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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Mai20

O Barroso aqui tão perto - Vilar

Aldeias de Barroso - Concelho de Boticas

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VILAR - BOTICAS

 

Como hoje é domingo, vamos mais uma vez por este nosso Reino Maravilhoso adentro, até um dos seus cantinhos que dá pelo nome de Barroso, mais propriamente até uma das suas aldeias, a aldeia de Vilar, concelho de Boticas.

 

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Hoje, vamos dividir este post em cinco andamentos, que,  bem poderiam ser musicais, melodias para ouvir, mas estes andamentos, são, ou foram, andamentos na aldeia de Vilar, primeiro com neve, depois de encontro à arte Naïf, depois com sol, de descoberta do turismo rural e finalmente, o andamento da documentação e daquilo que se diz de Vilar, não necessariamente por esta ordem.

 

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Mas antes de entrarmos nos andamentos e porque depois não vamos ter oportunidade para tal, vamos já a localização da aldeia e o itinerário para lá chegar.

 

Pois como sempre a nossa partida é da cidade de Chaves e tal como habitualmente vamos tomar a estrada que atravessa todo o Barroso, a EN103, para depois, em Sapiãos (a apenas 23,3Km de Chaves) fazermos o desvio para Boticas onde apanharemos a ER311, que atravessa todo o concelho de Boticas. Depois de Boticas, nesta estrada ER311, até ao nosso destino, apenas vamos passar por duas localidades, Quintas e Carreira da Lebre, logo a seguir a esta última localidade, a 2,8Km, temos um desvio à esquerda para a nossa aldeia de hoje – Vilar.

 

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Agora sim, vamos então aos 5 andamentos de Vilar, aldeia que até à ultima reorganização administrativa das freguesias era sede de freguesia, à qual pertencia também a aldeia de Carvalho. Com a reorganização das freguesias foi anexada a freguesia de São Salvador de Viveiro, sendo hoje a freguesia de Vilar e Viveiro.

 

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Primeiro Andamento

Versão outono-inverno de Vilar

 

Como sabem este blog é feito na cidade de Chaves, quanto a mim com parte do concelho ainda a pertencer a este Barroso, mas mesmo não pertencendo, o concelho faz fronteira com o Barroso, daí estarmos tão próximos, que muitas das vezes não é preciso dizerem-nos o que se passa por lá, basta seguir e sentir os sinais que o Barroso emite, para ficarmos a saber o que por lá se passa.

 

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Por exemplo os dias de neve no Barroso. Aqui no vale de Chaves (onde lá vai nevando de vez em quando, pouca coisa e de pouca dura, a maioria das vezes nem chega a pegar, mas em muitos dias de inverno, que por cá faz frio e/ou está a chover, no Barroso é neve, e sabemo-lo por aquele ar frio e refinado que nos vem de lá. Depois é só confirmar, lançando um olhar para a serra do Leiranco ou se estivermos num ponto mais alto, lançamos esse olhar até a pontinha da Serra do Larouco, e lá está ela, branquinha. O ar frio e refinado é como o algodão, nunca engana…

 

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Eu sou um dos que, quando esse ar frio e refinado vem do Barroso, se puder, dou lá um pulo para ver se a neve continua a ser aquilo que era… mas vem tudo isto a propósito das imagens com neve de Vilar, de uma nevada que caiu há dois anos (30 de março de 2018), um bocadinho fora de época.  E agora pensarão - pois, cheirou-te a neve e foste até lá! Mas não, aqui no vale de Chaves até estava uma manhã amena, que nem sequer chuva prometia. Céu carregado de nuvens, mas com “a atmosfera muito alta” como diria o tio Miguel, e em dias de “atmosfera alta”, segundo o mesmo tio Miguel, nunca chove, quanto mais nevar…

 

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Na verdade fomos surpreendidos pela neve, pois nem sequer com chuva contávamos, pelo que o ar frio e refinado do Barroso não é fruto de uma ciência exata, às vezes falha. Mas ó alegria das alegrias, quando chegámos à Carreira da Lebre e vimos os primeiros flocos de neve a cair, ainda timidamente, vimos logo que aquilo prometia. Parecíamos putos a ir à neve, tanto mais que andamos nesta recolha de imagens há anos e raramente ela nos brindou com o seu aparecimento. Mas desta vez apareceu, e não só apareceu como não desapareceu, o nosso único receio é que não íamos preparados para a neve, e se a neve virava a nevão, o nosso popó, pela certa que chegaria a um ponto e diria – não ando mais… mas também sabíamos que enquanto ela está fofinha, não há grande perigo, isto se não saírmos da estrada e enquanto esta se deixa ver. Não houve azar de maior e nesse dia, até conseguimos fotografar Campos e Vilar. Um dia em cheio, de neve, com brincadeiras de putos e tudo…

 

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Estas primeiras fotos são precisamente desse dia de neve em Vilar. Neve que é bonita de ser ver, mas aos bocadinhos, pois é fria e molha, pelo menos os pés, e como já disse, não íamos preparados pela neve, pelo que, aproveitámos o Café André estar aberto e entrámos para aquecer os nossos corpos, por fora e por dentro, que nestas coisas de frio e molhas, todos os cuidados são poucos, e em boa hora o fizemos, pois mal entrámos no café dei de caras com um velho amigo, ou melhor, com a sua obra, uma maigo que tive o gosto de conhecer em Chaves nos anos oitenta, a ele e à sua obra da qual ainda hoje restam algumas memórias.  

 

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Segundo andamento

Arte Naïf

 

Enquanto tivemos comboio em Chaves, de vez em quando apareciam por cá umas personagens castiças. Acreditávamos que vinham do Porto, isto é, que estariam na estação de Campanhã sem nada que fazer, entravam no comboio prá Régua para darem uma volta, ali mudavam para a via estreita e depois seguiam até Chaves, fim ao de linha. Como tal, não havendo comboio de regresso até ao dia seguinte, lá teriam que sair do comboio e começavam a deambular pela cidade. Chaves que é hospitaleira e recebe sempre bem os de fora, lá acabava por acarinhar estas personagens e elas acabavam por ficar largas temporadas ou para sempre.

 

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Um dia vejo na rua uma dessas personagens castiças. Chapéu na cabeça, camisinha amarela de um amarelo bem vivo, calcinha vermelha a condizer. E este quem é!?, perguntei por perguntar. É o Rei! Alguém me respondeu. Boa, disse eu, já que temos aí o Primeiro Ministro Mundial de Faiões, que queria contruir uma ponte de Portugal até ao Brasil, porquê não um Rei!?

 

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Uns dias depois, um amigo das artes, apresenta-me o Rei. “Apresento-te o Sr. Francisco Rei, é pintor, anda ali a pintar um café, vamos lá ver…”. Vamos! E também fui… e fiquei surpreendido com o que vi, com o rigor dos pormenores dos lugares, não falhava nada, o mais importante estava lá, pintava os lugares de memória, sem auxílio de fotografias, mas nada falhava. Repare-se na última foto, uma pintura da nossa aldeia de hoje que está numa das paredes do Café André, atravessa-se a ponte antiga com os arcos refletidos na água, temos o desvio para Carvalhelhos e logo a seguir o desvio para Vilar, nem sequer falta o pormenor do marco da estrada a assinalar a ER311, Km91, a Igreja com a sua torre sineira separada…  Arte Naïf q.b., mas nasceu e viveu em terras erradas para poder chegar ao patamar dos grandes. Francisco Rei pintava as paredes dos cafés ou de que fossem, a troco de estadia e alimentação…

 

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Desde esse dia, vi-o durante meia dúzia de anos por Chaves e redondezas, em muitos dos cafés em que entrava, principalmente nos cafés de bairros limítrofes da cidade e nas aldeias, havia sempre pinturas de Francisco Rei, a última vez que vi uma por cá, foi num café em Outeiro Seco, pinturas que Francisco Rei fazia questão de assinar sempre, mas nem era preciso, a sua pintura era inconfundível, tinha o seu cunho pessoal. A última vez que o vi foi nas paredes do Café André, em Vilar…

 

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Terceiro andamento

Vilar na versão primavera-verão

 

Pois tal como nos aconteceu na aldeia de Campos, também tivemos que ir a Vilar uma segunda vez para recolher fotografias sem neve, com outra luz e outro colorido, e em boa hora o fizemos, pois o dia estava excelente. Este segundo andamento pelas ruas de Vilar aconteceu a 16 de julho de 2018, chegámos lá às 9 da manhã de um dia de sol, limpinho, daqueles sem fumos nem neblinas, daqueles que deixam ver longe até onde o horizonte se esgota, mas estávamos lá para ver de perto e a cores, alguns pormenores, por sinal muitos, que nos escaparam no dia de neve.

 

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Todas as imagens de hoje sem neve, são desse dia e não temos mais, porque logo à chegada à aldeia, fomos desviados da nossa aventura de ir pelas ruas adentro, conforme os motivos nos vão convidando, mas desvio esse que em boa hora aconteceu, pois partimos para outra descoberta, a convite, que por livre iniciativa não teríamos a ousadia de invadir aquele espaço, e seria pena. Espaço esse que deu origem ao quarto adamento na aldeia de Vilar.

 

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Quarto andamento

Turismo Rural – A casa da Eira Longa

 

Nesta segunda visita à aldeia, entrámos nela e fomos à procura de um poiso para o popó. Neste entretanto de o arrumar, aparece-nos um vilarense que ao ver-nos munidos das câmaras fotográficas, nos perguntou se andávamos a “filmar” coisas bonitas, e que fossemos com ele que nos mostrava a coisa mais bonita da aldeia…e fomos. Levou-nos até à Casa da Eira Longa, da qual já tínhamos visto algumas placas indicativas de um turismo rural. Entrámos na eira da casa, que na realidade são 9 ou 10 construções, uma pequena aldeia dentro da aldeia.

 

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Notoriamente trata-se de uma casa agrícola senhorial, segundo a história disponível, foi construída em 1750 pelos antigos morgados da terra, sendo hoje propriedade dos seus descendentes, a professora Lurdes Fernandes e o irmão Hermínio Fernandes, que no ano 2001, a converteram em turismo de habitação, para depois por força da lei passar a turismo rural e hoje ser considerada alojamento local. A recuperação seguiu em tudo a traça antiga das construções, principalmente no exterior e em muitos interiores, com exceção para os quartos junto à piscina, construção nova, a seguir a traça das existentes, mas que no interior têm o requinte dos materiais de, e que, hoje se exigem para a sua função.

 

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O que mais me atraiu a atenção foi um autêntico museu etnográfico com todos os pertences de uma casa agrícola antiga, no que respeita a mobiliário, loiças e utensílios do lar, onde nada falta, desde a mesa posta com talheres e loiças da época, os armários, caixas, escanos, louceiros, lampiões, colchas, tapetes e toalhas de linho dos antigos teares, incluindo o próprio tear, nada falta, inclusive um penico de loiça. A par deste museu existe também o bar, rústico, com algumas obras de arte (pinturas e fotografias de autor) a decorar as paredes. Obras de arte de pintores e fotógrafos que passaram pela casa aquando ali se realizavam tertúlias ligadas à arte e poesia, que segundo informações proprietária Lurdes Fernandes, eram coisas do irmão, mais ligado à cultura e aos artistas.

 

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Quanto ao exterior, o verde contrasta com o azul do céu e da piscina, esta, exposta a receber desde os primeiros raios de sol da manhã até ao por-do-sol, com toda a privacidade necessária para quem dela usufruir, tendo por um lado o casario do empreendimento e por outro a ampla quinta revestida de verde. Mas sobre o exterior e a envolvente deixo-vos com as palavras que constam no site da Casa da Eira Longa ,  que nós confirmamos a sua veracidade:

 

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Quando se entra na Casa da Eira Longa, logo o olhar se prende no deslumbrante quadro natural que, a poente e a sul, se apresenta. A calma impera, o silêncio faz-se sentir. Estão criadas as condições para afastar preocupações e aliviar tensões.

Os múltiplos caminhos que na paisagem se desenham convidam ao passeio e à descoberta dum reino maravilhoso, habitado por gente nobre e constituído de recantos mágicos onde ainda se disfrutam cheiros, sabores, cores e sons primordiais, únicos. Miguel Torga descreve este reino em seu “Diário”.

Um pouco por toda a parte, encontramos vestígios de histórias e tempos idos, tais como antas e dólmenes celtas e pré-celtas, vias romanas, fortificações diversas, fornos comunitários, moinhos de levada, engenhos de linho, teares, etc.

 

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Para quem gosta do campo e da natureza, a Casa da Eira Grande é sem qualquer dúvida um local para passar umas férias sossegadas e com muitos motivos de interesse em redor, afinal estamos no Barroso,  uma das pérolas deste Reino Maravilhoso que Torga tão bem descreveu. Se está interessado em vir para esta terras, não hesite, venha e se esta casa de turismo rural estiver esgotada, há outras do género na região e se todas estiverem esgotadas, tem em Chaves e Vidago um amplo parque hoteleiro para o receber, onde poderá passar e usufruir das noites flavienses, e de dia fazer excursões familiares ao Barroso, que fica mesmo ao lado. Principalmente este ano, não arrisque a ir lá para fora quando tem tudo cá dentro, e nesta região, além de ter tudo, vai ter o prazer de descobrir um Reino Maravilhoso e de uma qualidade gastronómica sem igual.

 

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Quinto Andamento

O que se diz de Vilar

 

Pois já que falámos em pérolas e Reinos Maravilhosos, e atrás se falou de Miguel Torga, vamos até essa pérola da literatura portuguesa que se encantou com estas terras e fez delas tempo de férias durante mais de cinquenta anos,  até que que o seu corpo partiu, mas ficou a obra, onde dedica também muitas das páginas dos seus diários ao Barroso e um pedacinho a esta aldeia de Vilar – Miguel Torga:

 

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Carvalhelhos, 24 de Junho de 1956

 

Conhece-nos, o sexo fraco! E tanto monta que a psicóloga seja uma requintada Madame de La Fayette, como qualquer parola de Trás-os-Montes. Esta tarde, em Vilar, povoação serrana que visitei para ver uma tábua bem bonita, porque só me apareciam velhas à porta das casas, meti conversa com uma, a tirar nabos da púcara.

- Quantas viúvas há cá na terra?

- Quarenta e duas.

- E viúvos

- Três.

Espantado com semelhante desproporção, perguntei-lhe a causa.

- É que os homens são mais aflitos…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

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Na monografia de Boticas - Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas,  faz uma referência ao:

 

Alto do Crasto ou Castelo dos Mouros Designação: Alto do Crasto / Castelo dos Mouros Localização: Vilar Descrição: o Castro de Vilar de Porro fica abaixo da aldeia de Vilar, mesmo ao lado do sítio de Fervença, e é designado pelo povo como Castelo dos Mouros. Embora tenha três patamares ascendentes e uma muralha na borda de cada um deles, as suas condições de defesa estão longe das dos outros castro da região, que com muralhas altas ofereciam muito boas condições de defesas. O patamar da base na linha Leste/Oeste tem cerca de 35 m de largura. A este patamar segue-se para Oeste uma rampa ascendente com 10 m de comprimento, e a seguir o segundo patamar que na linha Leste/Oeste tem 11 m de largura. Logo se empina nova rampa ascendente que na mesma linha tem 5 m de comprimento e conduz ao patamar cimeiro ou coroa do castro com 80 m de comprimento. Existem vestígios de várias construções circulares.

 

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Algumas das referências que a monografia faz, vamos reserva-las para o post final dedicado à freguesia de Vilar e Viveiro, como o devido resumo de todas as aldeias da freguesia abordadas.

Para já ficam mais estas:

 

Orago:

Nossa Senhora da Guia

Festas e Romarias:

Nossa Senhora da Guia, 15 de Agosto, Vilar.

Senhor dos Milagres, 1º domingo de Setembro, Vilar.

Património Arqueológico:

Castro Alto do Crasto / Castelo dos Mouros

Gravuras de Chainça

Gravuras de Quilhoso

Túmulos

Património Edificado:

Capela do Senhor dos Milagres (Vilar)

Cruzeiros (Vilar)

Fonte de Mergulho (Vilar)

Fornos do Povo de Vilar (Arrabal de Baixo e Arrabal de Cima)

Igreja Paroquial Senhora da Guia (Vilar)

Alojamento Turismo Rural - Casa da Eira Longa (Vilar)

 

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Ainda na Monografia (o sublinhado e negrito é nosso)

 

As Lamas / Lameiras do Povo ou do Boi

 

Em algumas aldeias existem lamas/lameiras do povo ou do boi, propriedade comum da aldeia. Nas aldeias onde existiu boi do povo, estas propriedades garantiam parte da sua alimentação, sendo utilizadas como pastagem e para a produção de forragens (feno). Actualmente, estas propriedades, geridas pelas Juntas de Freguesias ou pelos Conselhos Directivos dos Baldios, são arrendadas aos lavradores que delas precisem. Anualmente, ou de cinco em cinco anos, como acontece em Nogueira (Bobadela), são postas a leilão e arrematadas por quem fizer melhor oferta, pois como costumam dizer “quem mais dá, mais amigo é do Santo”.

Todavia, existe ainda no concelho uma excepção - três lamas do Boi, das cinco existentes em Ardãos, a Lama da Sorte e a Lama do Souto são utilizadas para pasto do Boi do Povo e a Lama da Herdade para produção de forragens para o Inverno. Para além destas lamas/lameiras, que são propriedades comunais, existem terrenos doados à Igreja, a um Santo, ou ao padre da paróquia. Antigamente quando os padres se deslocavam entre as aldeias, faziam-no a cavalo de um burro, estes espaços serviam assim para o pasto do animal. No concelho, existem várias propriedades destas, como por exemplo as Lamas da Igreja, em Bobadela, a Lama do Padre, em Vilar e Lama da Santa, que pertence à Senhora da Guia, também em Vilar. Estas propriedades, geridas pelas Comissões Fabriqueiras das respectivas igrejas, são, anualmente, colocadas a leilão e arrematadas pelos agricultores que melhor oferta fizerem.

 

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Ainda na monografia, sobre o casamento:

 

Em algumas aldeias, como Granja, Vilar e Espertina, ainda é costume juntarem-se as raparigas solteiras no dia do casamento bem cedo, fazem um arco para acompanhar a noiva à igreja e uma passadeira de flores desde a sua casa até à igreja.

 

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E agora passemos à “Toponímia de Barroso”

 

VILAR (Vilar de Porro)

Não é só falta de sensibilidade, é falta de respeito pelos que jazem no vosso cemitério e igreja há séculos e séculos! Vede bem, só no concelho de Ponte de Lima há 10 topónimos oriundos do “PORRO” pelo nome comum latino “PORRU” a planta de que o povo tanto gosta e ama de tal maneira que o escolheu para nome do seu povoado.

Fiães – que vem de feno e Curros – que vem de “cortes” devem estar a pensar (Fiães e Curros têm gente que pensa) se deviam rebaptizar os lugares onde nasceram os seus filhos, seus pais e avós! É triste… ver rejeitar o que tanto honrou e orgulho transmitiu aos vossos entes queridos!

Porque Vilar de Porro tem orgulho no seu passado histórico: o ultimo rei conquistador, D.Afonso III, concedeu-lhe carta de foro em

- 1258 « de uno meo casali regalengo de Vilari de Porro com suis terminis» CHANC. III f.30 e

- 1282 « en Vylar de Porro  Fernam Pena comprou huu casal» e ainda

- 1282 « en Vylar de Porro de huu casal oytaveyro del rey de que devem das espadoa e fosadeyra e ir aa ramada e a entorviscada e traagê-o a eygreyja de San Salvador de Canedo há VII anos» E, por fim, na fracção B dos mesmos documentos:

- « Gil Stevaez aldayde de Monte Alegre trage em Vylar de Porro huu casal…» e mais adiante…

- « esse Gil Stevaez trage en no dicto logar de Vylar de Porro huu casal en Fundo de Vila e dele he dezmeiro e dele oytaveiro del rey».

Respeitemos a gente que fez esta terra!

 

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TOPONÍMIA ALEGRE:

 

Vilar de Porro:

Tem “ um alto monte a que chamam vigia, terra silvestre e monte maninho que não produz mais que urze e tojo.”

Padre Domingos Pereira – Memórias Paroquiais de 1758

 

Os moços de Vilar de Porro

Vão de noite roubar uvas!

Que ninguém se finte neles

Pois são falsos como judas!

 

Moças de Vilar de Porro

Compram na vila a romã

Para lavarem as tetas

Duas vezes por semana

 

Se fores por Vilar

É olhar e andar!

 

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Já há muito que ando para dizer o que vou dizer a respeito da “Toponímia de Barroso”, que pensei que seria uma mais valia para as aldeias de Barroso, mas que hoje tenho sérias dúvidas se será ou não, pois ir à origem da palavra, geralmente ao latim,  para justificar o topónimo, se nalguns casos faz algum sentido e pode justifica-lo, noutros não faz sentido nenhum, nem explica o porquê de... Mas o que mais me mete impressão nesta “Toponímia de Barroso” são os apontamentos pessoais do autor, que às vezes chegam a ser ofensivos, principalmente para outros especialistas na matéria, quando a respeito de um determinado topónimo, estes têm opinião diferente da sua. Para sermos respeitados há também que respeitar os outros.  Depois, também, a “Toponímia de Barroso” é uma edição do Ecomuseu – Associação Barroso, que está debaixo da tutela do Município de Montalegre, ou seja, é, por vias indiretas, uma edição municipal e não uma edição de autor, daí, o autor não deveria imiscuir-se em assuntos que não são da sua laia, ainda para mais, como no caso de Vilar, acusando os atuais vilarenses  de falta de respeito pelos seus mortos e antepassados, num assunto que está mais que consumado, que resultou de uma organização administrativa que tem quase 100 anos    (decreto-lei nº 27,424, de 31/12/1936), quando a maioria dos atuais vilarenses ainda nem sequer tinha nascido… Afinal quem é que está a faltar com o respeito a quem!? Razão tinha Miguel Torga quando a respeito de uma aldeia próxima, relatou no seu diário “Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhe dá a simples proteção de as respeitar.”

 

Respeitemos a gente que hoje faz esta terra!

 

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Que me desculpem os de Vilar por este desabafo, mas tinha de ser, e pela certa não voltará a acontecer, e mais vale tarde do que nunca, a “Toponímia de Barroso”, aqui, não voltará a levantar destes problemas.

 

E estamos a concluir este já longo post, com a recomendação final de que Vilar merece uma visita e os agradecimentos à Professora Lurdes, ao seu irmão Hermínio  e caseiro (cujo nome esquecemos de anotar) pela simpatia com que nos receberam e deram a conhecer o seu alojamento local, gratidão também por ter reencontrado a arte de Francisco Rei nas paredes do Café André e por ter oportunidade de poder perpetuar a sua obra, com algumas imagens, antes que umas obras de recuperação pintem aquelas paredes de branco, e gratos também à mãe natureza por nos ter brindado em Vilar com um dia de neve e outro de um radioso sol de primavera.

 

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E agora sim, chegamos ao final deste post. Estamos naquela parte em que vamos ter o vídeo resumo com todas as imagens hoje aqui publicadas. Espero que gostem e quanto a Vilar, até um dia, nem que seja e só para tomar um café e rever as pinturas de Francisco Rei.

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

TORGA,  Miguel, (1956) Diário VIII.

 

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

https://toponimialusitana.blogspot.com/search?q=carvalho

http://eiralonga.net/casa-da-eira-longa/

 

 

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