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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Dez18

Ocasionais

ocasionais

 

Maryprosa”

 

 

“Dêem-me mandrágora a beber

para que possa dormir

 durante todo este tempo

em que ....

«a minha Tera natal»

estã ausente”.

-paráfrase- LF

 

 

**Lá fui por aí acima com a minha cara-metade.

 

Conheço a Régua, Pinhão, Alijó e Favaios do Moscatel, Moncorvo, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Mogadouro, Bragança, Mirandela, Macedo de Cavaleiros (e até o Vale da Porca!) e Vila Real.

 

Ainda não tinha visitado CHAVES.

 

Estive perto quando fui a uma Feira do Fumeiro a Montalegre. Valente Feira!

 

Por outra vez, num Dia de “Volta a Portugal”, estive nesta Vila Barrosã, e, com outros amigos, aproveitei para regressar por Sezelhe (Barragem), Paradela do Rio (Barragem), ficar ainda mais deslumbrado com uma Aldeia chamada PONTEIRA, descer até à Ponte da Misarela, virar para trás para a croa da Barragem da Venda Nova e seguir para a de Caniçada, tendo pernoitado no S. Bentinho de Porta Aberta.

 

Já tinha conhecido um OUTEIRO em Bragança; neste roteiro conheci o OUTEIRO de Paradela do Rio.

 

E, «agôra» em CHAVES, topei com três Outeiros: Outeiro Seco, Outeiro Jusão e Outeiro Machado. Falo neles porque, quando no passeio de carro pela margem direita do Tâmega, para montante, além de ter apreciado a veiga numa certa perspectiva, ter dado com os olhos em três ou quatro coisas de que nem quero falar, cheguei a um ponto em que tive de fazer um ângulo recto, à esquerda, para não seguir por um carreiro que já era «terras de Espanha»  - e quando cheguei outra vez a Outeiro Seco tinha passado por uma Vila, um Vilarinho, um Vilarelho e uma Vilela; o segundo, entendi-o melhor quando visitei o “Castro de Curalha” (que coisa maravilhosa! Até coelhos bravos nos vieram saudar! Ou seriam mouras encantadas?!...) – e achei o nome de «Jusão» muito bonito, em vez de «a jusante»; o terceiro, procurei-o por o meu amigo já me ter falado dele: afinal fica num rico vale, no Vale de Anta!

 

Não procurei um quarto Outeiro, o Outeiro Ladrão, com medo de nele ser roubado (bem, isto não é bem verdade: é que me disseram que o ladrão estava morto há muito tempo e que o Outeiro foi arrasado há pouco tempo).

 

Mas, como estava a dizer, fui por aí acima com a minha mulher   -   ó dianho! Tenho de ser moderno, estar na moda e dizer «minha namorada» (bem namorámos desde o 4º ano de Liceu e estamos casados há .... uma «porrada» de anos), que é para dar ares de «prà-frentex»!

 

Uma auto-estrada que podia muito bem ser um lindo miradouro   -  os pedaços de paisagem que se apanham assim o prometem   -   esconde mais do que aquilo que devia deixar ver!

 

Estacionei no “Jardim das Caldas”.

 

Subi a “Rua do Sol” pela sombra que me dava o passeio do lado esquerdo (o dia estava quente). Logo dei com o seu recomendado “João Padeiro”: encomendei-lhe os folares para o dia e hora do regresso.

 

Achei interessante aquele correr de casinhas baixinhas encostadas ao que julgo ser um pano de muralha. Uma viela a começar junto a um quiosque deu-me o palpite de ser entrada para a zona histórica da cidade. Meia dúzia de passadas e um cruzamento com uma rua estreita, breve para a esquerda e mais comprida para a direita. Segui por este lado, e fui dar a um parapeito.

 

Virei à esquerda e cheguei ao fundo da rua que soube ser a Rua Direita.

 

Aí, olhei para perto. Gostei do Lugar, a que disseram chamar-se “O ARRABALDE”. Veio-me à lembrança o seu “Os bearnesbaques do Arrabalde”.

 

Aí, olhei para longe. E vi uma linda cúpula de uma Igreja, uma montanha com lindos matizes a desenhar uma fronteira com o céu. À distância, pareceu-me ver espreitar a Torre de um Castelo.

 

Subi a Rua Direita. Umas Escadinhas, à esquerda, despertaram-me curiosidade. Mais acima deparei com um pequeno Largo onde está a Igreja Matriz e um edifício com interessante arquitectura.

 

Segui ao Rua Direita até ao cimo. Deu para uma descida a começar com um Largo ou pequena praceta. Disseram-me ser  “O Largo do Anjo”. Mas a estátua era a de um padreco!

 

Procurei a “Casa dos Pastéis”.

 

Afinal, ali, à mão de semear, ou seja, de dar ao dente, havia quatro Pastelarias de “Pastéis de CHAVES”!

 

Antes de almoço (a hora aproximava-se) provar quatro “Pastéis de CHAVES” pareceu-me demasiado.

 

Fui à “Loja dos Prazeres”.

 

Provei um. Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Desci uma rampita de zinco, e, ao balcão, pedi um “Pastel de Chaves”. Quentinho, avisaram-me para ter cuidado com a dentada.

 

Soprei-lhe de mansinho, convencido que ninguém daria conta. Pelo canto do olho reparei que alguém, na mesa da entrada, sorria.

 

Fiquei com vontade de outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Atravessei o Largo e segui pela Rua “1º de Dezembro”, larga, bonita, ao fundo da qual se adivinha um Jardim.

 

Entrei na alcova da “Princesa” e pedi-Lhe um “Pastel de Chaves”.

 

Não é todos os dias que se vê e se fala com uma princesa. E quando tal acontece, quem é que não fica derretido?!

 

Dei um primeiro beijinho, alto!, estou a sonhar, uma primeira dentadinha no “Pastel de Chaves” e fiquei derretido: tive a impressão que a princesa,  alto!, estou a sonhar, o Pastel se me derreteu na boca.

 

Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Voltei para trás e fui à procura da “Tia Maria”.

 

Meti pela Rua do “Cândido dos Caçadores e da Feijoada”, virei à esquerda, admirei-me com o Jardim do Castelo e a Torre de Menagem.

 

Não foi preciso muito para acertar com a casa da “Tia Maria”: um cheirinho especial levou-me lá direitinho.

 

Duas senhoritas cheiinhas de simpatia facilitaram-me,  com um daqueles sorrisos que até nos fazem tropeçar, a descida dos degraus de entrada.

 

- Venho conhecer e provar “O Pastel de CHAVES”.

 

Lourinho, quentinho (e nisto eu já estava avisado), foi-me servido com toda a delicadeza.

 

- Cuidado não se lhe queime a língua, disse uma das senhoritas.

 

Estive mesmo para soltar uma gargalhada: encontrei no aviso uma cúmplice duplicidade de intenção.

 

Ainda não o tinha acabado, e já me estava a apetecer logo outro!

 

Até cheguei a julgar que era o primeiro “Pastel de Chaves” que estava a provar!

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Como o Almoço estava aprazado para um Restaurante demasiado longe para ir a pé, voltei à esquina da “Rua do Cândido”, desci umas compridas escaleiras, atravessei um parque de estacionamento, apanhei a sombra das árvores de uma Rua, e, em frente ao “João dos Folares”, bolas!, “João Padeiro”, desci para o “Jardim das Caldas”.

 

Com o meu amigo me tinha falado nas virtudes milagrosas, especialmente digestivas, das Águas de CHAVES, já andava comigo um daqueles copinhos de encaixar, e fui à fonte «proβar», como por lá se «questuma» dizer, as águas.

 

Ai! Que bem me caíram!

 

Meti-me no carro e, graças às novas tecnologias, foi fácil subir até à croa de Stº Amaro e tratar do almoço.

 

O «agente-técnico-de-restauração-e-afins», com toda a cortesia, indicou a mesa. Depois, ao apresentar a carta do Menu, sugeriu que, hoje, tinha um  prato de «vitela guizada com cabaçotes”.

 

Soou-me uma campainha cá no toutiço: “Cabaça”, “Vitela”. “Batatas”!

 

’Stouque” foi ao meu amigo que «ouβi» falar de uma receita assim como muito especial, gulosamente saborosa, deliciosamente gulosa.

 

- Ora isso mesmo!  - disse eu, com certa euforia.

 

Nem lhe digo, nem lhe conto: foi cá um dos petiscos! E a «pinga» estava a matar! E a sobremesa,  também recomendada pelo «patrão»....!

 

Almoçadinho tão bem e tão regalado como estava, voltei com o carro para o “Jardim das Caldas”.

 

Apanhei uma sombra. E fui beber mais um gole de milagre digestivo.

 

Metendo conversa com um peregrino, comentando o milagre com que eu já tinha sido abençoado antes de almoço, e as belezas deste “Jardim das Caldas”, corrigiu-me, num galego-transmontano, que, sendo ele um frequente visitante desta cidade, sabia que o Jardim se chamava “Jardim do Tabulado” e não “das Caldas”!

 

E recomendou-me, se por acaso eu quisesse ter mais um motivo de diversão nesta visita, que reparasse no nome das Ruas, vielas, avenidas ... e canelhas!

 

Aqui, fiquei como numa “estrada sem saída” (é o que dá ter nascido e crescido uma floresta de cimento armado!).

 

Fui para o Hotel esconder-me da caloraça, dormir uma sesta.

 

Depois da sesta, e para abrir apetite para o Jantar, fui de carro pela ponte de S. Roque, estacionei perto da antiga Estação e dei uma volta por aquelas redondezas. Vi o Estádio do “Depor”, apreciei as muralhas que protegiam a “Srª das Brotas”, descobri a “Panificadora do Nadir” e o «cañon» por onde outrora circulava o comboio.

 

O Monumento aos Mortos da I G.G.  achei-o com muita dignidade   -   um importante e significativo testemunho de reconhecimento dos Flavienses.

 

Chegada a «hora da janta», fui regalar-me, mais a minha namorada, ‘stá claro, a um dos mais famosos Restaurantes da cidade. Antes de sair para um passeio pela Ponte de Trajano e pela margem do Tâmega, compus-me com um  traguinho abonadinho (repetido) de geropiga!...

 

Caro amigo, assim foi o nosso, o meu e o da minha (faço por não me esquecer da modernicice, claro!) namorada, primeiro dia da conquista de CHAVES.

 

E, com este balanço, fizemos as expedições dos curtos dias de férias que fomos passar à sua «terrinha natal», e, no final, quem acabou por ficar conquistado foram estes dois, bem levados na sua cantiga!

 

Já lhe deixei umas referências a algumas expedições dos dias seguintes. Para a próxima, conto-lhe o resto.

 

Mas lá que CHAVES é um verdadeiro campo minado de tentações, de surpresas e de admirações, ai lá isso é! **

 

Num dos passeios pela fresca, na avenida junto ao mar de uma praia da Costa Verde, dei de frente com este casal, com que tinha feito amizade há ainda pouco tempo.

 

Como não podia deixar de ser, falara-lhe da NOSSA TERRA.

 

Hoje, depois das protocolares cortesias, convidaram-me para um refresco numa das esplanadas à beira-mar.

 

A dado momento, o meu amigo, a quem notei um entusiasmo de quem vai fazer uma surpresa agradável ou dar uma boa notícia, perguntou-me se eu tenho ido «à terrinha». E antes de eu lhe responder, atirou:

 

- Sabe....

 

E começou e acabou o discurso que acabo de vos dar a ler.

 

M., nove de Setembro de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

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