos e até separados fisicamente. Um núcleo mais antigo e o outro bem mais recente. Colocadas e parecendo terem sido construídas e localizadas estrategicamente, e precisamente entre esses dois nucelos, está a estrada de acesso à aldeia e escola primária. Mas penso ter sido apenas uma coincidência.

 

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Claro que estes dois núcleos têm características completamente diferentes. O núcleo mais antigo é mais concentrado e denso, com ruas estreitas e o casario antigo e tipicamente barroso-transmontano, com casas construídas em granito de pedra solta, à vezes em perpianho e quase todo unido por paredes meeiras a desenvolver-se ao longo desses arruamentos.

 

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Já o núcleo mais recente, embora concentrado é mais disperso, com construções isoladas, cada uma delas com os seus quintais de terreno envolvente, com um tipo de construção mais globalizado, pós anos 70 e um pouco igual por todo o país, onde a pedra é substituída por paredes de alvenaria de tijolo ou bloco de cimento, rebocadas e pintadas ao gosto do freguês, onde não faltam também, algumas de influência francesa e suíça, tipo “maison”.

 

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O Núcleo novo, por ser mais aberto, disperso e mais colorido, ou pelo menos a emitir a luz que o granito velho das casas antigas não emite, torna-se mais visível ao longe, enganando quem vê a aldeia à distância, pelo menos a nós que nos interessa muito mais o Barroso típico e mais antigo. Mas lá diz o ditado, “as aparências iludem”, e aquilo que a aldeia aparenta ao longe, não mostra a realidade da sua intimidade. Diga-se também, em abono da verdade, que pelo menos houve o bom senso de manter o núcleo antigo mais ou menos bem preservado, enquanto que o novo núcleo, é implantado num espaço próprio, que em nada interfere com o antigo, tal como deveria acontecer em todas estas aldeias seculares.

 

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Mas avancemos para a intimidade da aldeia,  e para a nossa primeira e única visita que lhe fizemos para a recolha fotográfica e de algumas informações,  para a podermos ter hoje aqui. Pois foi assim, segundo os meus apontamentos do dia, registados à chegada e entrada da aldeia, com a escola em frente, temos:  “Viveiro, dia 1 de junho de 2018, chegada às 8h07, dia muito nublado e escuro”. Recordo que a seguir a estas notas, vimos uma placa que nos indicava – SANTUÁRIO -  para a direita. Ora já nem parámos, tão rápido entramos na aldeia como saímos, em direção ao Santuário, que mais à frente, noutra placa, viemos a saber ser o  Santuário do Divino Salvador.

 

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Bendita a hora em que vimos e seguimos a placa do santuário, pois este post não ficaria completo sem as suas imagens do santuário. Um pequeno conjunto isolado e protegido por uma pequena elevação, onde o silêncio só não é silêncio porque a passarada insiste em quebrá-lo com o seu chilrear e algumas melodias.

 

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Visitado o Santuário, onde acabámos por estar quase uma hora, regressámos à aldeia, nova passagem pelo seu núcleo novo, sem parar, e fomos indo até atingirmos um pequeno largo antes da igreja. Parámos para as primeiras fotos, e pelos inícios a aldeia prometia. Não só o casario mas também o movimento da aldeia, em hora de ponta da saída do gado para as pastagens.

 

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Gado que se repetia, no seu andar pachorrento, em quase todas as ruas da aldeia havia vacas e de vez em quando um touro, de raça barrosã e outras raças à mistura, tantas, que cheguei a uma altura comentei com um senhor da aldeia que levava meia dúzia delas para a pastagem: “ Caramba, nunca vi uma aldeia com tanta vaca…”, ao que me respondeu, e isto não é nada, só tenho 9, há e um que tem 40.

 

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E la fomos andando e indo pelas ruas da aldeia, aqui e ali mais vacas, todas a sair da aldeia em direção às suas pastagens, e no entretanto uma cadelita aproximou-se de nós, não sei se meiga ou desconfiada, acompanhou-nos uns instantes até que fez um pequeno desvio, abeirou-se de umas portas carrais e de um buraco espreitam dois cachorrinhos. Ah! Mãe vaidosa, sabedora de ser mãe de cachorrinhos tão bonitos e tratados, foi chamar-nos e chamar os cachorrinhos para a fotografia.

 

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Claro que nos deliciamos a fotografar aquelas beldades, a cadelita, sempre ao nosso lado, continuava meiga e vaidosa, penso mesmo que estava a perceber aquilo que dizíamos. Mas foi tempo de partir, que o caminho faz-se andando e nós para esse dia ainda tínhamos muito caminho para trilhar, e Bostofrio já estava à nossa espera.

 

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Tentámos a partida umas quantas vezes, mas era andar umas dezenas de metros e novo motivo nos obrigava a parar, ou mais vacas, ou paisagens até um casal de coelhos bravos nos fez parar, mas sem tempo de podermos fazer tudo, pois entre o parar, pegar na câmara fotográfica e apontar, já os coelhos se tinham posto a milhas, escondidos entre as urzes e as giestas, depressa desapareciam. Pelo caminho ainda apareceu mais um coelho e pelo menos uma bubela, ou poupa-eurasiática de nome científico   Upupa epops. É muito comum nestes vê-las nestes campos de Barroso, e pessoalmente acho-a lindíssima, principalmente pelo seu colorido amarelado cor de mel, com a sua poupa e listas brancas e negras. Bonitas, mas todos me dizem que cheiram mal. Mas isso não o sei, pois nunca estive muito perto de nenhuma, o mais perto que as costumo ver é a uns 8, 9 ou 10 metros de distância.

 

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Pois o meu destaque para esta aldeia de São Salvador de Viveiro, ou as minhas recomendações para se for lá de visita, são, primeiro, de visita obrigatória, o Santuário do Divino Salvador. Depois tem de apreciar uma vista geral sobre o núcleo velho da aldeia, que à saída para Bostofrio, a estrada transforma-se num autêntico miradouro, não só sobre o núcleo velho da aldeia mas também sobre a paisagem e pastagens que envolvem a aldeia.

 

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Obrigatório também é percorrer as suas ruas e ir apreciando o casario, a sua igreja, alminhas, tanques e bebedouros, canastros etc. E se for logo pela manhã ou pelo fim da tarde, delicie-se com o movimento das ruas e a música pausada dos chocalhos a chocalhar conforme o andar das vacas, e nas manadas maiores, tente descobrir no meio delas, o touro, fácil de identificar, e em geral são mansos, tal como as vacas, convém é respeitar o caminho dele e delas, dar-lhes prioridade à passagem, evitar gestos bruscos, etc, ou seja, respeite-as e não se meta com elas, que elas também não se metem consigo. Pode cumprimenta-las, falar com elas, tirar-lhe fotografias, etc, mas não espere por qualquer resposta.

 

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Isto do gado nas aldeias é engraçado e muitas vezes veem-se a andar pelas ruas sozinhas, pachorrentas, mas nunca param, e uma vez conhecido o seu itinerário, seguem em manada sozinhas para os seus destinos, que em geral só são dois, o da pastagem e o da corte onde dormem.      

 

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E agora vamos ao nosso itinerário para chegar a São Salvador de Viveiro. Itinerários que em Boticas, primeiro parecem complicados, mas que depois de se conhecer, são muito simples, pois basta ter como referência 3 ou 4 localidades e estradas. A grande maioria dos itinerários para as nossas visitas têm como ponto de partida a EN103 até Sapiãos, depois o desvio para Boticas e depois a ER311,  e por fim a Carreira da Lebre. A negrito e sublinhado ficaram as estradas e locais a ter em conta, ou por onde obrigatoriamente temos de passar para a grande maioria dos nossos destinos de Boticas, onde só há duas exceções para outros itinerários, que falaremos deles quando formos para uma das suas aldeias. Para já, o ponto mais importante até é a Carreira da Lebre, pois a partir de aí temos de tomar uma decisão, o se seguir em frente, virar à esquerda ou à direita. Para o de hoje, tal como paras as aldeias que já abordámos até hoje, vamos em frente, e a partir da rotunda da Carreira da Lebre é só ir com atenção às placas da estrada, para vermos quando aparece o nome da aldeia que queremos visitar. Claro que o nosso ponto de partida é sempre a cidade de Chaves. Ficam os nossos mapas e com as indicações já dadas nada mais acrescentamos.

 

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E agora vamos ao que dizem os documentos sobre esta aldeia, começando pela monografia de Boticas - Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas:

 

Localização geográfica: A freguesia de S. Salvador de Viveiro situa-se na parte Centro/ Oeste do concelho de Boticas.

Distância relativa à sede do concelho: aproximadamente 11,5 km

Acesso viário: pela ER 311 até aparecer a indicação Viveiro. Percorre-se um pequeno troço da EM 519-B e segue-se pelo CM 1036. Em alternativa segue-se pela ER 311 e, virando na indicação Viveiro, segue-se pelo CM 1036.

(…)

Orago: Divino Salvador do Mundo

Festas e Romarias: S. Sebastião, Janeiro, Viveiro; Divino Salvador do Mundo ou S. Salvador do Mundo, segundo Domingo de Agosto, Viveiro

(…)

Pontos de Interesse: Forno do Povo de Viveiro;  Santuário do Divino Salvador do Mundo.

 

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E concluímos hoje a abordagem de todas as aldeias da freguesia de Vilar e São Salvador de Viveiro, ao todo 6 aldeias (Agrelos, Bostofrio, Campos, Carvalho, Vilar e Viveiro). Assim, no próximo domingo, faremos o post da freguesia, que será mais das antigas freguesias de Vilar e Viveiros, hoje uma só. Será um post um bocadinho diferente daquilo que é habitual, pois é dedicado ao conjunto, onde abordaremos temas como o do evoluir da população, o território, etc., em que ficará também um resumo com todos os pontos de interesse sobre a freguesia.

 

 Assim, ficamos por aqui e só nos resta apresentar o vídeo resumo com todas as imagens hoje aqui publicadas, espero que gostem.

 

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

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