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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

24
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

*Telélés, popós e sol-e-dós*

 

Houve tempo em que os Telefones só eram usados para actividades profissionais e casos de urgência.

 

Agora, são pretexto para entretenimento, para intrusão, atrevida e, ou, abusiva, na vida alheia, e como pressuposto adereço de um estrato social com que se sonha e nunca se alcança!

 

O Telefone   -   que diabo! Hoje até já é raro  dizer, ou ouvir dizer, telefone: o telemóvel passou-lhe a perna ao primitivo significado!    -   o telefone, perdão, o telemóvel transformou-nos a todos num alvo fácil, demasiado fácil, de atingir, estejamos nós a dormir ou acordados; na rua, no Café; no automóvel, no comboio, no barco, no avião; no escritório, no armazém, na oficina; no consultório médico ou no do advogado; no Parlamento ou na Biblioteca Municipal; num funeral ou numa missa campal; no quarto de banho, no quarto de dormir  ou --- no quarto de sentinela, em prisão ou em liberdade, enfim!

 

O «telélé» veio aumentar a promiscuidade (então as auto-estradas digitais!...).

 

Apetrechado cada vez mais com inimagináveis funções, o «telélé» tem crescido tanto na sua aceitação e multiplicando-se tanto nas soluções e vantagens da sua aplicação que nele se pode ver, ouvir e apalpar (tocar) o cumprimento da ordem divina do «crescei e multiplicai-vos»! Já se lhe contam quantas gerações?!......

 

Depressa os gramáticos farão um congresso mundial para decretarem o nome «telemóvel» (claro, os «brasucas», e outros anglófobos, vão reivindicar «celular») como substantivo colectivo, eh! eh! eh!

 

O automóvel, o «pópó», por cá, pelo «Puto», ainda funciona como uma expressão cultural. Mas o «telélé»já o ultrapassou no peso e na importância desse desiderato!

 

O telemóvel; o «pópó», o direito à greve, à liberdade de expressão, à «Igualdade»; a “profissão e a gravidez de risco”; o «salário mínimo» com rendimento máximo; os «direitos», agarrados ao peito com ambas as mãos, e os «deveres» deitados ao calhas para trás das costas acabaram de vez com o viver modesto de um viver a sério uma vida séria e com pensamentos elevados!

 

Há dias, Luís dos Anjos, na simplicidade das suas “Vivências”, deu aqui um ligeiro retrato do impacto do telélé no modelo de convivência familiar.

 

Quando, há umas boas dezenas de anos atrás, víamos fotografias de cantores-pimba, rapazotes enfatuados, ou candidatos a intelectuais de qualquer burgo, ou «parvalheira», em que faziam há-de conta estar a falar com alguém ao telefone preto, como se isso mostrasse a elevado grau da sua importância (sem fundamento definido) e, ou, a transcendência das suas invisíveis, mas insinuadas, virtudes, mas apenas importância, toda a gente estava longe de imaginar o vício desse tique de estar constantemente agarrado ao telefone, agora móvel (e, por isso, se dizer «telemóvel») ficarà mão, às falanges, falanginhas e falangetas; ao olhar, com o pescoço curvado para baixo, de uma maioria que mal deixa vislumbrar a excepção que confirme a regra!

 

Perturba-me ver muitidões heterogéneas de turistas, no PORTO ou em CHAVES e noutras cidades e lugares de visita cheios de interesse histórico, arquitectónico, paisagístico, apreciarem essas belezas através da câmara fotográfica do seu «telélé» em vez de admirarem esses encantos com os próprios olhos!

 

Para a ansiedade provocada pela falta do telemóvel (esquecido algures), menos do que espear pelo ««triim» do sinal de chamada e mais pela oportunidade de usar as multi-aplicações, tão queridas aos paladares emocionais tão consoladores de um ego viciado, até já foi inventado um nome: “nomofobia”   -  medo irracional de estar (andar) sem telemóvel   -  termo resultante do  acrónimo do termo em inglês  «No Mobile Phone Phobia».

 

Hoje, até parece que a companhia física de um amigo é bem dispensável: o calor humano está a baixar de temperatura. Mas quando num momento deveras difícil acontecer, dar-se-á conta da desvantagem no investimento errado de não se ter um ombro amigo em que se apoiar, um peito amigo onde chorar, uma abraço amigo de conforto e protecção.

 

A voz metálica que chegará pelo microfone do telélé não conterá o estímulo e o consolo que a voz do amigo presente tanto vale; o sms do telélé não terá o efeito tonificante das palavras que são ditas olhos nos olhos e com o palpitar dos corações a corresponderem-se tão sublimemente.

 

Afinal, tão preocupados em ter muita companhia através da marcação das teclas do telélé, convencidos de estarmos a mostrar a quem está, a quem passa, ou a quem nos possa ver que temos o mundo a nossos pés a prestar-nos uma inevitável atenção, não damos conta de que, na realidade, estamos sozinhos, numa triste solidão!

 

Está-se a viver a vida mais por uma tela de cristal do que pelo ar que se respira, pela paisagem que nos rodeia, pela palavra que nos é dirigida e pelo gesto com que nos acenam!

 

A necessidade do reconhecimento não é inevitavelmente satisfeita com as ligações, as mensagens, as fotos e os comentários ocos e fúteis trocados com a vulgaridade, a sofreguidão e o empanturramento com que realizam com o «smartphone»!

 

Não será de admirar que de tanta depressão resultem tantas tempestades!...

 

M., dezasseis de Novembro de 201

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

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