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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Jul22

O Barroso aqui tão perto - Valdegas

Aldeias do Concelho de Boticas

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VALDEGAS

 

Continuamos na freguesia de Pinho, concelho de Boticas, hoje com VALDEGAS, a terceira e última aldeia da freguesia, que faltava abordar.

 

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Freguesia de Pinho que como já tivemos oportunidade de referir nos posts anteriores, é limite de concelho de Boticas a confrontar com o concelho de Vila Pouca de Aguiar, com o Rio Tâmega e com o concelho de Chaves. Valdegas é a aldeia da freguesia mais próxima do concelho de Chaves, tendo quase à sua frente, do outro lado do rio, na margem esquerda, a aldeia de Arcossó e na margem direita do Tâmega as aldeias de Souto Velho e Anelhe, todas a menos de 3km de distância, em linha reta, pois por estrada a distância aumenta um pouco.

 

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Continuemos com a localização da aldeia e com o melhor itinerário para lá chegar a partir da cidade de Chaves ou Vidago, itinerário que será idêntico ao que recomendámos anteriormente para Pinho e Sobradelo, as outras duas aldeias da freguesia. Assim, a estrada a utilizar a partir de Chaves, mas também de Vidago é a Nacional 2, embora em sentidos contrários, pois na ponte seca de Vidago temos de tomar a E311 em direção a Boticas, onde a cerca de 7 quilómetros teremos o início da aldeia de Pinho, é aí que deveremos sair, à direita da E311, em direção a Valdegas. Num total, a partir da cidade de Chaves, serão ao todo 22,8Km ou 20 minutos de viagem, ou seja, é aqui mesmo ao lado…

 

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Embora estando em Valdegas não se tenha muito a noção disso, a verdade é que a aldeia vista numa fotografia aérea parece estar dentro da cratera de um vulcão, mais ou menos circular, ocupado pelas terras verdes de cultivo. Fechadas, ou limitadas, pelas encostas das montanhas, estas cobertas de um verde mais escuro e menos vivo com que a copa dos pinheiros as pinta, em que Valdegas se encontra no limite desse círculo, já encostada à vertente de uma dessas montanhas, mais precisamente à encosta, onde no cimo, está implantado o santuário do Sr. do Monte, a apenas 800m da aldeia.

 

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Santuário do Senhor do Monte que, pela proximidade, se poderia dizer ser pertença de Valdegas, mas na realidade parece não ser bem assim, embora também lhe pertença, pois é considerado santuário da freguesia de Pinho, sendo assim o santuário das suas três aldeias.

 

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No que toca a festas e romarias, o Santuário do Sr. do Monte aparece ligado a Pinho, naturalmente por ser sede de freguesia e se os meus dados estiverem corretos, está neste momento em festa, pois a mesma acontece no último domingo de julho.

 

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Em Valdegas celebra-se e festeja-se o Divino Espírito Santo no mês de maio à qual está associado um dos hábitos comunitários das aldeias do Barroso no que respeita à utilização do Forno do Povo.

 

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Então, segundo consta na monografia “Preservação dos hábitos comunitários nas aldeias do concelho de Boticas”:

“Para além de cozer o pão, actualmente, os fornos do povo são também muito utilizados por ocasião de festas, casamentos e baptizados para fazer os assados, como por exemplo em Valdegas (Pinho), onde por altura da festa do Divino Espírito Santo, as pessoas colocam no forno a carne para assar, vão à missa e depois da procissão passam pelo forno e cada um leva a respectiva travessa de carne para o almoço. “

 

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Já que abordámos a monografia, e ainda a respeito dos hábitos comunitários ligados ao forno do povo, e ainda, a respeito de Valdegas, refere o seguinte:

“Noutros tempos, quando quase todas as casas das aldeias coziam no forno do povo, foram estabelecidas regras de forma a organizar a sua utilização.

(…)

Na maior parte das aldeias este uso acabou por desaparecer, são cada vez menos as pessoas que ainda utilizam estes espaços, muitas preferem comprar o pão já feito, a um dos inúmeros padeiros que diariamente percorrem as aldeias do concelho, do que terem que andar com trabalho para fazer a massa e cozer o pão. Assim, quem quer cozer aquece o forno e coze. Em Sapiãos, as pessoas ainda têm o hábito de colocar um lareiro junto à fornalha do forno, sinal que indica que alguém vai aquecer o forno e cozer. Normalmente, quando alguém coze, as outras pessoas aproveitam a quentura do forno e cozem a seguir, pois desta forma já não gastam tanta lenha. Em Valdegas (Pinho) apesar de já não existir a obrigação de quentar o forno, quem o acender é obrigado, pelo costume, a dar a vez aos que quiserem cozer a seguir a ele, durante essa semana.”

 

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Ainda a respeito dos hábitos comunitários e da cozedura do pão, há a considerar que nem todos têm jeito para serem padeiros e para além dos segredos de cozer um bom pão, segredos que não são mais que sabedoria na arte de cozer pão, que vão (ou iam) passando de geração em geração, segredos que vão desde aquecer o forno e deixá-lo no ponto para cozer, ao dosear as farinhas  (de centeio, milho, trigo ou mistura), a água e o sal, ao amassar e levedar do pão, e depois ao tempo de cozedura, há ainda uma série de rituais que se têm de cumprir e que vão variando um pouco de aldeia para aldeia ou de padeira para padeira. Rituais que têm de ser cumpridos para se ter um bom pão à mesa, ou na mão, com um naco de presunto em cima, por exemplo.

 

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Continuando no que se diz na monografia ao respeito da cozedura do pão, temos:

“Em algumas aldeias, como por exemplo, em Valdegas (Pinho), antes de se começar a preparar a massa para fazer o pão, é costume dizer-se: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo Amén. Deus m’ajude e às benditas almas.”. O processo de fazer o pão obedece a determinadas procedimentos. Coloca-se água a aquecer com sal, enquanto se peneira a farinha para dentro de uma masseira. A essa farinha junta-se a água, o fermento e amassa-se tudo muito bem. Uma vez feita a massa, coloca-se numa pilha dentro dum cesto para levedar, com a mão faz-se uma cruz na massa e costuma dizer-se uma pequena oração, de que encontramos diversas variantes, para esta levedar:

 

Deus que te levede

Deus que t’acrescente

Com a graça de Deus e da Virgem Maria

Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria"

 

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A oração que ficou atrás é uma entre muitas das orações que se diziam para o pão amassado que ia a levedar. Em miúdo assisti muitas vezes a este ritual, mas nunca consegui ouvir direito as orações, pois elas eram, por assim dizer, “cochichadas” pela padeira para a massa a levedar, era assim uma espécie de coisa a tratar apenas entre os dois. Atrás disse padeira, porque em geral amassar e cozer o pão era uma tarefa que as mulheres assumiam, enquanto que a escolha da lenha, o acarretar da mesma e aquecer o forno já era tarefa de homens ou mista, isto acontecia também por uma questão do “timing” do processo de cozer o pão. Quanto ao estar pela boca do forno, não era para aprender, era mais pela bica redonda, espalmada e cheia de biquinhos dos furos, que a meio da cozedura do pão era retirada do forno, aberta ao meio, regada com azeite e polvilhada com um bocadinho de açúcar, para distribuir pelos presentes e comer quente… uma delícia! Ah!, e também gostava dos aromas do pão cozido.

 

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E para rematar esta tradição e hábito comunitário barrosão, atrás dizia-se que na hora da massa do pão ir a levedar, fazia-se com a mão uma cruz na massa. Pois embora este gesto faça parte do ritual, tem também um objetivo, a saber (também da monografia):

“Quando a cruz da massa desaparecer, é sinal de que está lêveda. Coloca-se no tendal, tende-se e deixa-se levedar novamente enquanto o forno acaba de aquecer. Uma vez quente o forno, varre-se com um matão, feito de urzeira ou giesta, e puxa-se o borralho para a entrada da fornalha. Com uma pá coloca-se o pão lá dentro e no final faz-se uma cruz à porta do forno e diz-se uma pequena oração, de que também encontramos inúmeras variantes:

 

Cresça o pão no forno, fora do forno,

E paz em casa do seu dono e por todo o mundo.

Pela graça de Deus e da Virgem Maria

Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.”

 

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E chegamos àquela parte em que vamos dando o post como terminado, não por falta do que mostrar e dizer sobre estas aldeias, mas por uma questão de não termos posts longos e maçudos, que mesmo assim como são, já são exagerados para aquilo que se recomenda. Assim, apenas nos falta o habitual vídeo com todas as imagens hoje  aqui publicadas.

 

Aqui fica, espero que gostem:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui o resumo da freguesia de Pinho.

 

 

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