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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O Barroso aqui tão perto - Sirvozelo

10.06.18 | Fer.Ribeiro

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O nosso destino de hoje no “Barroso aqui tão perto” é Sirvozelo, mais uma das aldeias barrosãs que vive e convive com o Parque Nacional da Peneda-Gerês, mesmo à beirinha da barragem de Paradela e do rio Cávado.

 

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Iniciemos já pelos itinerários para chegar até Sirvozelo, por sinal muito semelhantes aos itinerários da última aldeia que passou por aqui (Pincães), mas com uma interessante variante para quem gosta de sair dos caminhos mais comuns. Como sempre o início do nosso itinerário, optem por qual optarem, é sempre feito com partida da cidade de Chaves.

 

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Então o itinerário 1 de 59Km, é feito via estrada de S.Caetano/Soutelinho da Raia (EM 507), Meixide, Montalegre, aqui opta-se pela estrada M308 que passa pelo Campo de Futebol/Sr. da Piedade até Sezelhe onde se deverá estar com atenção às placas indicativas, onde se deve seguir pela entrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês em direção a Paradela. Aqui de novo atenção, pois estamos quase lá, é só atravessar o paredão da barragem e logo a seguir (1,5Km), à esquerda, temos o desvio para Sirvozelo. 

 

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O itinerário 2 de 64Km, é feito pela estrada de Braga (EN103) até ao Barracão, 2,5 Km à frente tem um desvio para Montalegre via Gralhós. A partir de Montalegre segue pelo itinerário 1. Em opção (traçado do mapa) em vez de apanhar a estrada de Gralhós para Montalegre, pode seguir pela EN 103 até S.Vicente da Chã, e aí apanhar o desvio para Montalegre.

 

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O itinerário 3 de 67Km, o mais longo, é para mim o mais interessante, pois sai das estradas para nós mais comuns, embora seja também via estrada de Braga (EN103) até Sapiãos. Aí deixa-se a EN103 em direção a Boticas. Aqui segue-se pela N311 em direção a Salto,  mas só até à Carreira da Lebre que se terá de atravessar e continuar até logo à frente passar o Rio Beça e logo a seguir vira-se para Carvalhelhos pela EM520, sem entrar em Carvalhelhos, pois imediatamente antes temos de virar à esquerda em direção a Lavradas/Atilhó/Alturas do Barroso, imediatamente antes das Alturas do Barroso temos de desviar à direita, subir a Serra do Barroso, atravessar entre os seus cornos e logo a seguir desce-se para a Barragem dos Pisões, atravessa-se o paredão da barragem e apanha-se a EN103 em direção a Chaves, mas apenas durante 1,5KM, pois logo a seguir temos de deixar a EN103, virar à esquerda em direção a Brandim, Contim, S.Pedro e Sezelhe, a partir desta última estamos na entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês, seguindo-se a partir de aqui pelo itinerário 1. Sem qualquer dúvida que é um itinerário diferente e muito interessante, com estradas secundárias, mas em bom estado e onde se rola bem, uma pequena exceção para a ligação entre Alturas do Barroso e a Barragem dos Pisões em que a estrada fica mais estreita, mas é também o troço mais interessante com passagem pela “cabeça” da Serra do Barroso mesmo pelo meio dos seus cornos.

 

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Embora Sirvozelo já esteja bem localizada nas palavras e no nosso mapa que atrás ficaram, vamos deixar também as coordenadas da aldeia e a sua altitude para ficarmos a saber quão alto estamos:

41º 46’ 12.70” N

07º 57’ 57.08” O

Altitude: 730m

 

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Entremos agora na intimidade da aldeia, considerada por muitos uma das mais bonitas do Barroso e do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e é bonita sim senhor, com características únicas. Vejamos a opinião de alguns que por lá passaram e vão fazendo uma referência à aldeia com este texto[i]:

“A aldeia de Sirvozelo fica no concelho de Montalegre, e insere-se no plano das aldeias típicas de Portugal e de turismo de habitação, sendo muito procurado por gentes das cidades, para desfrutarem a Natureza e o modus vivendus de outros tempos e naturalmente outras gentes. Uma boa experiência, para quem quer fugir do turbilhão agitado da cidade. Perto daqui, fica toda uma região de aldeias tradicionais cheias de rusticidade e interesse turístico com tradições que ainda são o que eram.”

 

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Pois sim senhor, somos testemunha que Sirvozelo é uma das aldeias típicas do Barroso que mantém toda a sua integridade como tal e que é possuidora de uma beleza singular onde se destacam os grandes penedos a conviver paredes meias com as casas, não tantos como na aldeia próxima de Ponteira, mas talvez com mais imponência. Também as ramadas de videiras, sobretudo de morangueiro lhe dão um toque singular, além de frescura para os dias de “inferno” do Verão. Já a fotografia não agradece sombras tão duras, mas perdoa-se a dureza da sombra pelos momentos de frescura e beleza que proporcionam a quem está ou passa por baixo das ramadas.

 

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Fomos por lá duas vezes, a primeira em julho de 2014 e a segunda, também em julho, mas de 2016. Da segunda vez fomos por lá para completar o nosso levantamento de fotografias, pois da vez anterior o muito calor e hora imprópria para andar à caça de fotografias, não nos deixou satisfeitos. Pois da segunda aconteceu o mesmo. O calor repetiu-se e a hora também não foi a melhor, mesmo assim fizemos mais uns registos. No entanto hoje, na feitura deste post, dei-me conta que Sirvozelo pede e merece uma visita mais atenta e demorada, para fazer de preferência numa hora e dia com melhores condições para a fotografia. Pela certa que iremos por lá outra vez, sem esforço e com agrado.

 

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Quanto ao topónimo Sirvozelo, vamos ao que diz a “Toponímia de Barroso”:

 

Sirvoselo

Conquanto não se encontrem referências na documentação, o topónimo revela-se com grande evidência: SILVOSU + ELLO.  É o adjectivo que indica a terra silvosa, de silvas, pelo diminutivo. Tinha de dar Silvoselo. O facto de o Povo dizer Sirvoselo, trocando o R e o L, é um fenómeno corrente por se tratar de consoantes líquidas.

 

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E na Toponímia Alegre, temos:

 

Ó Santinho Santo Ouvido

Onde tens tua morada:

Entre Sela e Outeiro

Sirvoselo e Parada

 

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Pela certa repararam que até entrar neste capítulo da toponímia me fui referindo à aldeia como sendo Sirvozelo, no entanto na toponímia aparece grafada como Sirvoselo. Mas não é só aqui neste texto que tal acontece, pois a aldeia vai aparecendo grafada de ambas as formas. Incluindo na página oficial e livro “Montalegre” assim acontece. No entanto na maioria das vezes é grafada com Z , incluindo nos mapas turísticos de autoria da C.M.Montalegre. Por curiosidade fiz uma pesquisa no Google por “Sirvoselo, Montalegre” e a resposta automática do Google foi: Será que quis dizer: Sirvozelo, Montalegre. Como a maioria vai por Sirvozelo com Z, nós também vamos continuar a tratá-la assim, exceto nas citações de outros autores, que aí grafaremos como lá está.

 

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Vamos ao livro “Montalegre”, no tal onde encontrámos a aldeia grafada com o tal S e o tal Z da diferença, vamos à primeira, com Z:

As barragens do Parque Nacional da Peneda Gerês

Está-se assim na periferia do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), cuja entrada acontece um pouco mais à frente, junto à central hidroeléctrica de Vila Nova de onde  se pode contemplar o majestoso panorama da barragem de Salamonde. Curva após curva, ao longo da EN 308, surgem vistas de sonho. Cabril, Santo Ane e Fafião são nomes de aldeias a não esquecer. Em Fafião visite o Fojo do Lobo, os lagares de azeite, aprecie a gastronomia de montanha (o javali), contemple os penhascos da majestática Serra do Gerês, delicie-se com a panorâmica do Vale do Cávado e repouse à sombra dos pinheirais. De Cabril subimos pelo Miradouro da surreira do meio-dia, passamos na terra do navegador Cabrilho – Lapela. Se estiver calor dê um mergulho nas cascatas de Cela de cavalos e siga até Sirvozelo, aldeia integrada na “ rocha”.

 

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Continuemos no livro “Montalegre” agora Sirvoselo, com S:

Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto. Basta percorrer as nossas estradas municipais ou vicinais através do planalto para redescobrirmos mil recantos admiráveis. A título de exemplo referimos a estrada de Fafião a Cabril e daqui aos Padrões ou a Cela e Sirvoselo; o trajecto de Paradela do Rio a Outeiro e Parada; a travessia da Mourela com visita ao Mosteiro de Pitões e à extinta freguesia de São Vicente do Gerês ou ao São João da Fraga; a visita a Tourém que tanta importância teve durante a Idade Média no seu relacionamento com o castelo da Piconha e o Couto Misto através do caminho neutral; uma viagem a Cervos, Arcos e ao célebre e celebrado Pindo – mau passo do inevitável acesso à ribeira-tâmega que foi valhacouto de ladrões e malfeitores; uma passagem, ainda que breve, por capelinhas carregadas de história e lenda, do sagrado e do profano, de mistério e dogma, de misticismo e magia:

 

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E ainda no livro “Montalegre”

Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído. Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.

 

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Num estudo “Diagnóstico Social do Concelho de Montalegre”, penso que de autoria da Segurança Social,  também aparece referida Sirvozelo, por ser uma das aldeias com menos habitantes, e são dados de 2001. Como a tendência tem sido perder população, é natural que hoje sejam bem menos:

“Salienta-se ainda o facto de, em 2001, se registar um número considerável de lugares com menos de 20 residentes. Os casos mais críticos são os dos lugares da Cruz da Estrada, 9 residentes, Sirvozelo, 12, Pai Afonso, 12, Minas de Carvalhais, 10, Chãos, 14, Covêlo do Gerês, 14, Bosto Chão, Vidoeiro e São Mateus  com 17 habitantes cada.”

 

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E vai sendo tudo por hoje, pois mais referências sobre a aldeia não encontrámos e na aldeia também não registámos qualquer estória para aqui contar, mas tivemos tempo de fazer um amigo com o qual partilhámos um pouco da sombra de um canastro. Não era de grandes conversas e nem sequer apurámos qual era o seu nome, pois nitidamente preferia a paz da sombra, mas não se opôs a uma foto para aqui partilharmos. Aqui fica ela, ainda antes das referências às nossas consultas:

 

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Ficam então as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso ao vosso mail.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.cm-montalegre.pt/

 

http://carris-geres.blogspot.com/2015/12/sirvozelo-uma-aldeia-geresiana-em-tras.html

 

[i] Esta vi-a no Blog Carris, dedicado às minas de Carris na Serra do Gerês, não muito longe da nossa aldeia de hoje (Sirvozelo), mas do outro lado da serra. O link para o blog está nas referências

 

 

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